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UnB aguarda decisão judicial

Cerca de 50 alunos fazem exigências para desocupar o gabinete do reitor, que reclama de violência

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postado em 19/09/2013 16:00 / atualizado em 19/09/2013 12:19

Manoela Alcântara

Antonio Cunha
A Universidade de Brasília (UnB) apelou à Justiça mais uma vez para tentar resolver o impasse com os estudantes do Centro de Assistência Social (Cassis). O reitor da instituição, Ivan Camargo, solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) o pedido de reintegração de posse da Reitoria. Cerca de 50 alunos da assistência estudantil entraram no gabinete do gestor na última terça-feira. Eles ocuparam o local após o cumprimento de ordem judicial, que determinou a devolução da sala BT-260, do Instituto Central de Ciências (ICC), onde se instalaram em 14 de agosto. Três policiais federais pediram a saída dos universitários, o que culminou com a ida à Reitoria. Os integrantes do movimento consideraram a atitude autoritária. A última invasão, em setembro de 2011, durou 10 dias.

A pauta de reivindicação alcança 14 itens. Contrapropostas foram oficializadas pela UnB, mas os jovens rejeitaram todas. Eles brigam por três pontos principais: a volta do atendimento médico gratuito no Hospital Universitário (HUB); a manutenção da bolsa permanência aos desligados da UnB por baixo rendimento, enquanto o processo de retorno à universidade não é concluído; e a isonomia entre calouros e veteranos no edital de moradia. Além disso, pedem uma sala para virar sede do Cassis.

As solicitações devem ser analisadas, hoje, pelo Conselho de Administração (CAD). “A obrigação do reitor é fazer cumprir o que os seus conselhos superiores determinam. Passamos mais de 40 horas em mesa-redonda e ouvi estudantes dizerem várias vezes: ‘Não queremos negociação, mas, sim, derrubar o reitor’. É difícil negociar nesse nível”, afirmou Camargo. Duas salas foram oferecidas, um espaço provisório no subsolo ou no mezanino do ICC, e, até o próximo semestre, um no térreo. Foi negado. O reitor ressaltou que encaminhou o pedido de reintegração de posse, pois é a medida que pode ser tomada nesse momento. “Mas precisamos muito mais do que isso, queremos comunicação”, disse.

Já os integrantes do Cassis se sentem desprestigiados. Alegam terem perdido um dos benefícios mais importantes prestados pelo HUB, o de assistência psiquiátrica aos estudantes de baixa renda. Citam ainda perseguição, mas têm dificuldade em eleger um porta-voz. “Existe na lei da Assistência Estudantil o serviço médico, principalmente às pessoas que surtam aqui dentro. O índice é maior quando se trata de baixa renda. Se isso não mudar, vamos continuar a ver suicídio entre os alunos”, afirmou uma das representantes do grupo, que preferiu não se identificar. Hoje, a UnB conta com 3.030 estudantes na assistência estudantil.

Neste ano, a UnB recebeu do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) R$ 16 milhões para apoiar os estudantes com auxílios de moradia, de alimentação, de transporte. Para 2014, a verba atingirá R$ 26 milhões, após recursos recebidos devido à adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação. A UnB tem, hoje, os maiores valores do país em benefícios. O auxílio-pecúnia é de R$ 530; e o de alimentação para os câmpus que não têm o Restaurante Universitário, de R$ 344.

 

Duas perguntas para

Ivan Camargo,
reitor da UnB

Houve convocação da polícia para retirar os alunos da sala?
Não chamamos a PM. O que ocorreu foi uma reintegração de posse, definida pelo Conselho Universitário (Consuni). Três agentes da PF — e não militares — à paisana conversaram com os estudantes pacificamente, como a gente espera que seja em um grupo civilizado. Durante a invasão da Reitoria, os alunos agiram com violência extrema, quebraram portas, chamaram-me de fascista e de ladrão, falaram de lixeiras. Não temos meios para lidar com isso. Por isso, vamos fazer o mesmo procedimento: pedir a reintegração de posse, aguardar a negociação com o oficial de Justiça e a conversa com PF, na paz.

Qual será a postura da UnB a partir de agora?
Vamos continuar fazendo as coisas com toda a serenidade, com toda a calma. A parte administrativa tem de reconhecer que a negociação foi ao limite. Chegamos a seis semanas de tentativas, nas quais fomos agredidos sistematicamente. Estamos sempre abertos ao diálogo. Eles não precisam invadir a Reitoria para conversar com o reitor. É só marcar. Todas as demandas foram acatadas, levadas ao conselho deliberativo. Amanhã (hoje), três demandas serão tratadas no CAD.

 

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