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Senadores discutem atuação de black blocs em protestos

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postado em 18/10/2013 15:36 / atualizado em 18/10/2013 15:41

Agência Senado

Ao ler em Plenário a carta de um integrante do movimento Black Bloc, nesta última quinta-feira (17), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) gerou protestos por parte do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

O petista, para quem a mensagem foi endereçada, destacou passagens do texto que defendem o fim da Polícia Militar e a reação efetiva do povo contra o autoritarismo e o abuso de poder. Em um dos trechos, os manifestantes se definem como "a sociedade civil, a juventude e os trabalhadores indignados, por trás de um capuz negro".

Para o parlamentar tucano, trata-se de uma mensagem "fascista", contra a ordem democrática.

"Eles querem se impor pela violência, na marra, são brucutus cuja atuação é incompatível com a ordem democrática. Com paus, pedras e marretas, eles estão criando deliberadamente uma ocasião para agir nas manifestações e protestos", disse Aloysio.

Suplicy explicou que a leitura da carta era importante para ampliar a compreensão sobre o sentimento dos manifestantes e depois refletir a respeito. Ele ressaltou que, apesar de serem considerados vândalos mascarados por alguns que condenam as depredações, os jovens envolvidos nessa "busca por justiça" têm a simpatia de uma parcela da população. O senador, no entanto, enfatizou que não apoia a atuação violenta do movimento, pois ajuda a retrair e desmobilizar a sociedade que deseja mudanças.

"As boas intenções deles, pelas práticas violentas, terminam sendo contraproducentes ao seu próprio objetivo", argumentou o senador .

Cadeia


Depois da carta, Suplicy ainda leu texto do cientista político Márcio Sales Saraiva, que apontou o cunho ideológico, da esquerda socialista, na atuação dos jovens militantes nos movimentos sociais e grevistas. Acrescentou que eles se inspiram em fontes anarquistas, são contra a opressão estatal e procuram "abrir caminhos" quando os aparelhos repressivos impedem a passagem dos protestos e passeatas. No entanto, com uma visão de "guerrilha quase romântica", sem direcionamento, se perdem nas táticas sem estratégia.

Aloysio Nunes voltou a contestar e disse estar indignado. Ele disse ainda constatar objetivamente o "caráter criminoso" da atuação do movimento e sugeriu que os manifestantes sejam presos.

"Para que eles meditem sobre a pertinência dos meios em relação aos fins, estudem com maior cuidado os textos clássicos do anarquismo e do socialismo, meditem sobre os princípios éticos de organização da sociedade, que passem um bom tempo na cadeia", disse.

Suplicy, por outro lado, sugeriu a aplicação de penas alternativas como dar aulas na comunidade, atendimento em pronto-socorro ou construção de escolas.

"Tentar compreender não significa apoiar", concluiu Suplicy.
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