SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Expansão não é mais a mesma

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 31/10/2013 13:58 / atualizado em 31/10/2013 14:25

Manoela Alcântara , Andre Shalders /Correio Braziliense

Carlos Moura/CB/D.A Press
O ritmo de crescimento nas matrículas dos estudantes do Distrito Federal em instituições de ensino superior diminuiu. Dados do Censo da Educação Superior divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que entre 2010 e 2011 o aumento dos inscritos foi de 5,6%. Um ano depois, o percentual reduziu mais da metade — foi para 1,9% —, reflexo da queda nos números das instituições privadas. Elas deixaram de expandir de forma relevante. Em 2012, chegaram ao patamar de 0,94%. Enquanto no setor público houve alta de 7,4%, na Universidade de Brasília (UnB) houve queda de 8,9 pontos percentuais no número de matriculados. No Brasil, a expansão foi de 4,4% (veja matéria abaixo).

De acordo com Remi Castioni, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), a desaceleração das matrículas em Brasília não significa necessariamente um problema. Ele frisa que a capital já tem uma taxa de escolarização líquida do ensino superior muito acima da brasileira e, por isso, tende a crescer de forma menos acelerada. “Enquanto o Brasil está em 17%, nós beiramos os 30%. Já chegamos à média prevista para o país em 2022, na faixa etária de 18 a 24 anos”, afirma.

Ele lembra ainda que um ano é um período curto para se constatar um problema estatístico. “É preciso relativizar”, ressalta. Na UnB, a queda brusca de 11% para 2,1% reflete a explosão do período em que os cursos dos câmpus de Ceilândia, de Planaltina e do Gama começaram a funcionar a todo vapor. “Justifica-se pelo pico de consolidação dos novos campi do Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Foi a expansão da universidade”, defende Castioni. Na área privada, ele considera o ápice das possibilidades de oferta. “Atingimos o patamar. A única possibilidade de expandir é reduzir os custos”, completa.

Com 57 unidades privadas e três públicas — Universidade de Brasília, Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB) —, o DF tem hoje 84% dos estudantes universitários no setor particular e 16% no público. Entre os motivos para pagar pelo ensino superior estão a falta de tempo e a necessidade de trabalhar. No caso de Raíssa Guerreiro, 21 anos, as vantagens são a grade horária estável e as férias determinadas. “Assim, fica melhor de manter contato com a minha família, que mora em São Luís (MA)”, diz a estudante de relações internacionais do Iesb.

Jovens


A pesquisa também apresenta o perfil etário de instituições públicas e privadas. Enquanto no Brasil o maior número de estudantes universitários em unidades federais possui entre 25 e 29 anos, no DF o ápice é aos 19 anos. Quem entra em uma instituição regida pelo governo na capital do país é mais jovem. Quando o assunto é ensino superior pago, o perfil assemelha-se ao do país. “No DF, a situação econômica diferenciada facilita o ingresso dos jovens na idade correta. Porém, o Brasil ainda está longe de chegar a faixa ideal de 18 a 24 anos”, afirma Erasto Fortes, professor aposentado da UnB na área de política educacional e membro do Conselho Nacional de Educação. A capital tem hoje 4.235 estudantes de 19 anos na rede pública, e 3.581 entre 25 e 29 anos. Na rede privada, são 11.859 na última faixa etária.

Entre os 191 mil estudantes matriculados em instituições de ensino superior do DF, 54% são mulheres. Um percentual explicado por dois fatores, segundo o doutor em educação Célio da Cunha. “Há um número ligeiramente maior de mulheres que homens no país. E na medida em que se insere no mercado, fica mais difícil para o jovem brasileiro continuar os estudos. Essa pressão tende a ser maior sobre os homens”, conclui.

O Censo também mostra que 16,6% do total dos matriculados são negros. Entre eles, 88% estão em instituições privadas. Apesar da desvantagem, mesmo após as cotas da UnB, as universidades públicas têm mais doutores do que as privadas. Entre os 3.398 com doutorado, 2.372 estão na rede pública e 1.026 na particular.

Palavra de especialista
Números esperados

Esse crescimento do setor público e a redução das matrículas no ensino privado já era algo esperado. Até 2002, tivemos uma expansão feita pela iniciativa privada. Em um período de oito anos, a política se voltou para esse mecanismo. Com a mudança de governo, houve uma reversão dessa tendência. Foram criadas universidades públicas, além da inteorização das existentes. Brasília é um exemplo disso.

A UnB instalou novos câmpus em Ceilândia, no Gama, em Planaltina. Isso permitiu o acesso de pessoas que não tinham nenhuma expectativa de entrar no ensino superior público. Ao longo do tempo, é razoável que essa diminuição de matrículas no setor particular continue por dois motivos: mais chances nas instituições geridas pelo governo e a limitação da capacidade de pagamento da população.

Erasto Fortes,
professor aposentado da UnB na área de política educacional e membro do Conselho Nacional de Educação

Pacifico/CB/D.A Press
 

Tags:

publicidade

publicidade