SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

CONTAS PÚBLICAS »

Custo alto no almoço da UnB

O governo federal pagou mais de R$ 16 por uma refeição no restaurante da Universidade de Brasília em 2012. Instituição de ensino superior de Minas Gerais gasta R$ 5,46 por cliente. Direção do local responsabiliza greve e problemas técnicos pela alta

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/11/2013 09:27 / atualizado em 01/11/2013 10:41

Daniel Ferreira
O estudante e o servidor da Universidade de Brasília (UnB) que pagam R$ 2,50 pela refeição no Restaurante Universitário (RU) não imaginam que o prato custou, na verdade, R$16,46 — a diferença é subsidiada pelo governo federal. O preço, referente a 2012, se comparado ao dos restaurantes comunitários do DF, é muito superior. Com o dinheiro gasto no RU, é possível alimentar quatro pessoas em um comunitário. Nos 13 estabelecimentos espalhados em diferentes regiões administrativas da capital, a população paga R$ 1, enquanto o governo subsidia uma média de R$ 2,90 pela refeição individual, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest).

Com uma quantia similar ou até inferior, é possível fazer uma refeição completa em restaurantes como o Spoletto e o Giraffas. Na rede brasiliense, o custo final repassado ao consumidor por um prato com arroz, feijão, farofa, salada e dois pedaços de carne é de R$ 13,90. Como os estabelecimentos privados visam lucro, uma comparação mais justa pode ser feita com outras instituições de ensino superior federais.

Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o valor cheio da refeição — incluindo recursos humanos, contabilidade, tecnologia da informação, combustível para caldeira, depreciação de imóveis, todos os insumos — alcança R$ 5,46. “Temos uma estrutura diferente. Na UFMG, nós produzimos tudo”, afirma o presidente da Fundação Universitária Mendes Pimentel (FUMP) da instituição mineira, Seme Gebara Neto. E o cardápio não perde em nada para muitos restaurantes. Serve arroz branco e integral, feijão, três tipos de salada, acompanhamento e uma opção proteica, entre carne vermelha, carne branca e proteína vegetariana.

Subsídio
Responsável pela descoberta e pela divulgação do preço do restaurante da UnB, o estudante de comunicação organizacional João Paulo Apolinário Passos, 21, achou estranha a alteração da cobrança para o público externo no segundo semestre deste ano. De R$ 5, o almoço subiu para R$ 10. “A justificativa era a redução do subsídio para a comunidade de fora. Achei estranho e fiquei com a pulga atrás da orelha. Já sabia da lei de acesso à informação e mandei a pergunta sobre o custo da refeição. Não esperava esse valor tão alto”, conta.

No documento recebido por Apolinário, a Diretoria do Restaurante Universitário afirma que os valores são estabelecidos pelo Conselho de Administração da UnB. Uma tabela (veja fac-símile) traz o preço do prato em 2012 (R$ 16,46) e o gasto com salários e gêneros (R$ 6,216 milhões e R$ 1,386 milhão, respectivamente). “Levando em conta que o custo da refeição produzida no RU em 2012 foi de R$ 16,46, o subsídio é o valor da diferença entre o custo unitário da refeição e o valor pago pelo usuário. Informamos que o custo da refeição é calculado anualmente, e que como o exercício de 2013 ainda não foi encerrado estamos disponibilizando informações referentes ao último exercício (2012)”, esclarece o arquivo, assinado pela diretora do RU, Ygraine Hartmann.


Fiscalização

A Lei nº 12.527, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 18 de novembro de 2011, regulamenta o direito previsto na Constituição Federal de acesso dos cidadãos às informações públicas dos três Poderes da União, Estados, Distrito Federal e municípios. O dispositivo estabelece requisitos mínimos para a divulgação de dados e procedimentos a fim de facilitar e agilizar o acesso por qualquer pessoa. Trata-se de uma importante ferramenta para prevenção e denúncia da corrupção.

Promessa de valor menor

O custo de R$ 16,46 é referente a 2012, um ano complicado para o Restaurante Universitário, de acordo com a diretora. “Ficamos fechados por 180 dias, tempo dividido entre greve e problemas técnicos. Tivemos que fazer alguns contratos emergenciais de fornecimento de alimentação, que são caros. Além disso, os funcionários estavam todos recebendo salário e não havia usuários. Isso pode ter elevado o valor naquele ano”, afirma. Ygraine explica ainda que o valor não é somente da refeição, mas inclui os gastos com pessoal, maquinário, água, energia, estagiário, contratados, entre outros.

Na ocasião, o RU serviu 534 mil pratos. Em 2013, considerando que o balanço é parcial, o valor individual gira em torno de R$ 11,50. “Até agora, servimos 992,5 mil refeições”, contabiliza a diretora. O preço ainda está acima do praticado em outras instituições. No entanto, uma nova licitação está em curso, e a forma como os serviços são realizados vai mudar na UnB. Hoje, a Diretoria de Compras da instituição adquire todos os alimentos via pregão eletrônico, enquanto quatro empresas terceirizadas fornecem a mão de obra.

A nova empresa que ganhar a licitação vai assumir todos os gêneros. “Com essa escolha, vamos ampliar os RUs para os câmpus de Ceilândia, do Gama e da Fazenda Água Limpa. Ainda está em fase de recurso. Foi publicado hoje (ontem), no Diário Oficial da União. Se for fechada com a empresa que apresentou o menor preço, a refeição ficará em torno de R$ 9”, completou.

 

Tags:

publicidade

publicidade