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Baladas sem regra na UnB

Apesar de a universidade ter aprovado normas para a organização de festas no câmpus Darcy Ribeiro há mais de um ano, o regulamento é ignorado pela maioria dos estudantes. Na semana passada, jovem foi esfaqueado durante um evento

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postado em 08/11/2013 14:00 / atualizado em 08/11/2013 10:40

Amanda Maia

Alvaro Henrique

As regras de convivência na Universidade de Brasília (UnB) voltaram ao centro das discussões entre alunos, professores e direção esta semana após as festas do Dia das Bruxas promovidas no câmpus Darcy Ribeiro. Em 31 de outubro, pelo menos cinco happy hours de diferentes cursos aconteceram no Instituto Central de Ciências (ICC). O número de pessoas ultrapassou as expectativas dos organizadores e, além da sujeira, um jovem de 23 anos foi esfaqueado. Apesar de a motivação para o crime ser uma antiga desavença entre a vítima e o suspeito, que continua foragido, o caso levantou uma antiga discussão: quais são os limites para as confraternizações?


Uma resolução do Conselho Universitário (Consuni) aprovada em maio de 2012 estabelece diretrizes para uso dos espaços internos, como centros acadêmicos (CAs), corredores e estacionamentos. Depois de um ano e meio de vigência, contudo, estudantes reclamam de burocracia para organizar os eventos e arbitrariedades no cumprimento das normas. Isso porque o documento destaca que “toda e qualquer atividade alheia à rotina administrativa e acadêmica ou que não esteja incluída na programação das unidades administrativas e acadêmicas fica condicionada à permissão de uso pela administração”.
Com a resolução, o Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) e a Prefeitura do câmpus pretendiam diminuir as reclamações de barulho no período noturno e os prejuízos à universidade, como lixo e danos ao patrimônio público. Segundo a norma, os eventos de pequeno e médio porte podem ocorrer nas unidades acadêmicas, desde que os organizadores informem à prefeitura e peçam autorização aos decanos e à direção do curso. A solicitação deve ser feita com, pelo menos, três dias de antecedência.

 

Antonio Cunha
 

 

O presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília, Rafael Morgado Silva, avalia que hoje as festas geram menos queixas, mas cobra avanços. “Antes, os professores reclamavam bastante porque atrapalhava mesmo as aulas. O comentário é que melhorou, os alunos respeitam os critérios de horário. É claro que existem alguns problemas, mas são pontuais, com menor frequência”, observa.

 

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Críticas
Para o coordenador de política estudantil do CA de direito, Octávio Torres, 23 anos, a regra dificultou a organização dos eventos e não gerou o resultado esperado. “Você tem uma regra interna burocrática, são cerca de 30 dias para mandar um pedido ao chefe do departamento, à prefeitura e ao decanato. Muitas vezes, eles negam e não oferecem outro lugar e infraestrutura”, critica. O estudante argumenta que confraternizações de pequeno porte, como um sarau, uma recepção de calouros ou um cine-debate, podem ocorrer dentro das faculdades; mas reconhece que, quando o evento reúne entre 500 e mil pessoas, o local não é adequado. As alternativas são os estacionamentos ou o próprio CA. “A UnB só tem o Centro Comunitário, mas os centros acadêmicos só podem usá-lo uma vez por semestre, e a agenda está quase sempre cheia. São 60 CAs e os eventos costumam acontecer na quinta ou na sexta-feira, então, esse rodízio fica inviável.”


Garantir a autonomia dos centros é consenso entre os jovens. O integrante da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (Anel) e estudante de serviço social Luth Laporta, 20 anos, afirma que obrigar os CAs a pedirem autorização vai contra a independência da organização. Ele cobra da reitoria outras medidas preventivas, como melhoria na iluminação do câmpus e na segurança. “Os happy hours promovem a socialização dos alunos e são indispensáveis para os centros financeiramente. Roubo de carro, estupro e assaltos acontecem, e os seguranças contratados pela universidade são patrimoniais. É lógico que os CAs têm de se preocupar em manter o respeito à UnB, mas é errado proibir as festas, culpando os centros, sem enxergar a responsabilidade da administração”, ressalta.

Uma comissão, da qual o Diretório Central dos Estudantes (DCE) faz parte, está redescutindo a resolução aprovada no ano passado. “O grupo deve apresentar uma revisão das normas antes do fim do ano. Os dois pontos mais polêmicos são a quem atribuir a responsabilidade pelos eventos programados pelos estudantes e o uso de bebidas ilícitas no câmpus”, revela a professora Sônia Marise, da Diretoria da Diversidade da UnB.

 

Mais rigor

Confira as principais mudanças:

 

» Toda atividade que não faça parte da rotina administrativa e acadêmica (ensino, pesquisa e extensão) deve ser avisada à prefeitura e autorizada pelo Decanato de Assuntos Comunitários e diretores das unidades acadêmicas


» Eventos de pequeno porte não são autorizados a exceder o horário das 22h30, podendo se estender até o limite máximo de meia-noite, desde que previamente autorizado


» O uso de sonorização e consumo de bebidas alcoólicas somente serão permitidos nos dias de aula após o horário letivo
» As atividades de pequeno e médio porte não podem ser voltadas ao público em geral nem ter divulgação em meio de comunicação. É proibida a cobrança de ingresso; e o consumo de bebida alcoólica, em caráter excepcional, deve estar no pedido de autorização


» Antes e logo após o encerramento de eventos de médio e grande porte, deve ser feita vistoria

 

» O descumprimento enseja responsabilidade da entidade identificada como organizadora por qualquer dano ao patrimônio público, ficando ainda proibida de receber autorização para eventos que envolvam a venda ou consumo de bebidas alcoólicas até a reparação integral do dano

 

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