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USP leva estudantes para prestar atendimento em municípios carentes

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postado em 23/12/2013 14:05

Agência Brasil

Tânia Régo/Agência Brasil
Mais de 20 horas depois de sair, em quatro ônibus, de São Paulo, um grupo de 180 pessoas, entre profissionais e estudantes, chegou à cidade mineira cheio de entusiasmo para concluir o planejamento para dez dias de atuação na cidade. Às 3h da madrugada, eles viram que teriam apenas cinco horas de sono, pois às 8h, deveriam estar prontos para atender à população do município. Este é o ritmo da Bandeira Científica, projeto da Universidade de São Paulo (USP), que leva há 16 anos não só serviços de saúde a municípios pequenos, mas também planejamento específico para os gargalos existentes na região. O objetivo da Bandeira Científica é reforçar a formação dos estudantes e ajudar no desenvolvimento da saúde do município. Para tanto, eles recorrem até a brincadeiras e atividades teatrais. %u201CNa faculdade, eu nunca tinha lidado com pacientes desnutridos, mas, nessas expedições, tenho possibilidade de aprender mais sobre um problema tão grave no Brasil e de ajudar a quem não consegue atendimento no dia a dia%u201D, diz a estudante de nutrição Vanessa Sayuri. Para Thiago Donda, que está se formando em odontologia, o projeto é uma oportunidade de usar tudo o que aprendeu na faculdade para ajudar aos mais carentes. %u201CQuando vi a boquinha da primeira paciente da zona rural, me deu vontade de chorar. Precisei fazer quatro extrações%u201D, lembra, emocionado. Segundo o coordenador do projeto, Luiz Fernando Ferraz, trabalhar ao máximo com as ferramentas disponíveis é a grande lição da Bandeira Científica para ser dada tanto aos profissionais da cidade quanto aos estudantes. %u201CNo Hospital das Clínicas [onde atuam os estudantes de medicina da USP], se eles quiserem avaliar uma dor de cabeça, mandam para a tomografia. Aqui não há nada disso e é preciso ver se vale a pena o paciente esperar meses até conseguir o Tratamento Fora do Domicílio [programa que leva o paciente a outra cidade onde possa fazer o exame de que precisa]. Nem sempre isso é necessário e, muitas vezes, dá para resolver o problema sem o exame%u201D, destaca Ferraz. No período que passou em Pedra Azul, a equipe fez cerca de 600 atendimentos em todas as áreas de saúde, além de entregar 50 próteses dentárias e mais de 500 óculos aos moradores do município. A Bandeira Científica também visitou em casa doentes acamados, que não tinham como ir aos postos de atendimento. A dona de casa Sanita Dias, por exemplo, recebeu da equipe orientação para ajudar o filho de 24 anos, que tem paralisia cerebral. Os profissionais a ensinaram a fazer exercícios com o filho e também como levantá-lo sem forçar a coluna. Além de profissionais da saúde, o projeto inclui grupos de engenharia, para fazer planejamento na área de saneamento básico, de administração e de economia, para cursos de empreendedorismo. Eles ainda montam uma oficina para projetos e reforma de instrumentos usados para facilitar a vida de quem tem limitações físicas. %u201CÉ desafiador pegar o que aprendemos na faculdade e colocar na prática%u201D, afirma o estudante de engenharia mecânica Antônio Souza. %u201CDesenvolvemos uma estrutura para que um paciente da fisioterapia que não tem as pernas possa se apoiar na hora do banho com menos dificuldades%u201D, informa João Thuler, também estudante de engenharia mecânica. Este ano 130 estudantes e 50 profissionais ficaram entre os dias 11 e 21 deste mês em Pedra Azul, município mineiro com pouco mais de 24 mil habitantes, dos quais cerca de 3.500 recebem o Bolsa Família. Um dos critérios para escolha da cidade visitada pela Bandeira Científica é o compromisso dos gestores locais em dar continuidade ao trabalho e executar os projetos deixados pelos bandeirantes. Os custos do projeto podem chegar a R$ 400 mil por ano, com cerca de 80% dos recursos vindo de patrocínio de empresas da rede privada, que doam remédios, óculos, camisetas, dinheiro. O grupo farmacêutico Sanofi, por exemplo, além de recursos financeiros, envia anualmente dez empregados, que fazer o trabalho de apoio à expedição. Durante a estadia dos bandeirantes nos pequenos municípios, eles fazem também pesquisas temáticas, tanto para montar um planejamento local como também para fins acadêmicos. Em Pedra Azul, foram coletadas informações sobre o pré-natal das gestantes, sobre o HPV e a vacina contra a doença. %u201CSe observarmos que há um problema grave no atendimento às gestantes, trabalhamos em cima disso e orientamos a prefeitura a dar continuidade ao trabalho%u201D, explica Ferraz. Em 2006, a Bandeira Científica percebeu que, em Machadinho d'Oeste, Rondônia, havia uma grande demanda psiquiátrica, mas como, na época, o município não tinha o número mínimo de habitantes para conseguir a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) pelo Ministério da Saúde, a expedição fez um estudo sobre a situação local. %u201CFoi a primeira vez que vi os nossos psiquiatras não darem conta. Houve uma quantidade absurda de atendimentos, o dobro da demanda normal%u201D, relembra Ferraz. Percebendo tamanha demanda, a expedição fez mais uma pesquisa e entregou um relatório com o selo da USP para que a prefeitura pudesse solicitar novamente ao Ministério da Saúde a construção de um Caps. E, dessa vez, conseguiu.
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