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Enem acirra ingresso à UnB

Segundo especialistas, adesão da Universidade de Brasília ao Sistema de Seleção Unificada tornou mais difícil a tarefa de entrar na federal candanga. Estudantes têm até as 23h59 de hoje para indicar a opção de graduação que pretendem cursar

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postado em 10/01/2014 14:00 / atualizado em 10/01/2014 10:33

Ana Pompeu , Manoela Alcântara

Carlos Moura
A adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de acesso à Universidade de Brasília (UnB) dificultou a vida dos estudantes que pretendem entrar na federal brasiliense. A afirmação, da decana em exercício de Ensino e Graduação da instituição, Fátima Brandão, é evidenciada pelos dados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Balanço divulgado pelo Ministério da Educação, no fim da tarde de ontem, mostra que a UnB tem a segunda maior nota de corte em medicina, curso que está, tradicionalmente, entre os mais concorridos. Nos quatro dias de inscrição no Sisu, a média mínima de 819,45 pontos para o ingresso em medicina na instituição só é menor do que a da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de 822,9. No entanto, é mais difícil entrar na UnB nessa modalidade. A relação é de 135,10 candidatos por vaga, enquanto na federal carioca é de 92,29. As inscrições para o Sisu terminam hoje, às 23h59. O resultado da 1ª chamada sai em 13 de janeiro.

Em entrevista ao Correio, Fátima Brandão afirmou que a visibilidade da UnB em território nacional contribui para o aumento da concorrência. “Para os estudante daqui e do Entorno, de fato, a visibilidade traz, sem dúvida, maior concorrência. O ingresso já não é tão fácil, mas ele vai ter que se preparar ainda mais”, ressalta. “Em cursos de alta demanda, então, esperamos que a nota de corte cresça ainda mais, principalmente em medicina”, continua. Por isso, diz, é preciso ter uma estratégia para lidar com o Sisu. “O estudante deve monitorar a possibilidade que tem de ingresso no universo de instituições do sistema. Ao mesmo tempo, caso o estudante seja aprovado num curso que não é a prioridade dele, esse fato pode ser correlacionado a questões como a evasão escolar”, alerta.

Dalton Franco, sócio-diretor do Colégio Olimpo — instituição que pelo quarto ano consecutivo obteve a maior nota média no Enem em Brasília — também considera que a concorrência aumentará. “É um sistema aberto ao país todo. Se o candidato tem a chance de participar do processo de uma universidade bem qualificada, ele vai se inscrever”, afirma. Ao mesmo tempo, ele defende que o Sisu torna as universidades federais mais justas e democráticas. “Acredito que veio para melhorar as disparidades do país. Além disso, a alta concorrência sempre traz bons resultados. A UnB vai ter alunos do país todo, com notas elevadas”, analisa Franco.

A nota de corte é apenas uma referência e não assegura a classificação final no Sisu. Para o cálculo dela, o sistema considera a quantidade de vagas disponíveis e o número de inscritos no dia anterior. A última previsão será divulgada hoje. Como faltam apenas algumas horas para o fim do prazo de inscrições, os estudantes precisam chegar logo a uma decisão em relação às opções de curso e de instituição.

Até as 12h de ontem, o número de inscritos chegou a 2,18 milhões. Os dados ainda não estão fechados e podem variar, como aconteceu com o curso de nutrição na UnB, cuja nota de corte passou de 700,62 na quarta-feira para 713,88 ontem. Em outras graduações, mudanças mais bruscas aconteceram, como em engenharia civil na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde a nota de corte passou de 716,24 para 748,84 de um dia para o outro.

Orientações

Esta é a primeira vez que a UnB adota o Enem como forma de seleção. Assim, os candidatos da capital não têm parâmetro ou familiaridade com o Sisu. É com esse pensamento que o professor e diretor da rede Alub, Alexandre Crispi, faz orientações aos estudantes. “Para começar, os alunos daqui podem procurar o histórico de instituições de nível semelhante ao da UnB, como a UFRJ”, sugere.

A partir daí, a recomendação é pensar na própria posição no ranking. “No meu ponto de vista, é possível conseguir uma vaga estando até 50% além do número de vagas”, diz. Ou seja, se forem 30 vagas e o aluno estiver em 45° lugar, há esperanças de conseguir a aprovação. “Como no Sisu a concorrência é nacional, os chamados para aquele curso podem tê-lo como segunda opção e desistirem daquela vaga”, explica Crispi.

“Decisão antiga”
Há seis anos, Marcela Bomfim, 17, decidiu que seria médica. A escolha da profissão ocorreu depois de ver a tia sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e não conseguir atendimento na rede pública de saúde. “É uma decisão antiga. É o que eu quero”, garante a adolescente, hoje aos 17. Nesse caso, Marcela não tem outra opção de curso. Ainda assim, acompanha o site do Sisu diariamente. “Entro todos os dias e fico comparando as notas de corte, checando em quais cursos eu conseguiria entrar. Mas não adianta, eu quero cursar medicina”, enfatiza. Ainda assim, ela aprova o sistema. “Minha prioridade é Brasília, mas considero mudar de cidade caso consiga nota em alguma instituição conceituada e mais perto daqui”, explica.

Em todo o país, foram disponibilizadas, pelas 115 instituições, 171.401 vagas em 4.723 cursos. Para a UnB, são 1.986 oportunidades em 88 cursos.

 Lista do PAS sai às 19h
O resultado da 3ª etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS) será divulgado hoje, às 19h. A lista com o nome dos aprovados na Universidade de Brasília será fixada no Instituto Central de Ciências (ICC), no Teatro de Arena do câmpus Darcy Ribeiro e no site www.cespe.unb.br/pas. Os que desejarem consultar o resultado pessoalmente serão recebidos com uma festa organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), com apoio do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), no ICC Norte. O trote sujo, com ovos, farinha e tinta, será no Teatro de Arena. Nesta edição, 12.687 estudantes se inscreveram para concorrer a 2.110 vagas. Elas estão distribuídas em 97 cursos de graduação, nos quatro câmpus. Para o sistema de cotas, foram destinadas 556 vagas, e outras 1.554 ao Sistema Universal.
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