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Disputa alta para uma vaga na UnB

A concorrência para o curso de direito na Universidade de Brasília pelo Sistema de Seleção Unificada ficou entre as mais acirradas do país. Já medicina teve a 2ª maior nota de corte, perdendo para a UFRJ. Candidatos confirmam as dificuldades

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postado em 14/01/2014 10:43 / atualizado em 14/01/2014 10:47

Manoela Alcântara , Ana Pompeu

Marcelo Ferreira
O balanço das notas de todos os inscritos no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) mantém a Universidade de Brasília (UnB) com a segunda maior nota de corte do país em medicina. Os cadastrados para conquistar uma das 18 vagas do curso precisaram alcançar ao menos 819,45 pontos para passar. A menção só foi maior na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — 822,90. Ser aprovado em direito na instituição brasiliense também não foi fácil. A concorrência ficou em 104.88 candidatos por vaga, a 19ª maior do país. No total, 1.986 pessoas ingressarão na UnB por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (confira lista nas páginas 20 a 22).

Em todo o Brasil, 2.559.987 estudantes se inscreveram no Sisu. Para concluir o cadastro, o requisito mínimo era não zerar a redação do Enem, cuja nota é a base para a aprovação no sistema. A quantidade de inscrições chegou a 4.988.206, pois cada concorrente pôde fazer até duas opções de curso. Se comparado com 2013, o número de inscritos teve aumento de 31,28%, o que transforma o Sisu 2014 no maior desde a sua criação, em 2010.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou os resultados do sistema. “Pela primeira vez, o estudante pôde escolher mais de 4.723 cursos disponíveis em 115 instituições de ensino superior em todo o Brasil”, disse ontem, durante a divulgação dos aprovados no Sisu. Realidade impossível para quem prestou o vestibular da UnB no ano passado. “Como era antes? O aluno tinha que fazer a prova curso por curso, universidade por universidade. As possibilidades eram menores”, acrescentou Mercadante. Esta é a primeira vez que a UnB substitui o primeiro vestibular do ano pelo Enem. As seleções do fim do primeiro semestre e do Programa de Avaliação Seriada (PAS) estão mantidas.

A mudança, no entanto, não agradou tanto aos estudantes. “Acredito que a maioria encarou o Sisu como uma péssima notícia. A substituição foi muito ruim para o brasiliense. Começamos a concorrer não só com as pessoas dos cursinhos, mas também com as que moram fora de Brasília”, lamentou Arthur Disegna, 17 anos. Ele foi aprovado para medicina pelo PAS. Conseguiu ser um dos que entraram pelas 13 vagas para o sistema universal. No Enem, tirou 790. Nota excelente para qualquer curso. “Fiz as simulações. Entraria para direito, engenharia, mas não para medicina”, ressaltou.

Ele acredita que uma boa base do ensino médio o ajudou a ingressar na universidade. “Moro em Planaltina e acordava todos os dias às 5h para ir ao Sigma na Asa Sul. No Brasil, para ser aprovado em universidades públicas, ainda é preciso fazer bons colégios particulares”, destacou o rapaz.

O Enem disponibilizou 171.401 vagas. Na UnB, as oportunidades foram distribuídas em 88 cursos. Cada candidato teve a chance de se inscrever por meio três modalidades: pelo sistema de cotas sociais, definido pela Lei nº 12.711, de 2012; pela ampla concorrência; ou por outras ações afirmativas eventualmente adotadas pela universidade escolhida.

Comparativo

A disputa para as cotas sociais no país foi maior do que a ampla concorrência. Enquanto a relação de candidato por vaga entre as vagas universais ficou em 27,19, no sistema de reservas, esse número alcançou 31,76. Nas ações afirmativas, chegou a 30,35. Teresa Cristina Alves Duarte, 19 anos, passou para medicina na UnB pela ampla concorrência do Enem. Ela se surpreendeu ao saber que havia sido aprovada. “Eu estava dormindo. Meu pai olhou (o resultado) e me acordou. É uma sensação indescritível. Tirei um peso das costas”, comemora a futura universitária.

Ela concorda com Arthur ao ressaltar sobre a concorrência. “A competição pelo Enem estava muito complicada. A maioria das universidades oferece mais que o dobro de vagas e o curso da UnB é muito bem conceituado, está entre os 10 melhores do país. É natural que tenha atraído muita gente”, destacou.

A estudante tirou exatamente o valor da nota de corte do curso. Para Teresa, o Sisu foi mais difícil que os vestibulares tradicionais da UnB. “Acho o Enem uma prova mais fácil que a do Cespe (Centro de Seleção e Promoção de Eventos). Mas a abertura para candidatos de todo o país deixa a concorrência muito mais difícil”, compara. Agora, no entanto, ela quer descansar do tempo de cursinho no Olimpo. Quando as aulas começarem, vai trilhar o caminho para se tornar médica.

Adesão

Os números são válidos apenas se contabilizadas as notas de instituições que aderiram 100% ao Sisu ou mantêm avaliação seriada. No caso da UnB, 50% das vagas são para o Sisu e outros 50% para o PAS.

 

 

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