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Médica cubana está refugiada na Câmara

Profissional que supostamente atuava no Pará pede asilo e recebe abrigo em sala do DEM. Ela alega que a PF quer prendê-la por ter abandonado programa federal

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postado em 05/02/2014 18:49 / atualizado em 05/02/2014 18:54

Carlos Moura/CB/D.A Press
Uma semana depois de a presidente Dilma Rousseff visitar Cuba e agradecer ao presidente Raúl Castro a parceria no Mais Médicos, uma profissional do país caribenho, que afirma ter atuado no Pará pelo programa, fugiu do estado e pediu asilo político ao Brasil, alegando que não recebe o salário a que tinha direito. Ela fugiu para Brasília e procurou a liderança do DEM no início da tarde de ontem para pedir ajuda. A estrangeira foi abrigada na sala do partido na Câmara até que a situação seja resolvida. Segundo a médica, que passaria a noite no Congresso, a Polícia Federal grampeou o telefone dela e tenta prendê-la.

Ramona Matos Rodríguez, 51 anos, foi apresentada na noite de ontem, na sessão do plenário, pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Ele interrompeu a votação que ocorria para relatar o caso, mas foi impedido de continuar pelo presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). “Vossa Excelência não é mais líder, não é o momento, tem um tempo limitado para manifestação”, disse Alves, provocando bate-boca.

Caiado levou Ramona para a liderança do DEM, que, ao lado de deputados do partido, concedeu entrevista coletiva à imprensa. Ela relata que assinou contrato em Cuba, em setembro, com a promessa de receber mil dólares americanos por mês, cerca de R$ 2,5 mil — US$ 600 seriam depositados em uma conta em seu nome na ilha caribenha, e ela só teria acesso aos recursos quando voltasse. O correspondente a US$ 400 seriam pagos em reais a ela mensalmente no Brasil. A médica exibiu o contrato assinado com a Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A. em que estão especificados os valores. Além disso, ela tinha direito a R$ 750 para alimentação e um local para moradia, garantidos pela prefeitura de Pacajá (PA), onde teria trabalhado.

A cubana relata que, durante o curso de preparação para os profissionais do Mais Médicos, em outubro, em Brasília, soube que os colegas vindos de outros países receberiam salário entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. “Eu me senti enganada, muito mal, e fiquei pensando em como sair (do programa)”, contou. Segundo Ramona, no sábado pela manhã, ela conseguiu deixar Pacajá rumo a Brasília sem informar ao supervisor dos cubanos na cidade. “Só podíamos sair de lá, mesmo que para passear, com autorização dele”, diz a médica. Quando perguntada sobre como saiu sem ser percebida, ela respondia apenas “segredo de Estado”.

Ameaça
A médica afirma ainda que uma amiga que ficou na cidade paraense foi abordada pela Polícia Federal informando ter identificado uma ligação de Ramona para ela e avisando que a cubana seria presa. “Quando soube disso, eu decidi procurar o deputado Caiado e pedir ajuda”, comentou. “É uma situação grave, está explícito que há mão de obra análoga a trabalho escravo no programa Mais Médicos e o contrato não foi feito pela (Organização Pan-Americana da Saúde) Opas, como tinha dito o governo”, declarou Caiado.

O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), informou que, ainda hoje, a equipe jurídica do partido vai solicitar asilo político ao Brasil para a médica e cedeu o espaço da liderança para que Ramona se abrigasse até a situação ser resolvida. “Se ela sair daqui, pode ser deportada e, lá em Cuba, será presa”, alarmou-se. O presidente da Câmara informou, por meio de assessoria, que “não vai interferir no espaço do partido”. A Polícia Federal não se manifestou sobre o caso. Procurado, o Ministério da Saúde informou que não se pronunciaria sobre o caso ontem.


Dilma e o PMDB falam idiomas distintos

A presidente Dilma Rousseff e o PMDB continuam falando grego na negociação para a sequência da reforma ministerial. Ciente de que é preciso conciliar as mudanças nas pastas com a campanha à reeleição, Dilma sinalizou, durante a longa reunião de quase cinco horas com a cúpula partidária na última segunda-feira, que aceitaria ceder aos peemedebistas a Integração Nacional, desde que o nome indicado fosse o do líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE). Entretanto, o parlamentar não quer ser ministro — mas gostaria de fazer a indicação para a pasta. O problema é que o nome sugerido, do senador Vital do Rêgo (PB), não agrada a Dilma. Eunício é pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, mas está cada vez mais distante do PT no estado. Os petistas devem apoiar o nome a ser indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (Pros). (Paulo de Tarso Lyra e Grasielle Castro)
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