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Disparos assustam estudantes da UnB

Policiais civis reagem com tiros a tentativa de furto no câmpus. Investiga-se excesso na ação

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postado em 13/02/2014 10:17 / atualizado em 13/02/2014 10:20

Janine Moraes
Os alunos que estavam na biblioteca da Universidade de Brasília (UnB) ontem pela manhã, por volta das 11h, levaram um susto ao ouvirem tiros no câmpus. Eles se jogaram ao chão e correram em busca de um lugar seguro. De acordo com testemunhas, foram de quatro a cinco disparos. O tiroteio começou quando um assaltante foi flagrado por estudantes tentando furtar uma motocicleta no estacionamento. Os jovens gritaram: “Pega, ladrão”. Isso chamou a atenção dos criminosos e de dois policiais civis que estavam na área sem identificação. Ao perceber que havia sido notado, o suspeito desistiu do crime e entrou em um Astra preto. Durante a fuga, os agentes atiraram contra o carro. Ninguém ficou ferido.

A moto seria de um servidor da universidade. Segundo o estudante Antônio Carvalho, 24 anos, testemunha da cena, os tiros contra o veículo do bandido foram desnecessários, pois não tinham mais como alcançá-lo. Ainda de acordo com o aluno, a ação policial colocou em risco quem passava pelo local. A Polícia Civil divulgou outra versão. Alegou que o acusado acelerou contra os policiais, que revidaram com apenas um tiro. A placa do Astra era clonada, o que dificulta a investigação.

Até o fechamento desta edição, a Delegacia de Repressão a Furtos (DRF), à frente do caso, não havia identificado os suspeitos. Além de apurar a tentativa de furto, a unidade especializada ouvirá testemunhas e, caso seja constatado que os agentes cometeram excessos, o inquérito será encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil.

A estudante Luiza Aguileras, 23 anos, estudava na biblioteca no momento do crime e disse que todos ficaram apavorados. “Todo mundo se abaixou. Foram vários disparos. Fiquei preocupada porque o meu namorado estava do lado de fora”, contou. “Acho que ficamos mais assustados com os tiros e os policiais à paisana com arma na mão do que com o assalto.”

Aplicativo

O reitor da UnB, Ivan Camargo, esteve no local pouco mais de uma hora depois e se mostrou perplexo com a situação. “Escutei o barulho da minha sala”, afirmou. O coordenador de Segurança da instituição, Evanir Bispo, trabalha há 27 anos na UnB. “A universidade é segura. Não sei quando foi a última vez que vi isso aqui”, disse. Mais tarde, em nota, a direção da UnB afirmou que tomará atitudes para evitar novos crimes. “Para aumentar a segurança dos quatro câmpus, investimentos serão realizados na aquisição e no conserto de equipamentos de vigilância e na capacitação de servidores da área. A UnB conta ainda com o apoio permanente das forças policiais locais para garantir a tranquilidade indispensável para o desempenho de suas atividades.”

A nota ainda aponta a escalada da criminalidade na capital federal. “A plena integração física com a cidade é uma das marcas da Universidade de Brasília e precisa ser preservada. Como consequência dessa característica, a instituição também sofre com o crescimento dos índices de violência no Distrito Federal.”

Os alunos, no entanto, reclamam que assaltos são frequentes no câmpus da Asa Norte. “Andar por aqui à noite não é indicado. Conheço mais de uma pessoa que já foi furtada”, queixou-se a universitária Luiza Aguileras. Barulho de tiro, porém, ela nunca havia escutado. “Nós sabemos que roubos existem, mas algo de outra proporção, como aconteceu, é a primeira vez que vejo.”

A quantidade de crimes cometidos dentro da UnB levou os integrantes do Diretório Central Estudantil (DCE) a criarem, em 2012, um aplicativo colaborativo, no qual os estudantes pudessem indicar os locais e as circunstâncias de cada ocorrência. “O aplicativo foi muito útil, mas nos últimos meses conseguimos ter um bom diálogo com a polícia militar e a reitoria para garantir o policiamento dentro da universidade”, afirmou Pedro Ivo, ex-cordenador-geral do diretório.
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