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Refinado e delicado como suas obras

Glênio Bianchetti deixa um legado marcado por várias fases estéticas, mas sem deixar de ser humanista

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postado em 19/02/2014 14:00

Nahima Maciel

 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 12/4/12 ) 


Trabalhos do artista gaúcho, que veio para Brasília a convite de Darcy Ribeiro nos anos 1960 (Glenio Bianchetti/Divulgação) 
Trabalhos do artista gaúcho, que veio para Brasília a convite de Darcy Ribeiro nos anos 1960

 (Cristiano Sergio/FotoForum) 

 (Cristiano Sergio/FotoForum) 

 (Acervo/Caixa) 

 (Reprodução Internet) 


Várias fases marcam o legado de Glênio Bianchetti, mas todas elas estão coerentemente encadeadas. Não há laço frágil que abale nenhuma delas. “Desenvolvo a pintura como um experimento, pois entendo que uma fase passada sempre dá subsídio para outras que vêm a seguir. E, às vezes, tenho necessidade de voltar ao que já fiz”, explicou o artista, em entrevista ao Correio em 1999.

No Clube de Gravura de Bagé, o engajamento com temáticas sociais estava profundamente conectado com um olhar para a realidade brasileira. Os campos gaúchos apareciam nas gravuras de Glênio naquelas décadas de 1940 e 1950. A pintura veio em seguida e se consolidou em Porto Alegre.

Nos anos 1950, o modernismo de forte pegada social e o abstracionismo tiveram eco no Brasil, e Glênio encontrou diálogo com os dois. “Nos anos 1950, ele estava fazendo algo muito ligado à figuração expressionista. Já era um grande colorista”, diz a historiadora e crítica Marília Panitz.

Na década de 1970, o artista se debruça sobre litografias e serigrafias. O peso e a opacidade da pedra que serve de matriz se adequam como luva aos temas populares e à textura da pintura de Glênio. “É impressionante como ele mantém a linha de trabalho. A temática do artista tinha muito a ver com o que ele tinha em volta, que era a família, e o que ele via, o Brasil profundo”, destaca Marília. Nos anos 1980 e 1990, ele passa a experimentar materiais. Marília conta que alguns serviam, inclusive, de carimbos para as telas.

A mão de Glênio também está em diversos painéis de prédios públicos e privados de Brasília, mas é Bagé (RS) que abriga uma das obras públicas mais delicadas do artista. Em 2008, ele foi convidado pela prefeitura de Bagé para realizar uma via-sacra para a Capela Santa Teresa d’Avila, na vila de mesmo nome nos arredores da cidade. Os 14 passos de Cristo em direção à cruz são marcados pela solidão. “A via-sacra é uma história em quadrinhos sobre a vida de Cristo”, explicou.

Cinema

A produtividade e o vigor eram duas constantes na vida do artista. Os armários do ateliê sempre abrigaram um acervo enorme. De lá saíram as 70 pinturas selecionadas pelo cineasta gaúcho Henrique Freitas de Lima para a retrospectiva Grandes mestres: Glênio Bianchetti, realizada em Santa Maria (RS) em novembro de 2013. Foi a última exposição do artista, que recentemente trabalhava em quadros de grandes formatos. “Graças à estrutura familiar que ele desenvolveu, tenho certeza de que a obra dele será preservada”, diz Lima. “A geração dele viveu um momento de engajamento com o Brasil e com as coisas que são da nossa identidade.”

Há quatro anos, o artista gaúcho também foi tema do documentário Bianchetti, dirigido pelo cineasta Renato Barbieri para o DocTV.

No filme, é possível acompanhar o processo de criação do artista durante a realização de um quadro no ateliê. “Ele teve uma vida plena, íntegra, nunca vi a sombra de uma maldade nele. E tem uma obra excepcional”, diz Barbieri, que se encontrou com o pintor no domingo passado. No ateliê, o cineasta vislumbrou um quadro inacabado, com a figura de um homem e um cavalo.
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