Alunos e gestores discutem aproveitamento de créditos

Mais de 500 estudantes da UnB foram enviados para o exterior nos últimos dois anos. Previsão é de que o número de intercambistas dobre neste ano

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/02/2014 18:54 / atualizado em 24/02/2014 19:02

Agência UnB

Isabella Oliveira/UnB Agência
Alunos de diversos cursos de graduação que participaram de intercâmbio acadêmico no exterior se queixam de dificuldades para obter aproveitamento de créditos. Em busca de soluções para o problema, estudantes e representantes da Assessoria de Assunto Internacionais (INT), Decanato de Ensino de Graduação (DEG) e Secretaria de Administração Acadêmica (SAA) se reuníram em audiência pública no auditório da Engenharia Elétrica (FT), na tarde da última quinta-feira (20).

Davi Rodrigues Brito, (23), aluno do 10º semestre do curso de Direito, passou seis meses na Universidade Carlos III, de Madri, e espera que pelo menos uma das cinco matérias cursadas na Espanha seja aproveitada neste semestre. “Não tinha expectativa quanto a isso quando embarquei, porque sei que o aproveitamento de créditos é bastante complicado”, diz. Davi viajou por meio de um dos convênios bilaterais mantidos pela universidade com outras instituições de ensino mundo afora.

A estudante de Biologia Sâmia Gomes da Silva reclama da falta de agilidade do atendimento na própria universidade. “Desisti por causa da demora, mesmo com todos os documentos em mãos. Vim à reunião para sugerir melhorias que ajudem os próximos participantes”, explica. Sâmia foi selecionada para participar do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) em 2012 e retornou no ano passado, após um ano de estudos na França.

O coordenador-geral do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Nicolas Powidayko, acredita que um sistema mais eficiente de aproveitamento de créditos pode melhorar a qualidade da experiência acadêmica dos estudantes no exterior.

“Muitas vezes, o aluno deixa de cursar uma disciplina com professores de destaque, pensando apenas em uma possível revalidação”, diz. “Saber o que vai cursar quando chegar lá fora e que a matéria será aproveitada traz ganhos tanto para o aluno quanto para a universidade em termos de aprendizagem e inovação”, defende Nicolas.
Isabella Oliveira/UnB Agência

SOLUÇÕES
A professora Ana Flávia Barros, da Assessoria de Assuntos Internacionais, reconhece o problema, que tem se tornado mais evidente com o aumento do número de alunos intercambistas. “A previsão do governo federal é preencher, em quatro anos, cem mil vagas”, diz, em referência ao CsF.

Até o momento, são 275 egressos. Para este ano, a previsão é que mais de mil alunos estudem no exterior. Cerca de 900 aguardam apenas a aprovação das instituições estrangeiras para viajarem, mas 257 selecionados já estão prontos para embarcar. Todos pelo programa federal implantado na UnB em 2011. Via convênios diretos, 244 estudantes estiveram nos três continentes em 2012, segundo dados da INT.  

Para Barros, é preciso desenvolver ações de curto e médio prazos e tornar o processo de aproveitamento mais ágil. “São vários cursos com diferentes características e casar perfeitamente as disciplinas é a grande dificuldade”, diz.

O coordenador do CsF na UnB, professor Marcelo Rezende, defende mais flexibilidade por parte dos coordenadores de curso na hora de aproveitar os créditos.

Já para o secretário-adjunto da SAA, Júlio Goulart, é preciso atualizar resoluções internas da UnB para que a instituição possa se ajustar à nova realidade. “A maioria das instituições federais de ensino no Brasil passa pelo mesmo problema. O CsF é um programa de governo, não de Estado. Não fomos consultados durante a elaboração e implantação do programa, por isso o desajuste”, avalia.
Tags: