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Pesquisa da Faculdade de Medicina traz novas informações sobre a tuberculos

Análise de enzima que compõe a bactéria causadora da doença pode subsidiar produção de medicamentos e vacinas contra a maior causa de morte por infecção no mundo

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postado em 27/02/2014 18:43 / atualizado em 27/02/2014 18:55

Agência UnB

Marcelo Jatobá/UnB Agência
O estudo denominado Caracterização bioquímica, dinâmica, molecular e propriedades imunomoduladoras da prolil oligopeptidase pode intimidar pelo nome. Mas a pesquisa, resultado do trabalho de cinco anos da farmacêutica Brina Portugal, avança na compreensão do germe Mycobacterium tuberculosis, responsável pela disseminação de uma das doenças mais antigas da humanidade: a tuberculose. A tese de doutorado foi defendida no Programa de Pós-gradução em Patologia Molecular, da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília.

O trabalho identificou e determinou as propriedades biológicas e físico-químicas da proteína prolil oligopeptidase (POP), presente na Mycobacterium tuberculosis. A escolha da enzima para análise, de acordo com o orientador do projeto, professor Jaime Martins de Santana, foi motivada por estudos anteriores realizados na própria universidade. A POP se mostrou uma proteína importante na disseminação de doenças como a de Chagas e resultou no desenvolvimento de um inibidor que inativa a proteína e impede a atuação do parasita no organismo.

Os pesquisadores agora querem descobrir qual o papel da POP no desenvolvimento da bactéria da tuberculose. “Essa tese foi o primeiro estudo microbiológico da POP da microbactéria da tuberculose na UnB”, revela a pesquisadora da Faculdade UnB Ceilândia Flávia Nader Motta, co-orientadora do trabalho. “Talvez essa proteína esteja relacionada com a patogênese da microbactéria da tuberculose”, sugere Flávia.

O que já se sabe é que os resultados do trabalho abrem possibilidades para novos estudos. “Em testes funcionais preliminares, foi observado que a proteína recombinante [produzida artificialmente a partir de genes clonados da POP] poderia contribuir para a imunopatologia da tuberculose [pesquisas voltadas ao desenvolvimento de vacinas capazes de produzir uma resposta de defesa no organismo contra a POP]”, conta Brina. “Porém, há necessidade de mais experimentos para definir o papel dessa proteína na doença”, avalia a pesquisadora.

A DOENÇA
Atualmente a tuberculose, doença transmitida pelo ar, é responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), que revela ainda que a tuberculose é a principal causa de morte por infecção no mundo. Estima-se que a doença, apesar de ter cura desde 1944, cause a morte de 35 milhões de pessoas até 2020.

Apesar de altos, os índices de casos vêm diminuindo no país. Em 1990, foram registrados 51 eventos da doença a cada 100 mil habitantes. Já em 2012, houve uma queda de 30,9% no número de registros, com a confirmação de apenas 35,8% casos. “No Brasil, temos 80 mil casos de tuberculose”, conta o pneumologista Ricardo Luiz de Melo Martins, do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ele revela ainda que a vacina utilizada para imunizar a população, a BCG, não protege totalmente da doença. “Se surgir uma vacina mais eficiente, talvez a gente consiga resultados mais satisfatórios. Essa é a nossa esperança”, diz o médico.

Também há expectativas para a descoberta de novos medicamentos para o combate da doença. Isso porque, de acordo com o pneumologista do HUB, um dos desafios para a erradicação da enfermidade é o abandono do tratamento. O mau uso dos antibióticos disponíveis tem deixado a bactéria da tuberculose mais resistente. “Os fármacos que temos hoje em dia não conseguem combater a doença”, revela a pesquisadora Flávia Motta.
Ana Rita Grilo/UnB Agência

Além disso, saneamento básico, hábitos de higiene e qualidade de vida, condições de habitação e alimentação também fazem da tuberculose a quarta causa de morte no Brasil. “É um grande desafio da humanidade. A pobreza de grande parte dos países, a forma de construir as cidades, a falta de habitações dotadas de esgoto, água encanada, contribui com a proliferação do bacilo”, lamenta Ricardo.

Para o desenvolvimento do estudo foi necessário o apoio do Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN-DF), que cultivou a cepa da bactéria causadora da tuberculose e a disponibilizou para análise. Os experimentos foram realizados nos Laboratórios de Interação Patógeno-Hospedeiro do Instituto de Biologia (IB) da UnB e no Laboratório de Imunopatologia das Doenças Infecciosas do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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