SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

UnB.Futuro retoma atividades

Desafios e oportunidades para as Ciências Sociais marcam primeira sessão da comissão em 2014

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 14/03/2014 17:05

Agência UnB

Emília Silberstein/UnB Agência
Os desafios e as oportunidades para as Ciências Sociais com as mudanças ocorridas nos últimos 60 anos foram o tema abordado pelo sociólogo francês Michel Wieviorka na abertura dos trabalhos de 2014 da Comissão UnB.Futuro. O evento, realizado na tarde desta quarta-feira, 13 de março, foi uma parceria da UnB.Futuro com o Centro de Pesquisa e Pós-Graduação sobre as Américas da UnB (CEPPAC) e também marcou a aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Sociologia.

Michel  Wieviorka ocupa o cargo de Diretor da Fondation Maison des Sciences de l´Homme (FMSH) na França. Segundo a apresentação da Professora Maria Stela Grossi Porto, do Departamento de Sociologia, Wieviorka é “estudioso e profundo conhecedor de fenômenos como violência, conflitualidade, terrorismo, antissemitismo, diferença, diversidade e migrações” e possui reputação internacional por seu trabalho nessas áreas de pesquisa.

Além disso, o pesquisador é o único representante das Ciências Sociais no Conseil Scientifique de l’ European Research Concil (ECR) e é criador e diretor da revista Socio, cujo primeiro número, segundo Stela Porto, “contém um precioso ‘Manifesto para as Ciências Sociais’, escrito em conjunto com Craig Calhoun, abordando precisamente questões da atualidade e do futuro das Ciências Sociais, aí compreendidos limites e possibilidades”.

Para Rebecca Lemos  Igreja, professora do CEPPAC, a presença de Michel Wieviorka no Brasil, e principalmente em debates na UnB, representa grande importância para os estudos realizados no âmbito da universidade, já que traz um aspecto comparativo entre pesquisas realizadas na Europa e na América Latina.

A professora afirma com base no discurso de Wieviorka que há ainda entre os países europeus, uma resistência a pesquisas realizadas a partir de outros pontos de vista distintos àqueles tradicionais. Por isso, o intercâmbio de experiências entre as pesquisas em Ciências Sociais realizadas internacionalmente pode contribuir para o desenvolvimento do campo.

Michel Wieviorka enfatizou que a partir da metade do século passado, com a ruptura de uma perspectiva norte-americana generalizada das Ciências Sociais, essa área de pesquisa tem se transformado de maneira intensa. Segundo o pesquisador, “não é mais possível afirmar que as Ciências Sociais são apenas europeias ou ocidentais”, pois há um acesso crescente da população mundial a outras perspectivas, como aquelas advindas dos países asiáticos, por exemplo. Por isso, segundo ele, temos que pensar o mundo de uma forma mais relativizada e com isso é preciso repensar o universalismo nas Ciências Sociais, levando em conta novos métodos de pesquisa, principalmente em relação às tecnologias de informação e comunicação.

Para Wieviorka, um dos grandes desafios atuais dos pesquisadores das Ciências Sociais é compreender o mundo de forma global, mas ao mesmo tempo levar em conta a individualidade dos sujeitos.: “Se queremos enfrentar este mundo cada vez mais global, devemos partir de cada indivíduo, das ações de cada pessoa. [...] As identidades coletivas só podem ser reconhecidas quando sabemos que há sujeitos individuais se unindo a essas identidades”. Isso porque, na visão dele, os sujeitos se inserem numa identidade coletiva por meio de escolhas individuais.
Emília Silberstein/UnB Agência

Wieviorka apresentou propostas para os pesquisadores contemporâneos. Uma delas seria atuar de maneira cada vez mais pluridisciplinar, aliando e articulando conhecimentos de diferentes áreas nas investigações. Outra alternativa seria reagir a um relativismo em que há a ideia de que cada um no seu campo possui a verdade, sem se preocupar com o que as outras áreas desenvolvem.

Uma maneira alternativa de pensar e pesquisar exige o desenvolvimento de métodos que se adaptem a essa nova realidade. Nesse sentido, o palestrante discorreu sobre aspectos relacionados às mudanças advindas da utilização do mundo digital e da inserção de tecnologias de informação. Segundo o Wieviorka, hoje, com o crescimento da internet, os pesquisadores possuem muito mais recursos para complementar seus objetos de estudo. O professor citou como exemplo os Big Data, que são ferramentas que permitem o armazenamento de dados pessoais dos usuários da internet, possibilitando, por exemplo, que empresas possam descobrir interesses específicos de seus clientes e direcionar seus produtos de acordo com esses interesses.

Para o sociólogo, essas ferramentas trazem aos pesquisadores, ao mesmo tempo, problemas relevantes e grandes oportunidades. O problema seria o fato de que as companhias podem utilizar acesso de maneira desigual, e isso gera desafios políticos científicos frente ao perigo de monopólio por parte dessas empresas. As oportunidades estariam ligadas à questão de que os pesquisadores, principalmente aqueles ligados ao campo das Ciências Sociais, podem utilizar esses mecanismos de forma a contribuir com suas investigações. Wieviorka concluiu dizendo que “podemos criticar muito a utilização que tem sido feita das novas tecnologias, mas a universidade e as pesquisas também podem se beneficiar muito dessas ferramentas”.
A próxima sessão da Comissão UnB.Futuro está programada para 25/3 às 10 horas no Auditório da Faculdade de Comunicação. O professor Andrew Feenberg (Simon Franser University) vai participar de debate intitulado As Tecnologias da Comunicação e da Informação e a Universidade do Futuro.

Mais informações em: www.unbfuturo.unb.br
Tags:

publicidade

publicidade