SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

SEGURANçA »

PM na UnB divide estudantes

Nos últimos dias, casos graves, como sequestro e tiroteio, assustaram a comunidade universitária. A partir de agora, a Polícia Militar fará o patrulhamento em pontos considerados mais vulneráveis do câmpus da Asa Norte. Medida causa divergência

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/04/2014 12:13 / atualizado em 01/04/2014 12:20

Roberta Pinheiro

Antonio Cunha

Enquanto os alunos da Universidade de Brasília (UnB) chegavam ontem para o início de mais uma semana de aula, por volta das 7h, dois furtos ocorreram no Departamento de Arquitetura. Uma mochila e um notebook foram levados. Na semana passada, a estudante de computação Maysa Meirelles Casella, 25 anos, foi abordada por três homens quando deixava o Instituto Central de Ciências (ICC) Norte, no início da noite. Ela acabou sequestrada. No começo do mês, uma tentativa de assalto terminou em tiroteio em frente à Biblioteca Central. Em 2013, a cada dia, foram quase três ocorrências somente no câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Para reduzir o índice, a Polícia Militar e o Departamento de Trânsito (Detran) deram início à segunda edição da Operação Ethos, na manhã de ontem. Sem prazo para terminar, a ação divide a comunidade acadêmica.

A primeira edição da Ethos ocorreu em outubro do ano passado, após uma reunião da administração da universidade com representantes do Diretório Central Acadêmico (DCE), o secretário de Segurança, Sandro Avelar, e comandantes da PM. Agora, 58 policiais militares em 15 viaturas farão o patrulhamento em pontos estratégicos do câmpus da Asa Norte, por onde circulam diariamente 50 mil pessoas e 18 mil veículos. Em um desses locais, no começo de março, bandidos que tentaram roubar uma motocicleta no câmpus trocaram tiros com a polícia. Ninguém ficou ferido.

A estudante de administração Mariana Gomes, 18 anos, concorda com a medida. No entanto, ela faz uma ressalva. “O câmpus é grande e a gente precisa de um efetivo reforçado. Meu único receio é de eles (policiais) sumirem depois que a mídia parar de falar a respeito”, diz. Ela ressalta que não circula sozinha pela universidade, principalmente à noite. O aluno de engenharia ambiental Raniery Carvalho, 20 anos, conta que foi almoçar com o primo, no ano passado e, quando chegou a um dos estacionamentos do câmpus Darcy Ribeiro, às 11h, as duas rodas do carro em que eles estavam tinham sido furtadas. “Não entendo por que alguns são contra a presença dos policiais. Essa ideia de polícia opressora é um discurso antigo”, defende.

Apesar de a prefeitura e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) apontarem o consentimento como majoritário, alguns integrantes da comunidade acadêmica discordam do acompanhamento diário da PM. É o caso do estudante de serviço social Hyago Brayhan, 21. “Cinquenta anos após o golpe da ditadura militar, ver a universidade cheia de PMs e com helicóptero fazendo ronda é um total contrasenso. Como gay, não me sinto seguro com a presença da polícia, que já demonstrou não ter preparo algum para lidar com LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros)”, afirma.

Na opinião de Hyago, o problema na UnB é um reflexo da crise na segurança pública que atinge o DF. “A presença da PM no câmpus é antiga e nunca resolveu o problema. Pelo contrário, a sensação de insegurança só aumenta. É preciso investir em iluminação e na contratação de mais seguranças mulheres, com treinamento em direitos humanos”, opina.

O prefeito da universidade, Marco Aurélio Gonçalves, afirma que, nos próximos 60 a 80 dias, a depender do processo licitatório, uma nova empresa de segurança não armada estará presente em todos os câmpus. “No ano passado, redesenhamos toda a parte de segurança da universidade, e o projeto foi transformado em edital. Agora, aguardamos o fim da licitação”, explica. Com relação a iluminação pública, Marco Aurélio Gonçalves afirma que o câmpus recuperou o que existia, e a UnB se prepara para a compra de postes e luminárias.

Mapa das ocorrências

Diante da quantidade de queixas sobre a falta segurança na universidade, os integrantes do DCE criaram um aplicativo colaborativo, no qual os estudantes podem indicar os locais e as circunstâncias de cada ocorrência. Hoje, após o início da segunda fase da Operação Ethos, o ex-presidente do diretório Nicolas Powidayako avalia de maneira positiva o desenrolar da situação. “Estamos colhendo os frutos de um longo trabalho. Conscientizar a população e mudar a mentalidade vigente não acontece da noite para o dia.”

Povo fala

Você é contra ou a favor do patrulhamento no câmpus?

Abayomi Mandela,
28 anos, mestrando em desenvolvimento sustentável
 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

“Sou contra. Acho que quem defende a presença dos policiais no câmpus está mais preocupado com o patrimônio e a propriedade que com as pessoas.”


Marina Weber de Alencar,
22 anos,
aluna de turismo
 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

“Sou contra porque acho que universidade é um lugar muito amplo para policiamento. Também não concordo porque acredito que o treinamento que
(os policiais) recebem é arcaico.”

Arthur Espindola,
18 anos, estudante de física
 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

“Sou a favor porque segurança nunca é demais. Aqui é muito isolado e espaçado, com lugares escuros. A presença dos PMs dá uma sensação de segurança e afasta as pessoas de má índole.”


Camila Jéssica Letti,
26 anos, doutoranda em física
 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 


“Sou a favor.
Isso deveria acontecer o ano todo e não só no caso de uma operação. Onde tem gente, tem que ter polícia. Também acho que a UnB poderia ajudar iluminando alguns pontos.”

Tags:

publicidade

publicidade