Do Colégio Militar para o mundo

Excelência no ensino garante a alunos de escola brasiliense aprovação em instituições de renome no exterior

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postado em 03/04/2014 12:06 / atualizado em 04/04/2014 10:38

Ana Paula Lisboa

Breno Fortes

A aprovação de Eduardo Miranda Cesar, 18 anos, nas universidades norte-americanas Harvard, Yale, Princeton, Pensilvânia, Brown, Northwestern e Chicago, além das brasileiras Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo e Universidade Federal do Rio de Janeiro, não é surpresa para professores e alunos do Colégio Militar de Brasília (CMB). A escola mantém uma tradição de enviar pupilos para o exterior. As conquistas de Eduardo se somam às de, pelo menos, outros 15 estudantes da instituição. O jovem, que terminou o ensino médio no ano passado, conquistou impressionantes 2.250 pontos de um total de 2.400 no SAT (Scholastic Assessment Test), prova para admissão na maioria das universidades dos Estados Unidos. Na segunda fase da disputa, ele gabaritou três — matemática avançada, física e química — das quatro disciplinas em que foi testado. Em espanhol, ele não alcançou a nota máxima (800 pontos), mas não deixou de impressionar com 790 pontos.

O bom resultado no teste, somado a atividades extraclasses do CMB, como clube de filosofia, jornal de inglês e participação em simulações das Nações Unidas e em olimpíadas de física, química e matemática, trouxe a aprovação em não apenas uma, mas em sete universidades estrangeiras de qualidade reconhecida. Ele acredita que o Colégio Militar foi responsável pelo sucesso. “Eu admiro muito o meu colégio, que foi mais do que suficiente para a minha aprovação. É uma escola pública modelo, que nos mostra o caminho das pedras de um modo diferenciado”, conta. Agora, ele se prepara para enfrentar a saudade da família e dos amigos. Da namorada, Larissa Guimarães, 17 anos, pelo menos, ele não vai ter que se distanciar muito. Ela também vai estudar nos EUA, na Universidade Columbia, em Nova York. A distância entre Cambridge, onde Eduardo mais quer estudar, e Nova York é de cerca de 200km.

A pontuação de Larissa no SAT também foi alta. Na primeira fase, ela conseguiu 2.100 pontos de 2.400. A garota acredita que o teste é tão difícil quantos os vestibulares daqui. “É uma prova diferente, mas é mais fácil do que a seleção para a UnB, por exemplo. O nível de cobrança é mais parecido com o do Enem”, compara. Para a jovem, o jeito de ensinar do CMB forma alunos com outro perfil. “As escolas brasileiras são muito focadas no vestibular. No Colégio Militar, não deixam de ensinar algo só porque não cai no vestibular. Isso deixa um legado único, que não se foca em apenas uma seleção e abre o olhar dos alunos para outras possibilidades”, conta.

Margareth Miranda, mãe de Eduardo, admite ainda não estar preparada para aguentar a distância do filho e da nora, mas está orgulhosa das conquistas e sabe que a escola fez diferença. “Eu tinha uma visão errada sobre o Colégio Militar: achava que quem entrasse aqui ficaria bitolado. Por isso, fui contra a vontade dele de fazer a seleção aos 10 anos. A escola me surpreendeu demais.”

A dedicação dos professores e a disciplina militar são fatores ressaltados pelo coronel Bandeira, assessor pedagógico da instituição. “Uma característica muito forte da escola é o estímulo à competição. Levamos o aluno a superar os próprios limites. As simulações das Nações Unidas têm contribuído muito para o êxito de nossos estudantes em universidades estrangeiras. Incentivamos os alunos a serem organizados e sistemáticos”, diz.

Bem cotada

A escola, localizada na 902 Norte e projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, tem mais de 3 mil alunos, dos quais 87% são filhos de militares. Os outros 13% foram aprovados em concurso para ingresso no 6º ano do ensino fundamental ou na 1ª série do ensino médio. Os indicadores de excelência da instituição de ensino pública, fundada em 1978 e mantida pelo Ministério da Defesa, são visíveis a cada ano por meio de conquistas como a aprovações de alunos em vestibulares e o sucesso no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — na edição de 2012, cujo resultado foi publicado em 2013, o CMB obteve nota média de 610 pontos, ficou em 1º lugar no ranking das escolas públicas do Distrito Federal e em 11ª colocação entre as particulares. Apesar de ser público, o Colégio Militar de Brasília cobra uma cota mensal de R$ 140, que é dispensada para alunos de classe baixa.

Receita de sucesso

Confira quem são os jovens aprovados em instituições estrangeiras para cursar o ensino superior ou concluir o ensino médio


Eduardo Miranda Cesar,

18 anos, terminou o ensino médio em 2013 no CMB. Selecionado por sete universidades norte-americanas, entre elas Harvard, Yale e Princeton.


“Vários alunos do colégio foram estudar fora, o que me motivou a tentar também”, lembra Eduardo, que nasceu em Vitória, mas cresceu em Brasília. A chance de participar de simulações como o Modelo Intercolegial das Nações Unidas (Mini ONU), e a simulação das Nações Unidas de Harvard, por duas vezes, foi uma motivação extra. “Tudo isso abriu os meus horizontes. No ensino médio, decidi que não queria ficar aqui”, conta. Eduardo passou ainda nos vestibulares da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade de São Paulo. Aceito em sete instituições renomadas nos EUA, ele espera propostas de bolsa de estudos para se decidir. A oferta de Harvard deve chegar na próxima semana.


Larissa Guimarães,

17 anos, concluiu o ensino médio no CMB, cursa o 2º semestre de jornalismo na Universidade de Brasília. Aprovada na Universidade Columbia (EUA).

Desde a 1ª série do ensino médio, a estudante sabia muito bem o que e onde queria estudar. “O meu sonho sempre foi estudar jornalismo e eu queria fazer na melhor do mundo, o primeiro curso, fundado pelo Pulitzer, que fica na Universidade Columbia”, conta. No exterior, Larissa pretende aprofundar os conhecimentos em economia e em artes visuais. “No meio da 3ª série do ensino médio, passei na UnB. Eu não esperava muito da universidade pública brasileira, mas tive belas surpresas e encontrei professores que incentivaram o meu sonho de ir para Columbia. Foi importante ter essa experiência”, garante. Até o momento, ela recebeu proposta de bolsa de 70%.

João Guilherme Nobrega de Castro,

17 anos, cursa a 3ª série do ensino médio no CMB. Selecionado pelas universidades Miami e Temple.

Nascido em Natal e criado em Brasília, João Guilherme Nobrega de Castro, 17 anos, estuda no Colégio Militar de Brasília desde o 6º ano do ensino fundamental, quando foi aprovado no concurso da instituição. Ao contrário do restante dos colegas, ele não vai participar da cerimônia de formatura no fim do ano. Em fevereiro, o estudante recebeu cartas de aceitação para a Universidade Miami, em Ohio, e para a Universidade Temple, na Philadelphia. As aulas começam em agosto, e a instituição escolhida foi a Universidade Miami. A bolsa de US$ 12 mil anuais deve cobrir cerca de 40% das despesas de João Guilherme no exterior. Um ponto positivo para a aprovação foi o portfólio de projetos arquitetônicos. “A minha mãe é arquiteta e, com ela, aprendi muita coisa. Foi assim que demonstrei a minha aptidão pela área”, relata.

Iman Mussa,

16 anos, cursa a 2ª série do ensino médio no CMB. Aprovada para o United World College Red Cross Nordic, na Noruega.


Filha de palestinos, Iman Mussa, 16 anos, está preparando as malas para morar em Flekke, na Noruega, onde vai terminar o ensino médio. Para ser aceita na unidade norueguesa do United World College, que tem 14 escolas espalhadas pelo mundo, ela passou por prova, entrevista e um processo vivencial. A bolsa que Iman ganhou cobrirá 90% dos custos. Participar do clube de filosofia e de eventos como a Simulação das Nações Unidas para Secundaristas (Sinus) tornaram o currículo de Imam mais vistoso. Ser engajada em trabalho social também foi importante. “Leio para cegos na Biblioteca Braile de Taguatinga como voluntária. Isso conta muito porque um dos objetivos do colégio é selecionar pessoas com interesse de construir uma sociedade melhor”, relata.

Fabio Soares,

17 anos, cursou até o meio da 2ª série do ensino médio no CMB. Estuda no United World College South East Asia, em Cingapura

Assim como Iman, Fabio Soares, 17 anos, também foi selecionado pelo UWC. Há nove meses, ele cursa o ensino médio no United World College South East Asia e está muito satisfeito com a experiência. Morar na cidade de Cingapura e estudar numa escola que integra o ranking das 10 mais caras do mundo não seria acessível para a família do jovem, natural de Planaltina (DF). As portas foram abertas quando o ex-aluno do Colégio Militar de Brasília conseguiu uma bolsa integral. Apesar de se candidatar para o processo seletivo, o jovem não acreditava ter chance de ser aprovado. “Não sei ao certo o que me ajudou a passar no processo seletivo. Havia tantas pessoas incríveis concorrendo que eu considerava inexistente a chance de ser selecionado”, lembra. Fabio pensa em seguir a carreira política para melhorar o Brasil. Depois de sair da escola, ele deseja se candidatar para as mais conhecidas dos Estados Unidos, Yale, Brown e Harvard.

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