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Grupo de estudantes depreda sede do DCE após votação sobre cotas raciais

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postado em 03/04/2014 18:08 / atualizado em 03/04/2014 18:49

Lucas Vidigal/Esp. CB/DA Press
Após a reunião que definiu a redução da reserva de vagas para negros na UnB de 20% para 5%, alguns estudantes deixaram o auditório da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) e seguiram para a sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), onde picharam as paredes. Uma das pichações trazia a frase: "Racistas contra as cotas não passarão".

Eles criticam os integrantes da Aliança pela Liberdade, que fizeram parte do último DCE - o processo de eleição de uma nova chapa já começou e atualmente o diretório não tem representantes. A Aliança tem três cadeiras de representantes discentes no conselho e eles votaram contra a manutenção do sistema de cotas raciais na UnB e adoção apenas das cotas sociais, definidas em lei federal. Segundo Pedro Ivo, ex-coordenador-geral do DCE, o grupo votou dessa forma baseado em uma enquete feita por meio do site Democracia 2.0 entre os estudantes da instituição. No total, 636 votaram, 70% pela manutenação apenas das cotas federais; 16% pela manutenção das cotas raciais como estão hoje; 14% pela redução da reserva para 5%.

Na tarde desta quinta-feira (3/4), o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade votou pela manutenção do sistema de cotas raciais da UnB e o percentual de reserva de vagas para negros cairá de 20% para 5%. A votação foi feita em duas partes, na primeira, 32 conselheiros votaram pela manutenção do sistema e 7 contra. Na segunda, 27 optaram pela redução da reserva para 5% e 11 votaram pela manutenção dos 20%. A decisão valerá no próximo vestibular, que ocorre no meio do ano.

A redução do percentual de reserva para 5% foi sugerida pela comissão criada para avaliar o sistema de cotas raciais da universidade após 10 anos de implantação. Além das cotas raciais, a instituição também adota o percentual de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas, conforme define lei federal publicada em 2012. A norma inclui a reserva de vagas para candidatos negros e foi um dos principais motivadores da decisão de reduzir o percentual que já era oferecido pela UnB.

Foram mantidas ainda 10 vagas por semestre para candidatos indígenas, totalizando 20 por ano. Após a deliberação, alguns dos presentes protestaram e chamaram de racistas os conselheiros que votaram contra a manutenção do sistema de cotas raciais. Também houve gritos de "DCE racista".

Colaboraram Manoela Alcântara e Mariana Niederauer

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