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UnB.Futuro debate novas fronteiras da tecnologia

Professor venezuelano José Luis Cordeiro falou sobre as inovações esperadas para os próximos anos em encontro na última terça-feira

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postado em 04/04/2014 19:05

Agência UnB

Isa Lima/UnB Agência
A quarta sessão da Comissão UnB.Futuro de 2014, ocorrida na última terça-feira, (1º), recebeu o futurista e prospectivista venezuelano José Luis Cordeiro. Fundador da Singularity University e diretor pela Venezuela do Millenium Project, o professor falou das inovações tecnológicas que são esperadas para os próximos anos e ressaltou as pesquisas que têm sido feitas no sentido de atingirmos um contexto de singularidade, no qual os circuitos eletrônicos serão capazes de superar as capacidades do cérebro humano.

Antes do início da palestra, o reitor da UnB, Ivan Camargo, ressaltou a relevância dos debates realizados durante as sessões da Comissão. Segundo Camargo, “uma das funções boas do cargo de reitor é poder participar das reuniões da UnB.Futuro. Além das palestras, temos o privilégio de contar com um público qualificado”.

O professor Marcos Formiga, integrante do Núcleo de Estudos do Futuro (n-Futuros) e da Assessoria Internacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ressaltou que a visita de José Luis Cordeiro é reflexo da internacionalização cada vez mais intensa da UnB. Para Formiga, esse tipo de ação é importante porque precisamos aprender e intercambiar conhecimento com universidades de outros países.

Marcos Formiga apresentou o currículo de José Luis Cordeiro, destacando o caráter internacional do palestrante, que é venezuelano e construiu sua formação acadêmica em diversos países. Dentre eles, Estados Unidos e França.

José Luis Cordeiro é fundador da Singularity University, universidade localizada na região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, mantida pela NASA e pela Google. Segundo Cordeiro, a Singularity University não atua nos moldes das universidades tradicionais, já que funciona mais como uma incubadora de projetos que desenvolvem novas tecnologias para serem aplicadas na prática.

As pesquisas da Singularity University são pautadas nas quatro tecnologias emergentes do sistema NBIC, estabelecido pela Fundação Nacional de Ciência norte-americana National Science Foundation: a nanociência, que lida com átomos; a biotecnologia, com células; a tecnologia da informação, cujo objeto são os bits; e as ciências cognitivas, que trabalha com neurônios. Cordeiro é, atualmente, diretor pela Venezuela do Millennium Project, que estimula o desenvolvimento desse tipo de projeto.

osé Luis Cordeiro apresentou diversos exemplos de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas nessa linha, não só na Sigularity University, mas também em diversos laboratórios pelo mundo. Segundo o pesquisador, graças à globalização, a tecnologia tem se espalhado cada vez mais rápido pelo mundo, e o desenvolvimento das ferramentas tecnológicas torna-se cada dia mais acelerado e acessível, uma vez que as pesquisas se intensificam e os preços são cada vez mais baratos.

Cordeiro deu o exemplo do sequenciamento do genoma humano, serviço realizado por algumas empresas. Em 2003, o mapeamento dos caracteres genéticos de um ser humanos custava 1 milhão de dólares e demorava 13 anos para ficar pronto. Hoje, as empresas já oferecem esse serviço a um preço de cerca de 1.000 dólares e conseguem concluí-lo em cinco dias. O futurista prevê que em 2020 esse serviço será prestado a um valor de 100 dólares e o mapeamento poderá ficar pronto em apenas uma hora.

Para ele, “a medicina hoje é uma arte maluca, no futuro ela será uma ciência exata de verdade”. Isso seria possível com o advento das novas tecnologias, que tornaram as pesquisas e tratamentos médicos mais preventivos e personalizados. Cordeiro exemplificou algumas pesquisas que estão sendo desenvolvidas no sentido de retardarmos o envelhecimento dos seres humanos e para resolver o problema da morte. Em suas palavras “essa é a morte da morte”.

Cordeiro citou Ray Kurzweil, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), para dizer que o contexto de Singularidade está próximo. “Em 2025 não poderemos diferenciar o cérebro humano de um computador, e teremos sistemas operativos com robôs. Acho que estaremos vivos para ver essas transformações”, afirmou.

O palestrante ressaltou a evolução das ferramentas de armazenamentos de dados, mostrando que há alguns anos utilizávamos grandes disquetes, que armazenavam cerca de 1 kb, e hoje já existem pendrives que armazenam até 128 GB e medem uma polegada. Essa evolução é categorizada pela Lei de Moore, que calcula que a cada dois anos a capacidade de armazenamento de transistores duplica, e que esse crescimento vai ficando cada vez mais acelerado. Segundo Cordeiro, “entre 2029 e 2045 teremos computadores com mais transistores que a quantidade de neurônios do nosso cérebro”.

José Luis Cordeiro explicou que estamos passando de um processo de manufatura para um contexto de “mentefatura”. Neste sistema, os produtos possuem um maior valor agregado. Para exemplificar, comparou o caso do café colombiano, cujos grãos de melhor qualidade estão tendo seu genoma sequenciado, e da rede Starbucks de café. Nas palavras do pesquisador, “os colombianos são muito orgulhosos do seu café, que fatura cerca de 2 bilhões de dólares anuais com exportação. A Starbucks vende cinco vezes mais: 10 bilhões de dólares”. Isso é explicado, segundo ele, pelo valor agregado do café vendido na rede.

Cordeiro citou o pesquisador Sir Arthur C. Clarke, que em 1963 formulou três leis sobre a tecnologia: 1) Quando um cientista afirma que algo é possível, ele quase sempre está certo, mas quando afirma que algo é impossível, provavelmente estará muito errado; 2) A única maneira de descobrir os limites do possível é se aventurar um pouco além deles para o impossível; e 3) Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia.

O palestrante deu exemplos de como cada uma das tecnologias emergentes pode contribuir no desenvolvimento da humanidade. Segundo ele, “no futuro, graças à nanotecnologia, não haverá lixo, já que o próprio conceito de lixo é errado. Não existe lixo, mas matéria prima no lugar errado”. Na área da biotecnologia, os cientistas estão, por exemplo, descobrindo uma maneira de voltar à vida animais que já desapareceram da Terra, com o que chamam de “desextinção” e também criando seres sintéticos, como é o caso de bactérias artificiais.

No ramo da ciência da informação, o futurista prevê que em alguns anos haverá internet grátis em todos os cantos do globo e que nossos cérebros estarão interconectados. Citou propostas da Google e do Facebook de conectar o mundo inteiro à internet. Além disso, hoje já existem computadores que superam a mente humana. Segundo Cordeiro, esses computadores daqui a alguns anos se tornarão aplicativos baratos e de fácil acesso.

No campo das ciências cognitivas, citou pesquisas que desenvolvem cérebros artificiais: “nos próximos 10 anos, vamos poder transmitir os nossos pensamentos. Falar é muito primitivo, no futuro teremos banda larga de transmissão rápida e eficiente: vamos ter comunicação telepática”. Segundo ele, hoje já existem máquinas que possuem velocidade de transmissão mil vezes maior do que a do cérebro humano e a única diferença é que o cérebro tem uma quantidade maior de neurônios do que os transistores dos computadores.

Em menos de um mês, a Comissão UnB.Futuro realizou outras três sessões com convidados que trataram de temas de áreas diversas: o sociólogo francês Michel Wieviorka, o filósofo da tecnologia americano Andrew Feenberg e o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. Para o professor Isaac Roitman, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n-Futuros), essas atividades visam pensar os rumos da Universidade e da Educação como um todo.

A próxima sessão da Comissão UnB.Futuro está prevista para o dia 6 de maio, quando contará com a presença do sociólogo francês Michel Maffesoli.

 
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