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Mudanças agitam a UCB

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postado em 08/04/2014 11:18 / atualizado em 08/04/2014 19:55

Camila Costa

Paula Rafiza
Os estudantes Universidade Católica de Brasília (UCB) terão que se esforçar para seguir um novo modelo de ensino, previsto para começar no segundo semestre deste ano. A universidade fará uma reestruturação no modelo de graduação e mudanças no horário, na quantidade de aulas virtuais e presenciais e na duração dos curso entre outras. Uma das mais polêmicas é a obrigatoriedade de cursar a grade horária da faculdade completa. A decisão elimina a possibilidade de o aluno montar grades com três ou oito disciplinas a fim de economizar ou adiantar a conclusão do curso.

Segundo o coordenador do Comitê de Comunicação  da reitoria, Alexandre Kieling, a universidade está trabalhando com base nos modelos exigidos pelo Ministério da Educação. Ele afirmou que as mudanças são para valorizar  alunos e professores. “A lógica de ter 40% de doutores e mestres é do MEC, e isso faz parte do processo”, explicou. Kieling disse ainda que a redução de quatro para três horas o turno das aulas será compensada com o aumento do número de encontros. “Não haverá prejuízo”, garantiu.

O clima na universidade é de insegurança e medo, principalmente por parte dos professores. Alguns deixaram a instituição e a maioria prefere não comentar as mudanças por receio de demissão ou retaliações. A nova estruturação também chegará aos professores. Somente serão mantidos na universidade os profissionais com mestrado e doutorado.

Duas manifestações estão marcadas para as 8h e as 19h de amanhã, no câmpus de Taguatinga da universidade. Paulo Filipe Pedrosa, 20 anos, aluno de direito, enumera os prejuízos do novo modelo. “Vão fundir as matérias de financeiro e de tributário, assim quem já fez uma das disciplinas, como é o meu caso, terá que repetir”, reclamou. Integrante do Centro Acadêmico de Direito da Católica, Lício Jônatas Oliveira, 22 anos, contou que o calendário será reformulado. De acordo com o planejamento deste ano, as aulas deste semestre deveriam terminar em 27 de junho, mas se estenderão por mais três semanas. “Isso pode prejudicar as pessoas que têm um planejamento”, comentou.

Aluno de biologia, Paolo Lucas Rodrigues Silva de 18 anos, planejou concluir o curso em cinco anos. Ele pretendia agregar à grade de matérias da universidade mais disciplinas, o que será proibido no próximo semestre. “Achei ruim, pois não falaram nada, não explicaram direito, apenas obrigaram. Dessa forma, somente vou me formar em oito anos do jeito que eles querem”, criticou. A reportagem entrou em contato com a UCB, mas não teve retorno até o fechamento desta edição. No site da universidade, um vídeo explicativo aborda a reestruturação como uma tentativa de “melhorar a prática e aprimorar a qualidade de ensino, com o objetivo de modernizar o modelo de aprendizagem e estimular uma postura mais ativa dos estudantes”.

Aulas virtuais
Uma professora, que prefere não ter o nome revelado, afirmou que as decisões estão sendo tomadas de forma arbitrária e unilateral. “Muitos alunos terão que sair porque não terão condições de pagar a grade horária fechada. E as outras mudanças que querem fazer, como o Dia do Aprender Aprender, vão prejudicar os alunos porque eles não estão preparados para seguir esse modelo, semelhante ao dos cursos de mestrado e de doutorado”, explicou.

O Dia do Aprender Aprender, segundo a professora, será um dia sem aula. Ou seja, o aluno terá a liberdade para estudar sozinho, sem planejamento ou roteiro prévio de professores. Além disso, a reestruturação também prevê que as aulas comecem às 9h e não às 8h. Outra polêmica é quanto às aulas virtuais. Hoje, o aluno escolhe se fará a matéria presencial ou virtualmente. A partir da implementação do novo modelo, 20% das disciplinas terão de ser pela internet. “Mas os alunos continuarão pagando a mesma coisa. Serão menos aulas no fim das contas. Eles serão muito prejudicados”, ponderou outro professor que também não quis ser identificado.

Esclarecimento

O portal da Universidade Católica de Brasília tem uma seção de perguntas frequentes. Na página, a direção informa que a reestruturação acadêmica foi planejada pela União Brasiliense de Educação e Cultura (Ubec), que reúne três instituições: uma em Minas Gerais, outra no Tocantins e a de Brasília. O objetivo é integrar todos os cursos, “agrupando-os e organizando os componentes curriculares em eixos de formação geral, básica e específica”.
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