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Correio Braziliense

UnB quer parceria com PM

A Universidade de Brasília tem planos para manter o reforço na segurança com a presença de policiais militares e agentes do Detran no câmpus da Asa Norte. A operação especial diminuiu a quantidade de ocorrências nas áreas públicas

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postado em 01/05/2014 14:50

Guilherme Pera

Carlos Vieira/CB/D.A Press
O policiamento na Universidade de Brasília (UnB) diminuiu após o término da operação conjunta da Prefeitura local com a Polícia Militar e o Departamento de Trânsito (Detran). Em outubro do ano passado, a administração do Câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte, havia fechado uma parceria com os dois órgãos para derrubar a quantidade de crimes. Uma segunda fase foi realizada na primeira semana de abril. Agora, estudantes acostumados à presença dos PMs se mostram inseguros com a possibilidade da volta de furtos, assaltos e estupros. Mas a UnB informou que pretende retomar a iniciativa ainda em 2014.

A preocupação dos alunos não é à toa. Em 2013, a Secretaria de Segurança Pública registrou 1.027 ocorrências no principal câmpus da UnB. A maior parte dos delitos é de roubo em interior de veículo. Os estacionamentos do Instituto Central de Ciências (ICC), da Faculdade de Educação (FE), da Biblioteca Central (BCE) e dos pavilhões Anísio Teixeira e João Calmon são os mais visados, segundo a segurança da universidade.

O maior medo de quem estuda na instituição, no fim da Asa Norte, é andar desacompanhado nos estacionamentos muito cedo e ao anoitecer. “Antes das 7h30, é deserto. Depois das 18h30, começa a ficar escuro e perigoso. A presença da polícia inibe as pessoas mal intencionadas”, afirma Bruna Santos, 22 anos, do 6º semestre de letras/inglês.

Entre 31 de março e 7 de abril, a semana em que se recordava os 50 anos do golpe que instaurou uma ditadura militar no país, duas equipes do Detran, 16 da PM e 38 policiais ficaram em pontos estratégicos da Universidade de Brasília. “A ideia é repetir a operação várias vezes ao longo do ano”, explicou o prefeito do câmpus Darcy Ribeiro, Marco Aurélio Gonçalves. Segundo ele, a parceria será firmada “sempre que houver disponibilidade da PM e do Detran”.

Mesmo assim, há quem critique o reforço no policiamento. A estudante do 7º semestre de antropologia Carolina Moreno, 21 anos, defende que a presença constante da PM intimida e cria um clima de tensão, sem resolver os principais problemas de segurança. “Eles só ficavam atrás de quem fumava maconha. Não são essas pessoas que assaltam os carros e estupra que sobe até a L2 (Norte)”, protesta. A amiga Ana Clara Daher, 19, aluna de arquitetura, se queixa do modelo do policiamento. “Na semana em que a polícia estava aqui, roubaram um computador do departamento onde estudo. Avisamos os policiais, que disseram que não podiam fazer nada”, recorda.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que “foi bem recebida pela comunidade acadêmica e que as ocorrências no período foram quase inexistentes”. A corporação não se manifestou sobre uma possível volta ao câmpus da Asa Norte.

Polêmica
Para o especialista em segurança pública da UnB Roberto Aguiar, é necessário um planejamento para colocar policiais no câmpus. “A universidade tem um histórico de invasão por parte das Forças Armadas, e mais de 200 professores saíram. É um universo crítico à presença da polícia”, lembra. “Já fui reitor (em 2008). Queira ou não, são 3 milhões de metros quadrados, com uma distribuição de pessoas e de bens diferente de uma cidade normal”, explica o também ex-secretário de Segurança Pública do DF.

Dessa forma, defende Aguiar, o patrulhamento deveria ser especializado para a UnB, com profissionais que entendam como funciona o ambiente acadêmico. “Ao meu ver, não há planejamento. É preciso ter um comando que controle os policiais ali dentro, com um policiamento que conheça as peculiaridades da universidade”, opina.

Para Nelson Gonçalves, especialista em segurança pública da Universidade Católica de Brasília (UCB), a presença de policiais militares nas universidades federais brasileiras é sempre um tema que gera polêmica. Segundo ele, os universitários exigem segurança, mas querem que a polícia “feche os olhos” para outros fatores. “O consumo de drogas, por exemplo, é público e notório na UnB. E continua a ser crime. Ou aceita a polícia cumprindo as leis ou contrata uma equipe privada de segurança”, argumenta.

1.027
Total de ocorrências registradas no câmpus Darcy Ribeiro em 2013, segundo a Secretaria de Segurança Pública
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