UnB forma turmas de Pedagogia e Letras no interior da Bahia

Faculdade de Educação formou a distância 29 alunos de Pedagogia e 17 de Letras de Carinhanha, no interior baiano

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postado em 11/06/2014 18:42 / atualizado em 11/06/2014 18:44

Agência UnB

Rafael Matos
Na semana passada, a Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) formou na modalidade de graduação a distância 29 alunos de Pedagogia e 17 de Letras em Carinhanha, no sudoeste da Bahia. Agora, o munícipio conta com 91 alunos formados e outros 88 estudantes do convênio com a Universidade Aberta do Brasil (UAB).

O trabalho desenvolvido a partir de Brasília já começa a refletir na educação básica da região e na meta da UAB de oferecer formação superior aos professores que atendem na rede de ensino. Nas palavras do secretário de educação do município, Lindomar Antônio de Souza, hoje, e ainda durante o curso, os alunos dessas duas licenciaturas já estavam em sala de aula na região. “Temos 472 professores em Carinhanha. Desses, apenas 24 ainda não têm formação superior”, afirma o secretário.

O prefeito Paulo Elísio Cotrim complementa que a chegada desses novos profissionais tem mudado a cultura nas escolas do munícipio. Ele inclusive recebeu um retorno da coordenação pedagógica do povoado da Vila do São José que os oito alunos de Pedagogia e Letras oriundos do polo estão se destacando entre seus colegas. Diante desse cenário, o prefeito acredita que a expectativa é de renovação do quadro com os graduandos.

DESENVOLVIMENTO REGIONAL
“Dos 453 alunos matriculados no Polo de Apoio Presencial da UAB, 249 são da cidade e os outros 204 são de municípios vizinhos”. O prefeito acrescenta ainda que os egressos da UnB são contemplados com salas de aula nas cidades de Guanambi, Malhada, Serra do Ramalho, Feira da Mata, Palmas do Monte Alto, Cocos e São Felix do Coribe.

O prefeito reconhece, porém, que há um contraste nesses números otimistas. Ele expõe que o recurso voltado para a educação é satisfatório, mas falta à população acatar esse investimento. “Uma necessidade urgente da Secretaria da Educação é combater a evasão escolar, que envolve problemas com drogas e álcool”, diz.

PRECONCEITO E PERCEPÇÕES

Formado na primeira oferta de Pedagogia e hoje técnico de informática do polo de Carinhanha, a fala de Leandro Cerqueira Viana complementa as palavras do prefeito e do secretário de educação em relação à transformação no campo educacional no munícipio. “O trabalho desenvolvido pelos egressos começa a refletir nos demais educadores, porque antes os professores eram simplesmente colocados em sala de aula. E a UnB deu a oportunidade para os verdadeiros interessados se posicionarem no trabalho de educar as próximas gerações carinhanhenses”.

Porém, ele diz ter sofrido preconceito pela população em relação à modalidade de ensino EaD por não ter o mesmo peso que o presencial, mas agora, diante dos resultados, essa opinião está mudando devido à convivência com os  excelentes profissionais que hoje atuam em sala de aula.

Colega de tutoria de Leandro, Léia Cássia Souza Pinto fala sobre as diferenças entre o ensino presencial e a distância. Ela se formou no ano 2000 em uma universidade local no modelo tradicional, e observa as vantagens da EaD. “O fato de podermos organizar nossos horários facilita a vida de quem trabalha, como era o meu caso quando eu estudava”. Outro fator facilitado pela EaD foi a redução dos custos do material didático e a riqueza do material bibliográfico ofertado pela UnB. “Quando eu era estudante, gastei muito dinheiro em fotocópias e livros. O trabalho aqui abriu meu leque de conhecimento, pois estou atenta às leituras que eu encaminho aos alunos, seja por e-mail ou por apostilas e livros”.

Um terceiro tutor presencial que atende no polo é Wesley Brunno do Nascimento Gomes. Ele, que se formou na oferta de UAB 1 de Pedagogia e trabalha como professor e coordenador pedagógico de uma escola da cidade, ressalta a importância que a união da turma teve em seu trabalho hoje. “Desmentindo a opinião geral sobre a EaD, digo que minha turma foi muito unida e isso foi determinante para combater a evasão no polo, pois um puxava o outro para cima”. Wesley diz creditar também nesse sentimento de pertencimento a uma instituição, que hoje lhe inspira na atuação frente aos alunos, ao trabalho de sua tutora na época. Ele acrescenta que outros programas governamentais de ensino superior não seriam possíveis para ele. “Veja minha condição: sou filho de pescador e meus pais não teriam condições de arcar um curso em outra cidade. A UAB foi essencial para eu conseguir ter um diploma”.

HISTÓRIA
Atento ao que acontece em sua localidade, Wesley lembra com carinho que o primeiro contato que teve com professores da UnB foi anterior ao trabalho desenvolvido pela UAB.  Wesley complementa que essa parceria ajudou a elaborar o programa “Educando pela Horta Escolar”, que é uma referência regional em alimentação saudável, reciclagem e reutilização de materiais.

Uma das professoras responsáveis pela elaboração do projeto político pedagógico dos professores da cidade, Norma Lucia Queiroza diz que a parceria entre UnB e Carinhanha, entre 2002 e 2006 englobou várias frentes. Patrona da turma de Letras, Norma diz que este trabalho de parceria envolvia ações como desenvolvimento de cooperativas de trabalho, feira de trocas, limpeza do rio, horta, formação de cooperativas e a política pedagógica das escolas da cidade.

Norma lembra que, nessa etapa do programa, ela se reuniu com os professores, coordenadores e gestores das escolas para auxiliar na elaboração de um novo currículo aos educadores para atender todas as diversidades do munícipio, dentre outras, as modalidade infantil, fundamental e EJA.

Cita que foi lançado aos alunos as discussões sobre as necessidades especiais e que foi necessário romper paradigmas. “Como iríamos falar de semáforos para crianças do campo que nunca os viram?”. Dessa maneira, o programa construiu, concluiu e entregou o currículo em 2006. Hoje Norma assegura que a volta da UnB ao polo foi um desdobramento desse primeiro trabalho. “Foi quando percebemos que não bastava dar o curso e ir embora, era preciso dar uma continuidade”. Nesse período, o MEC estava organizando o projeto UAB e surgiu então essa oportunidade da UnB voltar para Carinhanha e formar a segunda oferta de turma de Pedagogia e Letras.
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