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Alunos seguem investigados

Após evitar o confronto entre PMs e mascarados que ocupavam a Reitoria da UnB, Ivan Camargo reafirma que está aberto ao diálogo, mas descarta a anulação dos processos contra os responsáveis pelo catracaço no Restaurante Universitário. Perícia vai apurar possíveis furtos

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postado em 12/06/2014 10:21 / atualizado em 12/06/2014 10:30

Roberta Pinheiro

Paula Rafiza

Depois da retirada dos invasores da Reitoria, Ivan Camargo busca restabelecer a normalidade na Universidade de Brasília (UnB). Os processos administrativos contra os estudantes envolvidos no catracaço seguem em análise, com a garantia de ampla defesa aos acusados. Na opinião do reitor, desde a quinta-feira da semana passada — data em que cerca de 50 alunos invadiram o prédio público —, não houve mudança ou qualquer recuo no posicionamento da instituição em relação ao episódio no Restaurante Universitário RU). “Não existe a possibilidade de extinguir o processo administrativo. Ele está aberto e ainda em investigação, e os alunos podem se posicionar”, disse Ivan. Aqueles que protestaram contra a terceirização do RU — a UnB identificou oito até o momento — pularam as roletas e comeram de graça.

Ontem, a rotina voltou ao normal na instituição federal (leia Entenda o caso). No entanto, as salas ocupadas pelos manifestantes mascarados passaram por uma vistoria para levantar possíveis danos. “O prejuízo é incalculável porque essa ação impediu o funcionamento de centenas de atividades e mobilizou toda a universidade”, comentou. Até o momento, o reitor suspeita que um HD e um computador tenham sido furtados do gabinete.

Os alunos ficaram seis dias no local e saíram de lá com o direito de defesa garantido pela instituição. Após uma longa tarde de negociação com a intervenção da Defensoria Pública da União (DPU), na última terça-feira, o reitor, Ivan Camargo, assinou uma carta reafirmando a disposição permanente para o diálogo para evitar transtornos ainda maiores na desocupação. A partir de agora, a DPU tomará conhecimento dos autos dos processos administrativos contra os estudantes envolvidos no catracaço.

“Tensão”
Com a ajuda de um professor da UnB, os invasores solicitaram a mediação da DPU para deixarem a Reitoria. O defensor público federal Heverton Gisclan Neves da Silva esclareceu que o órgão tem autonomia para ouvir as partes envolvidas no processo e intermediar o diálogo. “Atuamos para informar os estudantes o que eles podiam e o que não podiam, também esclarecendo a UnB nos termos de condução dos procedimentos administrativos. A nossa preocupação era para que não houvesse atos de violência, excessos e repercussão criminal”, disse.

Para o defensor, o mais difícil durante a negociação foi conter os ânimos exaltados de ambos os lados. “Lamentamos que as partes desconheciam o papel da defensoria, que poderia ter participado desde o princípio. Quando chegamos, tanto os alunos como a universidade tinham um elevado grau de estresse e foi preciso conter e diminuir a tensão”, relatou.

A partir de agora, o órgão participará e acompanhará o processo. Analisará os documentos para entender até que ponto os alunos citados estão envolvidos no catracaço. “Precisamos avaliar com bastante cuidado as penalidades porque pode repercutir tanto na formação estudantil desses alunos como na vida profissional deles”, concluiu Heverton.

Entenda o caso

Seis dias de invasão

A ocupação começou na quinta-feira da semana passada. A principal exigência dos alunos era a anulação imediata do processo administrativo contra oito estudantes envolvidos no catracaço, protesto realizado no Restaurante Universitário (RU) em 2013. A coordenação da UnB montou uma comissão para negociar com os estudantes e, no sábado, foi emitida uma medida judicial de reintegração de posse do edifício, com prazo até as 20h30 de domingo. A Reitoria enviou uma contraproposta, mas os alunos deixaram para responder somente na terça-feira, mesmo sabendo que a data excederia o prazo estipulado pela medida judicial. Por fim, eles saíram do local na noite da última quarta-feira, depois que o reitor assinou um documento concordando com as reivindicações dos estudantes.

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