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Estudante de jornalismo escreve TCC sobre sequestros de crianças na África

Jovem percorreu, ao longo de um ano, mais de 7 mil km e vários países africanos com realidades bem distintas da vivida no Brasil

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postado em 26/06/2014 21:43 / atualizado em 27/06/2014 10:12

Arquivo pessoal
Nascida no interior de Goiás, em Rio Verde, cidade localizada a 435 km de Brasília, Jéssica Paula Prego é estudante de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) e possui uma história de vida que impressiona. Aos 22 anos, a jovem já conheceu países como Etiópia, Sudão, Marrocos, além de vários países europeus. Porém, o que a destaca em relação aos demais é a coragem e a determinação ao narrar histórias de vida de pessoas na África e as aventuras que viveu ao desbravar um mundo desconhecido e pouco divulgado pela mídia brasileira.

O resultado dessa grande viagem está registrado em um livro de 197 páginas que representa o trabalho de conclusão de curso (TCC). A obra conta a história de crianças que foram sequestradas para trabalhar e atuar como soldados nas milícias que comandam o continente africano. A apresentação da obra Estamos Aqui, escrita por Jéssica, será feita na sexta-feira (27/6), às 14h, na sala seis da Faculdade de Comunicação da UnB.

Infância complicada

Aos seis anos, Jéssica contraiu mielite— doença infecciosa que atinge a médula óssea — perdeu parte da força nas pernas, e por isso, hoje anda com muletas. “Por conta da minha deficiência, eu sofri bullying. Durante a minha infância até os 16 anos foi bastante difícil. Mas eu acho que por conta disso, eu sempre procurei me destacar, tirar boas notas, ser uma excelente aluna”, lembra. Apesar das marcas que ficaram por conta da doença, Jéssica não se deixou abater, enfrentou medos e perigos para alcançar seus objetivos.

Paixão por viagens e pelo desconhecido
Desde pequena, a jovem afirmava que uma das grandes paixões era olhar globos e atlas. “Eu gostava muito de geografia e de história e adorava pensar como as distâncias entre os países eram pequenas nos mapas. Inclusive, quando eu era menor, eu costumava matar as aulas de química para ir à biblioteca admirar os atlas e imaginar países que eu poderia conhecer”.

Mas a vontade de desvendar o desconhecido e de descobrir coisas novas nunca parou. Ainda na 8ª série, Jéssica tinha o sonho de ser astronauta e médica. A jovem acreditava que sendo médica poderia encontrar a nova cura para a doença que a fez perder parte da força nas pernas e que sendo astronauta poderia se aventurar pelos mistérios que ultrapassam a Terra.

Arquivo pessoal
Profissão: jornalista
“Quando eu estava no 1ª ano, eu conversava muito com uma amiga do colégio que queria ser jornalista. Além disso, eu sempre gostei muito de português, de fazer redações. Na escola, geralmente, eu era a que escrevia mais. Inclusive, quando eu ia ler, eu sempre era a última porque os meus textos eram os mais longos”, diz entre risos.

E o jornalismo de guerra sempre foi algo que chamou a atenção da futura jornalista. “Eu acho que o jornalismo é a única profissão em que você consegue viver um pouco de tudo. Eu sempre gostei muito de viajar e, principalmente, de cobrir o que é desconhecido, o que gera riscos. Eu nunca tive medo”, garante

Estamos aqui
Com o título Estamos Aqui, Jéssica reuniu, em 197 páginas, as aventuras que viveu na viagem iniciada em Madri, em julho de 2012, por conta de um intercâmbio acadêmico. Ao longo de um ano, a jovem conheceu mais de quatro países — Espanha, Marrocos, Etiópia, Sudão, Sudão do Sul e Uganda, dentre outros —, cruzou cerca de 7 mil km para relatar a vida de crianças sequestradas para atuar como soldados nas milícias que dominam o continente. O título da obra é em homenagem às crianças que foram esquecidas e que precisam ser lembradas.

Para Jéssica, a viagem foi um aprendizado de vida e não serviu apenas como trabalho de conclusão de curso. “Eu conheci histórias incríveis e vivi situações que poucas pessoas já viveram. Uma das partes mais tocantes de toda a viagem foi quando uma criança refugiada me perguntou se eu tinha pai e mãe. Naquele momento, eu tive que me segurar para não chorar. Nós vivemos uma situação muito diferente daqueles meninos e meninas”.

Outro destaque da viagem foi quando Jéssica conheceu uma enfermeira que trabalhava para Joseph Kony — um criminoso de guerra que está na lista dos 10 mais procurados no mundo pela Corte Penal Internacional. “Eu tive a oportunidade de conhecer a enfermeira que trabalhou com o Kony. Uma das coisas mais interessantes que eu percebi é que, apesar de todas as atrocidades que o Kony cometeu, a enfermeira gostava dele. Ela dizia que tudo o que ela tinha aprendido era graças a ele”.

Depois de formada
Para o futuro, Jéssica planeja publicar o livro que escreveu como projeto de conclusão de curso. “Eu já estou conversando com uma editora, eles gostaram do resumo que eu enviei, mas eles ainda não viram o material todo”, destaca.

Bruno Peres/CB/D.A Press
“Agora eu estou com uma vontade muito grande de ir para a Somália, estou pensando se esse pode ser meu próximo destino. Eu gosto da Somália, por conta dos piratas, do regime que o país vive — anarquismo. Eu acho que seria interessante.”

Não perca a defesa do TCC de Jéssica Paula Prego
Quando: Sexta-feira, 27/6, às 14h
Onde: Sala seis da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (FAC/UnB)
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