SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

ENSINO SUPERIOR »

Bolsistas têm nota maior que alunos das públicas

Estudantes do ProUni com benefício integral acertaram 49,3% do Enade, índice superior à média dos acadêmicos de instituições federais e estaduais. Exigências do programa, como limite de uma reprovação ao longo do curso, podem explicar a boa performance

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/11/2014 11:53 / atualizado em 04/11/2014 11:56

Daniela Garcia /Correio Braziliense

A brasiliense Adriana Inocêncio, 31 anos, se formou em administração com bolsa do ProUni: %u201CAcordava de madrugada para estudar%u201D 
A brasiliense Adriana Inocêncio, 31 anos, se formou em administração com bolsa do ProUni: Acordava de madrugada para estudar


Bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) tiveram desempenho melhor na comparação com os alunos das instituições públicas no Enade, exame aplicado pelo governo federal entre estudantes do ensino superior, afirma estudo da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes). A pesquisa mostra que quem recebe o benefício integral tem uma média de acertos de 49,3%, enquanto o rendimento médio dos acadêmicos de universidades e faculdades públicas é de 47,7%.

A pesquisa é baseada nos microdados do Inep, autarquia ligada ao Ministério da Educação (MEC), referentes aos anos de 2010, 2011 e 2012. O estudo não faz diferenciação da nota em relação ao curso do aluno. Nos três ciclos avaliados, foi possível abordar as três grandes áreas de ensino: humanas, biológicas e exatas. Nesse período, 1.384.466 alunos fizeram o Enade. A análise está relacionada a 56% dos casos, isto é, 787.470 respondentes da prova. Os pesquisadores justificam que o recorte da amostra é necessário para gerar “dados de maior confiabilidade”, ao considerar apenas os alunos que se dedicaram a responder as questões da prova sem deixar uma seção inteira em branco.

Até o momento, estudos educacionais mostravam que os alunos do Prouni eram melhores na comparação com os colegas de classe nas instituições privadas. Segundo a pesquisa da Abraes, os acadêmicos que não têm bolsa tiveram um aproveitamento de 41,88%, abaixo da média geral de 43,19%.

Mas esse estudo também deixa claro que o aluno tem um avanço considerável na nota quando recebe o ProUni de forma integral. De acordo com os anos avaliados pela pesquisa, os que receberam o incentivo parcial apresentaram um percentual de acertos de 43,91%. A nota bruta é superior à média geral de 43,19%, mas fica abaixo do resultado dos acadêmicos que cursam o ensino superior nas instituições públicas, 47,7%.

Especialistas avaliam que há dois fatores para o bom desempenho dos alunos bolsistas. Para concorrer ao ProUni, o candidato deve ter obtido nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no curso que deseja ingressar. O MEC também estabelece exigências para permanecer com o benefício. Durante o curso, o acadêmico deve ter um aproveitamento de, no mínimo, 75% nas disciplinas em cada semestre. O bolsista também só tem direito a ser reprovado por uma única vez, seja qual for a matéria.

Na avaliação do professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG) João Oliveira, a pesquisa comprova o que já é visto dentro das salas de aula. “Esse resultado está associado a um grande esforço do aluno de baixa renda para se manter com a bolsa. Esses bolsistas têm uma indução do próprio governo para ter boas avaliações.” É raro um aluno perder a bolsa por aproveitamento negativo no Centro Universitário Facitec, alega o reitor, Adriano Fonseca. “Esses alunos são diferentes, estudam muito, agarram essa oportunidade como se fosse a única”, afirma.

Para a administradora de empresas Adriana Inocêncio, 31 anos, era válido fazer qualquer sacrifício para se manter com a bolsa integral do ProUni, durante os quatro anos de curso. “Eu acordava de madrugada para estudar. Botava o despertador para 3h, 4h e emendava o dia”, lembra. Adriana, que se formou no ano passado na Facitec, em Taguatinga, é casada, tem dois filhos e a renda da família não passa de R$ 2 mil por mês. “Não tinha condições de pagar uma faculdade. Quando eu tive essa oportunidade, eu vi a chance de melhorar e poder investir mais nos meus filhos.”

Natural de Brasília, Adriana foi criada pela mãe, que não completou nem o ensino fundamental. “Foi uma grande alegria para ela ver eu me formar. É filho de pobre fazendo faculdade.” A dedicação de Adriana incentivou o marido, Alessandro Rosa Gomes, 38 anos, a também tentar a bolsa. O vigilante está no segundo semestre do curso de enfermagem.

Ampliação
A diretora executiva da Abraes, Elizabeth Guedes, defende que a política do ProUni seja ampliada. “O acesso de pobres ao ensino superior precisa de mais incentivo. E essa política se mostra acertada porque está sob o pilar do mérito”, afirma.

Na avaliação do professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse, o ProUni é uma medida paliativa. “Desde a sua implantação, houve de fato um avanço no acesso ao ensino superior. Mas é preciso que o ensino público também abra mais vagas”, alega.

No Plano Nacional de Educação (PNE), está previsto um aumento de 33% do número de vagas até 2024 e que 40% delas sejam do setor público. O MEC se manifestou, por meio da assessoria de imprensa, que “o estudo comprova constatação já feita em relação ao desempenho dos bolsistas do Prouni”. E também afirmou não existir previsão para uma ampliação do mecanismo.




Teste da graduação
O Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) avalia o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e concluintes, em relação aos conteúdos dos cursos em que estão matriculados. O exame é obrigatório para os alunos selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico escolar. A primeira aplicação ocorreu em 2004 e a periodicidade máxima com que cada área do conhecimento é avaliada é trienal.


Saiba mais

Veja os requisitos para concorrer a uma bolsa do ProUni:

Condições prévias
Ter cursado o ensino médio completo em escola pública ou em escola privada com bolsa integral da instituição
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola pública e parcialmente em escola privada com bolsa integral da instituição
Ser pessoa com deficiência

Critérios de renda
Para concorrer às bolsas integrais o candidato deve ter renda familiar bruta mensal de até um salário mínimo e meio por pessoa. Para as bolsas parciais de 50%, a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

Para professores
Ser professor da rede pública de ensino básico, em efetivo exercício, integrando o quadro permanente da instituição, e estar concorrendo a vaga em curso de licenciatura, normal superior ou pedagogia. Nesse caso, a renda familiar por pessoa não é considerada.

Fonte: MEC



Bolsistas no topo

Veja a diferença das notas de acordo com tipos de alunos e benefícios, segundo a pesquisa da Abraes:

Origem/condição    Média de acertos  do aluno     no Enade

Instituições públicas    47,87%

ProUni 100%     49,35%

ProUni 50%    43,91%

FIES     42,25%

Bolsistas da própria

faculdade     43,11%

Média geral    43,19%

Fonte: Abraes
Tags:

publicidade

publicidade