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Intercambista mexicano escreve sobre o desaparecimento de 43 estudantes

Em Brasília, ele organizou uma manifestação na UnB

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postado em 28/11/2014 20:47 / atualizado em 28/11/2014 20:55

Arquivo pessoal
Artigo: Ayotzinapa: Os 43 estudantes desaparecidos no México e a corrupção
Por Fernando Márquez, estudante de intercâmbio na Universidade de Brasília (UnB)

Como resposta aos últimos acontecimentos e do panorama geral da corrupção e violência do país, tanto mexicanos como pessoas de outras nacionalidades, especialmente jovens, têm se expressado. Grandes manifestações em apoio aos 43 estudantes ocorreram em muitas cidades no México e fora do país, com marchas, jornadas noturnas, representações teatrais, música, fotos, vídeos etc. As manifestações ocorreram em mais de 120 cidades e, no Brasil, Brasília como capital não foi a excepção.

O 20 de Novembro, aniversário da Revolução Mexicana deu lugar ao Dia da Ação Global por Ayotzinapa. Em Brasília, a manifestação ocorreu na Universidade de Brasília, com a participação de 20 pessoas do Brasil, da Colômbia, da Síria, da França, do Equador e do México, e foi organizada por cinco mexicanos, incluindo a mim mesmo. Neste protesto pacífico, os participantes se manifestaram com cartazes com mensagens de apoio aos 43 estudantes, como “Ayotzinapa somos todos”, “Eu sou Ayotzinapa”, “Os queremos vivos” e mensagens para exigir a resposta do governo como.

As manifestações têm tido grandes efeitos como a atenção da mídia internacional para a situação no México e a pressão dos países e de organizações internacionais como a ONU exigindo justiça e o mais importante: a conscientização dos mexicanos sobre a corrupção e insegurança que sofre o país, para que as pessoas exigem um melhor país, seguro e justo.

Arquivo pessoal


Histórico
Há pouco mais de dois meses, na cidade de Iguala, no estado de Guerrero, no México, 43 estudantes desapareceram durante um confronto entre a polícia e a organização criminosa Guerrero Unidos. Na ocasião, seis pessoas morreram (três estudantes, dois civis e um jogador de futebol), e outras 17 foram feridas. Em cinco de outubro, a promotoria do estado anunciou que foram encontradas fossas clandestinas com 28 corpos sem identificação, alguns queimados vivos.

Dentro das pesquisas feitas pela promotoria e a procuradoria-geral, se declarou que dos 29 prováveis responsáveis, 22 são policiais de Iguala. O ataque aconteceu durante uma manifestação dos estudantes contra a corrupção no governo de Iguala e contra o prefeito José Luis Abarca, que com sua esposa María de los Angeles Pineda, teria dado a indicação ao líder do grupo criminal Gurerreros Unidos, chamado de “El Choky” de fazer desaparecer os 43 estudantes. Isto porque Abarca queria que sua esposa fora prefeita logo depois dele e os dois tinham fortes laços com o crime organizado no estado.

Em 4 de novembro, Abarca e sua esposa foram presos na Cidade do México. Mas o líder da organização criminosa continua livre, e muitos outros responsáveis também. E o mais importante: os 43 estudantes ainda estão desaparecidos e muitos corpas ainda estão sem identificação.

O estado de corrupção do governo de Guerrero como o do governo federal é inconcebível. Existem várias investigações que confirmam que o presidente do México, Enrique Peña Nieto, tem laços com o narcotráfico, assim como muitos políticos e funcionários do seu partido (PRI), assim como do partido de Abarca (PRD), e os demais partidos, como PAN e PV. O panorama político do México é obscuro.

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