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JOGOS UNIVERSITÁRIOS »

Universíade a volta de quem não foi

Depois de anunciar que Brasília não sediaria mais o evento, governador do DF se reúne com o ministro do Esporte, pede ajuda para pagar taxa inicial - equivalente a 3,1% do investimento total - e, se for atendido, deve manter a competição, programada para 2019

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postado em 21/01/2015 12:32 / atualizado em 21/01/2015 12:35

Maíra Nunes - Especial para o Correio /

Roman Krichinin
Em 9 de novembro de 2013, Brasília foi anunciada sede da Universíade — os Jogos Mundiais Universitários, que ocorrem de dois em dois anos. À época, as concorrentes Baku (Azerbaijão) e Budapeste (Hungria) desistiram das respectivas candidaturas, deixando a capital brasileira como única na “disputa”. Um ano e um mês depois, no fim do ano passado, nada havia saído do papel para tornar realidade uma estrutura que, em tese, precisa de 22 novos locais de competição, reformas em ginásios e construção de uma vila com 2.400 apartamentos. Ao contrário: o Governo do Distrito Federal (GDF) deixou de pagar uma espécie de taxa inicial, no valor corrigido de 23 milhões de euros (R$ 70,8 milhões), que precisou ser renegociada e até hoje não foi enviada.

Governador eleito à época, Rodrigo Rollemberg anunciou em dezembro de 2014, por meio da Casa Civil, que Brasília desistia de sediar o megaevento, por total falta de condição financeira de arcar não só com a tal taxa de 23 milhões de euros como também com o investimento total, que, segundo o caderno de encargos entregue pelo DF à época da candidatura, chegará a R$ 2,26 bilhões (736 milhões de euros).

No fim da tarde de ontem, porém, a Universíade que não seria mais em Brasília voltou ao colo da capital. Em reunião com o ministro do Esporte, George Hilton, Rollemberg, acompanhado da secretária do Esporte no DF, Leila Barros, pediu apoio para quitar a taxa. “O ministro se mostrou solidário, querendo colaborar. O governador disse que, se houver ajuda neste primeiro ano em que temos que arcar com a taxa, ele vai reavaliar sediar o evento”, disse Leila ao deixar o encontro.

O dia do Fico da Universíade em Brasília só não foi anunciado oficialmente porque o ministro George Hilton ainda não respondeu sobre o pagamento. Os sinais, porém, são de que o governo federal pretende manter a competição no país.

A engenharia financeira para estruturar o evento, no entanto, é bem mais complicada do que a quitação da taxa inicial. Embora em crise econômica, o GDF precisaria equilibrar as contas a ponto de poder desembolsar aproximadamente 37% do investimento total de 736 milhões de euros, o que significa arcar com 278 milhões de euros, ou R$ 856 milhões. O governo federal, de acordo com a planilha apresentada na candidatura, entraria com 25%, ou R$ 558 milhões, e caberia à iniciativa privada cerca de R$ 824 milhões. “O governador disse que acha a proposta do ministro do Esporte interessante, mas, ainda assim, avaliará se terá condições de arcar com os compromissos”, ponderou Leila.

Padrões

Para quem vive do esporte, a desistência da Universíade representava uma decepção. “Eu, que já participei de Olimpíada, sei que a Universíade segue o mesmo padrão”, compara a judoca brasiliense Ketleyn Quadros, bronze nos Jogos de Pequim, em 2008, e ouro na última edição da Universíade, no Kazan, na Rússia.

A felicidade em saber que a competição seria realizada na cidade natal de Ketleyn a deixou esperançosa. “Em Brasília, não faltam professores nem talentos. O problema é a falta de estrutura para o atleta se desenvolver a ponto de se profissionalizar, e a Universíade alimenta o sonho de um dia ter condições de fazer diferente.” O projeto de candidatura prevê a construção de um complexo aquático e outro de atletismo na Universidade de Brasília (UnB), e a criação de quatro estruturas permanentes — para tênis, tênis de mesa, badminton e lutas. Há ainda a reforma do Complexo Ayrton Senna, o que inclui o Complexo Aquático Claudio Coutinho, e a Vila Olímpica, com 2.496 apartamentos.

“O Parque Esportivo da UnB já está sendo recuperado em parceria com o Ministério do Esporte, mas, com a Universíade, ele pode ser completamente reestruturado nos padrões olímpicos”, observa Luciano Castro, presidente da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU).

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