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Do abandono à nova CEU

Casa do Estudante da Universidade de Brasília recebe reforma e é elogiada por moradores. Ainda há problemas, como infiltrações e vazamentos, mas administração do órgão promete reparos. A gestão, agora, é compartilhada entre alunos e instituição

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postado em 03/02/2015 10:21 / atualizado em 03/02/2015 10:28

Maryna Lacerda

Breno Fortes
O recorde de estudantes de outros estados aprovados na Universidade de Brasília pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) coincide com o fim das obras de recuperação da Casa do Estudante (CEU). Depois de dois anos fechado para reforma, o prédio foi reaberto com a proposta de renovação e valorização do espaço de convivência dos alunos que não têm condição de custear moradia no Distrito Federal. A ideia é que se crie uma nova fase dos blocos de moradia, ou seja, nada que lembre os tempos de corredores deteriorados e infestação de ratos e baratas nas unidades.
Por enquanto, apenas 130 estudantes estão instalados na Casa, pois a UnB optou por dividir a reocupação em duas etapas. Em março, será lançado novo edital para preenchimento das demais vagas. A seleção de graduandos para o primeiro semestre de 2015, por meio do Sisu, registrou recorde de aprovados que residem em outras unidades da Federação. Pelo menos 33% deles — algo em torno de 650 — não residem no DF, o que pode se refletir no aumento de procura por assistência estudantil.

“Hoje, a demanda por moradia estudantil está zerada. Vamos aguardar para ver como se comporta a demanda de 2015, mas a universidade já tem planejamento da assistência garantido até 2016. Além disso, a solução para atender a todos é por meio do pagamento da pecúnia (custeio de aluguel em áreas próximas ao Plano Piloto no valor de R$ 530). Temos mil estudantes que optaram por essa modalidade”, afirma Denise Bontempo, decana de assuntos comunitários da UnB.
 
A nova CEU tem 90 apartamentos, com capacidade para quatro ocupantes cada um. Dois deles têm adaptação para moradores cadeirantes. Assim, o espaço fica com duas unidades a menos do que consta do projeto original, uma vez que os imóveis com maior acessibilidade foram duplicados para instalar o elevador e aumentar o espaço de circulação. A quantidade de vagas oferecidas, no entanto, foi mantida: 360. A permanência vale enquanto o estudante estiver na graduação, desde que dentro do fluxo acadêmico (veja Critérios).

Apesar de recentes, os dois blocos da CEU apresentam infiltração e vazamento em algumas unidades. Denise Bontempo reconhece os problemas e afirma que a empresa responsável pela obra, a Caenge, retornou ao prédio nas últimas semanas para fazer os reparos. “São problemas decorrentes da estrutura da CEU, que tem muitas esquadrias, e do período de chuvas. O contrato com a empresa prevê a assistência após a entrega do prédio para justamente sanar esses problemas”, diz.
 
Portaria
A segurança é uma questão que recebeu atenção extra na concepção da nova CEU, garante Denise. Segundo ela, para evitar o acesso de ocupantes não autorizados às unidades, foi instalada uma portaria pela qual estudantes e visitantes têm que informar os dados pessoais ao entrar. A saída é também registrada a fim de controlar o fluxo de pessoas. A CEU ganhou uma administração própria, no piso térreo do prédio — antes, era ligada ao decanato.

“Queremos mostrar que a Casa tem regras. Antes, não havia esse controle, e a própria universidade havia abandonado a CEU. Nós queremos retomá-la, criar um espaço de convívio e de diversidade”, planeja a decana. Outra mudança é a gestão compartilhada entre estudantes e universidade. Cada andar terá uma comissão que levará as demandas à administração. Das comissões, serão eleitos os representantes de um colegiado, que delibera os assuntos que dizem respeito à CEU.


Critérios

O que é preciso para ter acesso à moradia na CEU

» Ser estudante em situação de vulnerabilidade socioeconômica

» Estar regularmente matriculado em cursos presenciais de graduação

» Cursar as disciplinas correspondentes ao semestre em que está matriculado

» Cumprir o número mínimo de créditos e não estar em condição de desligamento da universidade

» Ter família que resida fora do DF e que não possua imóvel na cidade

Facilidades e elogios

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Aluna do 7º semestre de biblioteconomia, Rosileide Santos, 27 anos, saiu da Bahia para estudar e, nos primeiros semestres de curso, morou em São Sebastião e, posteriormente, em uma república feminina na Asa Sul. A mudança para a CEU facilitou a rotina acadêmica. “Aqui fica perto da Biblioteca (BCE), posso ir a pé. Aproveito o tempo que usava para deslocamento para descansar e estudar”, diz. Ela divide a casa com três colegas e conta que a estrutura de eletrodomésticos e eletrônicos facilitou na montagem do apartamento. “Já recebemos com tevê, fogão e micro-ondas. Não precisamos comprar esses produtos”, diz.

Com pouco mais de dois meses de funcionamento da CEU, o Diretório Central de Estudantes Honestino Guimarães (DCE/UnB) não registrou problemas ou queixas em relação ao funcionamento da nova Casa, de acordo com o coordenador-geral, João Karp. “O que vemos é o esforço para construção de novas ideias, novos paradigmas da habitação estudantil. A questão já foi um problema bastante sério na universidade, mas hoje está equilibrada”, avalia João.

O rendimento nas disciplinas melhorou desde que o estudante do 5º semestre de engenharia civil Matheus Felipe Zaiatz, 19 anos, mudou-se para a CEU. “Minha família é de Cidade Ocidental (GO) e eu gastava uma média de quatro horas dentro de um ônibus para deslocamento. Hoje, posso usar esse tempo para descansar e, assim, aproveitar melhor o período de estudo”, conta. O rapaz mora com três colegas e eles dividem as responsabilidades no cuidado com a casa. “Nós fazemos faxina duas vezes por semana. Formamos duplas e cada um limpa a casa uma vez por semana”, detalha.
 

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