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Aumenta a procura por faculdades privadas

A dificuldade imposta pelo sistema de cotas e pela adoção do Sisu para ingressar na UnB tem levado mais candidatos a se inscreverem em vestibulares de instituições particulares do DF. Financiamentos do governo, como Fies e Prouni, também cresceram

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postado em 20/02/2015 11:01 / atualizado em 20/02/2015 11:11

Manoela Alcântara

Antonio Cunha
A concorrência para ingressar em uma instituição privada de ensino superior aumentou no Distrito Federal. Dois dos maiores centros universitários do DF relatam crescimento de 20% e 30% na procura pelo vestibular em 2014. Uma das explicações para o crescimento seriam as mudanças na forma de ingresso na Universidade de Brasília (UnB). Em 2013, a única federal pública da capital brasileira substituiu o vestibular tradicional do início do ano pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o que triplicou o número de inscritos. Adotou ainda o sistema de cotas para alunos da rede pública de ensino — que prevê reserva de 50% das vagas para esses estudantes a partir de 2016. Para este ano, serão 37,5%.


A dificuldade para ingressar na UnB aumentou em diversos cursos, principalmente para os estudantes que estão fora do recorte de baixa renda e racial. Em medicina, por exemplo, o número de candidatos por vaga em 2012 — antes da instituição da reserva — era de 90,93 no sistema universal. No segundo vestibular de 2014, subiu para 144,80. A concorrência também tem crescido em outros cursos de alta procura e refletido na migração para a rede privada. No UniCeub, a busca por uma vaga para formação de futuros médicos, advogados, arquitetos, engenheiros e psicólogos subiu consideravelmente. A média de aumento é de 30%. No Iesb, as inscrições para o vestibular cresceram após a instituição de cotas e do Sisu nos cursos de direito, engenharia civil, gastronomia e publicidade.

O secretário-geral do UniCeub, Maurício Neves, acredita que a alta concorrência leva os alunos a buscarem outras opções de ensino superior em Brasília. “Percebemos que o maior aumento na procura é no fim do ano, pois englobamos os alunos do PAS, do Sisu e das cotas. O movimento no vestibular aumentou e acredito que isso tenha ocorrido também em outros estados”, afirmou. No Iesb, em 2013, 15 mil pessoas se inscreveram para o processo seletivo. No ano seguinte, aumentou para 18 mil. “Os alunos que fizeram o Enem e não atingiram a pontuação necessária para entrar nas universidades públicas vão para as particulares”, pondera Eda Coutinho, reitora do Centro Universitário Iesb.

Dificuldade
Depois de fazer três anos de cursinho e bater na trave para o ingresso na UnB por diversas vezes, Bruno Rodrigues Gomes, 22 anos, decidiu concorrer a uma vaga na Universidade Católica de Brasília. Foi aprovado e hoje cursa o 1º semestre de arquitetura. Bruno fez todo o ensino médio em escolas particulares e acredita que o processo de ingresso atual beneficia quem tem mais estratégia de prova e não quem tem mais conteúdo. “Sempre cheguei muito perto de passar. Acho que as cotas, em geral, dificultaram a entrada nas universidades públicas porque elas fizeram com que a concorrência aumentasse. A quantidade de vagas já é muito pequena, e o governo usa as cotas como desculpa para essa baixa oferta”, acredita.

Os que ficaram de fora da lista da UnB e não tinham recursos para pagar as mensalidades, que em algumas instituições ultrapassam R$ 4 mil, também se viram contemplados por programas do governo de incentivo ao acesso ao ensino superior. O aumento das vagas no Programa Universidade para Todos (Prouni) e no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é considerado pelos gestores das instituições privadas como uma saída para esses candidatos.

Danielle Kaori Yokoyama, 19 anos, cursa o 3º semestre de direito na Unieuro por meio do Prouni. Ela fez todo o ensino médio em uma escola pública do DF e um ano de cursinho preparatório para o Enem. Embora tivesse a oportunidade de tentar ingressar em universidades públicas por meio das cotas, preferiu o sistema universal. “É muita burocracia”, justifica. Segundo ela, apesar dos pontos positivos das cotas, houve um aumento na concorrência e há falta de investimentos na educação pública. “A concorrência é imensa. Você passa anos fazendo cursinho e, no fim, acaba entrando na universidade particular.”

Na UnB, além das cotas para alunos da rede pública, existe a racial, que destina 5% das vagas para qualquer estudante negro, mesmo os que estudaram na rede privada. A Lei Federal Nº 12.711 foi aprovada por decisão do Congresso Nacional e o reitor da UnB, Ivan Camargo, afirma que vai cumpri-la da melhor maneira possível. “Faremos o que está dentro da lei, sempre tentando melhorar ao máximo a qualidade do ensino para o nosso egresso”, afirmou.

30%

foi o acréscimo de inscrições para o vestibular do UniCeub, se comparados os mesmos períodos de 2013 e 2014

450

pontos no Enem são necessários para o ingresso em instituições rivadas de ensino superior elo Fies e pelo Prouni

37,5%

das oportunidades do estibular e do Sisu na nB serão destinadas s cotas em 2015

50%

das vagas da UnB erão reservadas aos lunos da rede pública e ensino em 2016Colaboraram Mariana Niederauer e Roberta Pinheiro

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