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Início de ano conturbado na UnB

Departamentos sofrem com falta de material de escritório, saídas de campo de alunos foram suspensas por falta de gasolina para ônibus, e sindicato teme que 25% dos terceirizados percam a função. Crise na instituição é resultado de cortes no orçamento

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postado em 23/03/2015 10:29 / atualizado em 23/03/2015 19:02

Juliana Espanhol , Kelsiane Nunes /Especial para o Correio

Menos de um mês após o início das aulas do 1º semestre de 2015, a Universidade de Brasília (UnB) passa por dificuldades para oferecer condições de trabalho aos servidores, atividades aos alunos e serviços à comunidade. Em janeiro, o governo federal publicou decreto que corta um terço do orçamento mensal das universidades, e as consequências já podem ser sentidas. Falta material de escritório, como papel e toner de impressora. No Hospital Veterinário, as cirurgias estão suspensas, sem previsão de retorno, já que não há anestésico, luvas e outros itens básicos no estoque. Alunos tiveram saídas de campo canceladas porque a UnB está sem gasolina para abastecer os ônibus. A falta de combustível também afeta a poda da grama, já que os cortadores são movidos à gasolina. O mato alto pode ser observado em pontos do câmpus Darcy Ribeiro.


“O problema também atinge os trabalhadores. Calculamos uma previsão de corte de 25% dos terceirizados em 2015, diante da redução do orçamento”, afirma Mauro Mendes, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub). A entidade considera delicada a situação da UnB e estuda a possibilidade de entrar em greve este ano pela liberação de mais recursos para as universidades e para pedir aumento salarial.

Hospital Veterinário

O estudante do 6° semestre de audiovisual Thiago Maia, 23 anos, está preocupado com a cocker spaniel Vitória — cadela de 13 anos que está com tumor mamário — já que não consegue atendimento no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (Hvet/UnB), na unidade Hospital-Escola para Animais de Pequeno Porte. A instituição não está realizando nenhum procedimento cirúrgico por falta de anestésico. “Infelizmente, vou ter que esperar os medicamentos chegarem porque não tenho condições de pagar o procedimento em clínica particular”, afirma. Segundo o diretor do Hospital Veterinário, Antônio Raphael Neto, os estoques de materiais essenciais, como luvas, também está baixo. “Temos uma pilha de documentação para fazer a compra de artigos, mas, como a verba ainda não saiu, não é possível completá-la”, afirma.

Antonio Cunha

 

Falta de papel
No Instituto de Física (IF/UnB), faltam papéis que deveriam ser utilizados diariamente nos laboratórios. “Os estoques de folha A4 e toners para impressora estão baixos. Se não conseguirmos fazer as compras, podemos ficar sem até para imprimir as provas das disciplinas”, afirma a assistente de direção Ludmila Resende.

Antonio Cunha
A falta de papel também prejudica alunos de psicologia. Vitória Maria Mendes, 18 anos, estudante do 3º semestre, afirma que, no projeto de extensão Desenvolvimento de habilidades sociais para jovens superdotados, não foi feita a avaliação no início do semestre por falta de folhas. “Comprometeu completamente as atividades. Sem o teste, não temos como avaliar a diferença de habilidade dos participantes ao longo do tempo”, lamenta.

 

 

 

Sem gasolina
As alunas de agronomia Thaís Angélica Chamiço, 20 anos, e Jaqueline Passos, 19, tiveram as saídas de campo previstas em disciplinas da universidade prejudicadas por conta da falta de combustível para o transporte. “Semana passada, minha turma foi à fazenda Água Limpa — propriedade da universidade no Núcleo Rural Vargem Bonita, a 28km do câmpus Darcy Ribeiro — usando os carros dos alunos. Segundo professores, as aulas externas serão cortadas por falta de combustível”, relata Thaís.

Antonio Cunha
“Com a suspensão das saídas de campo, a gente perde a chance de ver, na prática, o que aprende na sala de aula”, opina Jaqueline. A colega Natália Echer, 19 anos, trabalha na fazenda da UnB e também se queixa. “Funcionários reclamam muito da falta de combustível, tanto para o transporte quanto para o maquinário. Tratores e trituradora de alimentos para os animais estão parados.”


Finanças
Segundo o decano de Planejamento e Orçamento da UnB, Cesar Augusto Silva, as dificuldades detectadas não são causadas exclusivamente pelo corte de orçamento. Silva argumenta que a falta de material relatada por servidores e alunos também se deve a um erro de cálculo no momento da compra. Com processos licitatórios demorados, muitos artigos ainda não estão disponíveis. “Fizemos adiantamento de orçamento de outros meses para fechar as contas de janeiro e fevereiro”, explica.

O gestor admite que não tem garantias de que terá dinheiro para pagar as despesas deste mês. “O Ministério da Educação liberou 1/12 de verba para as universidades públicas, mas, dado o volume de contas, é possível que isso não seja suficiente para fechar março. No início do ano, o governo federal repassou R$ 7,4 milhões a menos do que o normal à UnB”, explica. A Universidade de Brasília precisa de cerca de R$ 10 milhões mensais só para a manutenção da instituição, que cobre jardinagem, vigilância, Restaurante Universitário e aquisição de materiais.

Sobre a falta de gasolina, Silva conta que, até fevereiro, a UnB tinha contrato de fornecimento com uma empresa. Houve nova licitação, mas nenhum contratante apareceu. “Como o acerto cobre o ano todo, eles estão com receio de ter prejuízo caso o preço da gasolina volte a aumentar”, diz. “Não sabemos quando o problema será resolvido.”



R$ 10 milhões
Quantidade mensal necessária para a manutenção da UnB


R$ 1,5 bilhão
Quanto a UnB precisa por ano para funcionar


R$ 7,4 milhões
Valor não repassado à instituição no início do ano devido a cortes no orçamento

 

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