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UnB reduz os terceirizados

Com a diminuição da verba repassada para as empresas prestadoras de serviço, a universidade deve ficar sem 10% dos 2 mil funcionários de manutenção, limpeza, portaria, recepção e jardinagem. Haverá uma passeata hoje no câmpus da Asa Norte

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postado em 09/04/2015 13:22 / atualizado em 09/04/2015 13:24

Thiago Soares


 
"Os servidores já estão sobrecarregados. Se reduzir, vai piorar" Francisco José Targino, da Comissão de Trabalhadores Terceirizados

A redução de repasses financeiros do governo federal à Universidade de Brasília (UnB) coloca em risco o emprego de mais de 200 servidores terceirizados da instituição de ensino superior. Profissionais que atuam nas áreas de manutenção, limpeza, portaria, recepção e jardinagem seriam os mais afetados com o corte de R$ 1,5 milhão a menos no orçamento. Os trabalhadores saem hoje, às 11h, em passeata pelo Câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. O movimento tem apoio de parte da comunidade estudantil, que teme prejuízo aos serviços prestados.
Cerca de 2 mil terceirizados atuam na UnB. Segundo a categoria, a intenção da universidade é reduzir os postos de trabalho em até 25%. O integrante da Comissão de Trabalhadores Terceirizados Francisco José Targino alerta que os cortes afetariam não somente as famílias como todos os serviços prestados no local. “Os servidores já estão sobrecarregados. Se reduzir, vai piorar”, afirmou.

A área de copa foi uma das primeiras afetadas. Na semana passada, quase 30 trabalhadores foram dispensados. Os funcionários da portaria e da recepção seriam os próximos. “Estou com medo de ser mandado embora. Pago aluguel e sustento a família. Está difícil trabalhar assim, com a possibilidade de um dia amanhecer sem emprego”, queixou-se um servidor que trabalha há cinco anos na UnB. “É uma crueldade demitir tanta gente. Estão mandando embora até aqueles que estão a ponto de se aposentar”, denunciou um terceirizado da jardinagem.
O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Mauro Mendes, esclareceu que os novos contratos são afetados com os cortes. “Nós defendemos o emprego. Os trabalhadores não podem pagar essa conta. Se houver mais dispensa, os servidores serão os maiores prejudicados. A universidade está com mais alunos e prédios. O que ficarem não aguentariam a demanda.” Ontem, a categoria entregou à Reitoria uma pauta de reivindicações.

O prefeito da UnB, Marco Aurélio Gonçalves, explicou que os cortes representariam uma redução de 10% no quadro de terceirizados — e não de 25%, como afirma o sindicato. Ele justifica que a medida ocorrerá em virtude da diminuição de repasses do governo federal à instituição. Segundo Marco Aurélio, o MEC teve, neste ano, o maior contingenciamento das despesas de custeio, com corte de quase R$ 600 milhões nos gastos não obrigatórios. Com isso, tirou-se R$ 7 bilhões da educação. “Estamos readequando os contratos conforme essa nova realidade. A UnB não demite servidores. A nossa relação é com a empresa no qual temos contrato”, explicou.

Quatro companhias são responsáveis pelos terceirizados na UnB. O Sindicato das Empresas de Serviços Tercerizáveis (Seac-DF) ainda desconhece os cortes nos contratos da universidade. “Se realmente houver uma redução, tem de ser avaliado o quanto os trabalhadores que permanecerem serão prejudicados. Quando isso acontece, as empresas buscam remanejar os servidores em outros contratos. Os acordos e a lei estabelecem que os contratantes, no caso a UnB, podem reduzir em até 25%”.


Assembleia deixa alunos sem aula

Professores da rede pública do Distrito Federal se reúnem em assembleia, hoje, às 9h30, na Praça do Buriti. A categoria reivindica a adequação do plano de carreira dos servidores da educação. “Somos a categoria de menor salário. Queremos que os nossos vencimentos sejam equiparados com outros profissionais de nível superior do governo”, afirma a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) Rosilene Correa. Outras reivindicações: plano de saúde e reajuste de 77% no tíquete-alimentação. Além disso, os trabalhadores pedem agilidade no processo de encaminhamento do Plano Distrital de Educação para a Câmara Legislativa. Em virtude do encontro, as aulas estão suspensas em todas as escolas públicas nesta quinta-feira.

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