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ACIDENTE NA CHAPADA »

Corpo de estudante é enterrado em Luziânia

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postado em 27/07/2015 11:10 / atualizado em 27/07/2015 11:11

Camila Costa

“Um sereio. Apaixonado por água.” É assim que os amigos de Moacir Kildery dos Reis, 22 anos, descrevem o rapaz. O estudante do 10º semestre do curso de agronomia da Universidade de Brasília (UnB), mesmo acostumado com as cachoeiras da Chapada dos Veadeiros (GO), foi traído pelas águas que tanto amava. Em um passeio com amigos, na última sexta-feira, o jovem se afogou. O enterro foi às 17h de ontem, no Cemitério Jardim da Consoloção, na saída da cidade de Luziânia, onde Kildery nasceu. A tragédia com o jovem aconteceu na Catarata dos Couros — formada em meio a um enorme paredão de pedras.

Esse foi o segundo acidente grave na região em menos de uma semana. Em 19 de julho, um turista de São Paulo quebrou três costelas, fraturou três vértebras e perfurou o pulmão após saltar de uma tirolesa em uma cachoeira a 64km de Alto Paraíso. O rapaz, de 25 anos, teria pulado na água e, em seguida, atingido uma pedra (leia a Memória).

Kildery tinha o hábito de ir à Chapada. Nadar era um dos principais hobbies do rapaz. Sabia o que estava fazendo ao entrar nas na região do Rio dos Couros. A sequência de corredeiras do rio forma, ao todo, quatro cataratas, além de cachoeiras e poços. De acordo com relatos de amigos, Kildery pegou uma trilha pela água e, ao voltar, caiu em um buraco. Uma amiga que estava com ele tentou ajudar, no entanto, ela não aguentou o peso do rapaz. A menina fez gestos para os outros amigos, que pensaram ser uma brincadeira. Quando perceberam a gravidade da situação e foram ajudar, Kildery já havia afundado. O acidente foi à tarde, mas o corpo foi retirado do local apenas às 21h de sábado.

O jovem deixará uma característica marcante: o abraço. “Em qualquer lugar, ele dava aqueles abraços que fazia você se esquecer de tudo. Era sempre muito carinhoso. Uma perda muito grande”, lamentou Guilherme Aguiar Silva, 24 anos, estudante de comunicação da UnB e um dos melhores amigos de Kildery. Os dois moravam juntos na comercial da 409 Norte, com mais quatro colegas. Kildery e Guilherme vieram, com outro amigo, de Luziânia — cidade goiana a 60km de Brasília — para estudar na UnB. Kildery se mudou primeiro e os amigos chegaram em março de 2013. “Era a pessoa mais alegre que eu poderia ter conhecido na vida. Gostava muito de festa, tinha muitos, muitos amigos, era bonito e de um carisma que fazia com que todos gostassem dele”, lembrou Guilherme. A família de Kildery — pai, mãe e mais três irmãos — mora atualmente em Catalão.

Cuidados

Em sites na internet, de grupos de viajantes e de mochileiros, sempre há o alerta de cuidado para os riscos de afogamento, entre as dicas de turismo na Chapada dos Veadeiros. Em um dos endereços eletrônicos, lê-se uma recomendação para que as pessoas entrem na água apenas onde houver aviso de permissão, pois o risco de afogamento na correnteza entre as pedras é alto. A reportagem do Correio procurou o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Goiás, no entanto, ninguém foi encontrado para comentar o acidente.

Segundo dicas do Centro de Treino Operacional do Corpo de Bombeiros do DF, nesses casos, é importante manter alguém que não vai ao passeio avisado dos horários do grupo para, em caso de acidentes, comunicar às autoridades. “Se for fazer alguma atividade, é importante ter habilidade e, se não tiver, precisa estar acompanhado de alguém que tenha. No mais, não ingerir bebidas alcoólicas, não mergulhar em locais desconhecidos, onde não há condições de avaliar o fundo e a correnteza, por exemplo”, reforça o capitão do Centro Operacional, Eduardo Furquim Freira da Silva.

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