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Educação

Reitor da UnB defende parcerias privadas como forma de garantir pesquisas

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postado em 27/10/2015 11:42

Agência Brasil

O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, disse que conseguiu garantir, na última semana, os recursos para custeio da universidade até o fim de 2015, após longa negociação com o Ministério da Educação.

 

À frente da instituição desde 2012, Camargo disse que os cortes nos orçamentos das universidades públicas este ano prejudicaram ainda mais a UnB, que há alguns anos já estava com as contas desequilibradas em termos de custeio, “gastando mais do que podia e investindo pouco”.

 

A UnB é uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, com 107 cursos de graduação e 170 de pós-graduação. Atualmente, a universidade tem 36.944 estudantes de graduação matriculados, 8.125 alunos em cursos de pós-graduação e cerca de 2.500 docentes. A universidade tem 4 campi no Distrito Federal, ocupando uma área de 4.787.449 m².

 

Durante a conversa, o reitor falou sobre a necessidade de investimentos em instalações físicas e de parcerias com a iniciativa privada como uma saída para que as universidades públicas diversifiquem as fontes de receita para pesquisa no país e garantam recursos mesmo em tempos de crise econômica.

 

Este ano, Camargo enfrentou a paralisação de trabalhadores técnico-administrativos que durou 133 dias. A greve comprometeu serviços como a emissão de documentos para docentes e alunos e o acesso à biblioteca, que ficou aberta em horário reduzido e sem emprestar livros. A principal demanda da categoria era a reposição das perdas salarias dos últimos anos, mas eles também pediam mais recursos para as universidades – além dos funcionários da UnB, servidores de mais 64 instituições federais fizeram greve e voltaram a trabalhar no dia 8 de outubro.

 

Doutor em engenharia elétrica, Ivan Camargo começou a atuar como professor da UnB em 1989. Durante entrevista concedida à Agência Brasil, ele disse que a instituição está entre as 500 melhores universidades do mundo, mas avalia que poderia ocupar uma posição melhor. “Estamos na capital do Brasil, deveríamos estar entre as 100 melhores, pelo menos. Precisamos dar um salto.”

 

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:


Agência Brasil: Falta dinheiro para a Universidade de Brasília?
Ivan Camargo: Falta. Pesquisa é muito cara e as nossas universidades públicas carecem de dinheiro para investimentos. As instalações físicas das universidades no mundo inteiro são muito melhores que as das brasileiras. Atualmente, pegamos quase todo o nosso orçamento e gastamos no custeio, conseguimos liberar pouco dinheiro para investimentos em laboratórios, por exemplo. Uma universidade do tamanho da UnB deveria ter, pelo menos, três ou quatro restaurantes universitários e só tem um, superlotado. Tinha que ter cinco vezes mais alojamentos, porque hoje a gente não consegue fazer esse atendimento aos nossos estudantes, que são brilhantes, mas as condições físicas da universidade estão muito deterioradas. As universidades precisam reverter essa matriz. Colocar mais dinheiro em investimento e ser muito cautelosas em gastos de custeio. Este ano é um ano particular, com um orçamento muito contingenciado. Tivemos corte de 10% no custeio e de 50% no investimento. Tínhamos algo em torno de R$ 50 milhões para investir em equipamentos e obras e vamos investir cerca de R$ 20 milhões. É frustrante.

 

Agência Brasil: Quais são os caminhos para que as universidades públicas garantam recursos para investimentos?
Camargo: Hoje estive com o reitor de uma universidade pública francesa e ele insiste que o sucesso dos laboratórios de sua universidade se deve a uma enorme parceria com a iniciativa privada. Ele citou que não é só repasse de recursos para manter o laboratório funcionando. Em algumas universidades de lá, há empresas que cuidam da manutenção e do negócio do laboratório, e as pesquisas de alunos e professores são feitas nesses espaços compartilhados. As universidades públicas do Brasil precisam radicalizar nessas parcerias com a iniciativa privada, porque pesquisa custa caro. O que é dramático é que, crises fiscais, nós já enfrentamos muitas, mas sempre que acontece uma crise dessas, as universidades param. A gente precisa diversificar as fontes de receita para pesquisas nas universidades públicas.

 

Agência Brasil: Quais são os maiores obstáculos para que essas parcerias sejam feitas?
Camargo: São várias as dificuldades. Em alguns casos você conseguir a parceria com uma empresa, por exemplo, não significa muito, porque quando o dinheiro entra e vira público, o uso do recurso perde agilidade. O dinheiro fica sujeito a muitas regras. Temos que ter, de fato, cuidado e controle com o recurso público, mas é preciso dar mais agilidade ao funcionamento da universidade para continuarmos evoluindo. A Universidade de Brasília evoluiu muito nos últimos anos e está entre as 500 melhores do mundo, mas não podemos achar isso razoável. Estamos na capital do Brasil, deveríamos estar entre as 100 melhores, pelo menos. Precisamos dar um salto.

 

Agência Brasil: Ainda existe a ideia de que a parceria entre empresas e universidades públicas pode direcionar as pesquisas para interesses privados, perdendo o foco no cidadão?
Camargo: Infelizmente, alguns setores ainda acreditam nisso. Há entre o corpo docente, inclusive, quem acredite que existe uma dicotomia, que isso seria privatizar a universidade. Eu não acredito nisso, penso totalmente diferente. Nas universidades públicas do Brasil, os professores têm uma independência e liberdade enormes, eles definem qual a linha da pesquisa que vão conduzir. E esse apoio externo só facilita.

 

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