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Correio Braziliense

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Prontos para ajudar

A tragédia em Mariana (MG) comprova o que muitos já sabem: o brasileiro é solidário. Aqui no DF, uma estudante arrumou as malas e seguiu para a cidade mineira, onde se tornou voluntária. Grupo de brasilienses se organiza para levar água potável à região

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postado em 15/11/2015 15:54

Rafael Campos , Roberta Pinheiro

Carlos Vieira

A estudante da Universidade de Brasília (UnB) Jéssica Ferreira, 24 anos, passou a infância ouvindo sobre a possibilidade de a barragem construída em sua cidade, Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, se romper. O temor não se transformou em realidade, mas isso não a impediu de sair da capital do país para ajudar os moradores de Mariana, cidade mineira que enfrenta uma tragédia após o rompimento das barragens do Fundão e Santarém, da Mina do Germano, propriedade da Samarco.

O receio de menina motivou a jovem a fazer diferente. “Cheguei à cidade dois dias após o desastre. Quando vi o que aconteceu, não consegui pensar em outra coisa a ser feita. Fiquei muito comovida”, explica a jovem. O cenário desolador que viu só não era menor que a falta de informações, tanto para os voluntários quanto para os moradores atingidos. “A mineradora não nos deixava chegar perto de nada. Só depois, pudemos conversar com quem vivia lá. E o principal problema era a falta de água”, relata.

Jéssica não foi a única moradora do Distrito Federal que decidiu se envolver diretamente na tentativa de reduzir o drama que acontece em Minas Gerais. O jornalista Cristiano Porfírio, 42, está montando um grupo em Brasília para levar água potável até a cidade de Governador Valadares. Mesmo distante mais de 300km de Mariana, o município ficou sem água depois que os rejeitos de minério de ferro tomaram conta do rio Doce, que abastecia o local. “Estão sendo divulgadas poucas informações sobre o que realmente está acontecendo. Um amigo que mora na cidade foi quem me avisou da gravidade da situação. Foi quando decidi encabeçar esse movimento.”

Não é a primeira vez que Cristiano se envolve para ajudar vítimas de tragédias como essa. Ele já havia doado valores em favor dos moradores da Região Serrana do Rio, em 2011, quando uma enxurrada matou centenas de pessoas. “Mas essa é a primeira vez que lidero um movimento.” No momento, o jornalista conversa com os interessados sobre a melhor forma de enviar as doações e garante que muitos demonstraram que querem ajudar. “Precisamos definir uma logística: primeiro, para saber onde as pessoas podem deixar a água. Depois, sobre qual a melhor forma de entregá-la”, completa.

A Vale do Rio Doce, sócia-proprietária da Samarco, garantiu que vai enviar 50 caminhões-pipa até Governador Valadares, com capacidade para cinco mil litros. Contudo, o município, que tem 296 mil habitantes, precisa de, pelo menos, seis vezes mais do que o prometido para garantir o abastecimento.

A secretária Tarsia Chacon, 22, ofereceu até mesmo sua casa para assegurar auxílio. “Moro em um local que tem um poço artesiano e tenho água em abundância. Quero poder fazer algo por quem está passando por essa situação.” Para a jovem, a hora é de abrir os olhos e entender a necessidade de quem precisa, seja ela do DF, seja de outro estado do país. “Eu me sinto feliz de poder tomar essa iniciativa”, garante.

Conforto
De acordo com o subsecretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, em situações como a de Mariana e de outros municípios de Minas Gerais, muitas pessoas se mobilizam para ajudar o próximo. “Em função da história de vida de cada um ou mesmo por crenças religiosos, as pessoas se sensibilizam, se identificam e acabam nos procurando para prestar um socorro da forma que podem”, conta. No entanto, o subsecretário alerta que é preciso ser cauteloso em momentos como esse. Não adianta doar algo de que aquela comunidade em específico não precisa, pois isso pode gerar mais transtorno. “Ajuda humanitária é algo delicado. Temos que ajudar na exata medida em que o gerenciamento do socorro lá nos pede”, explica.

Esse foi o trabalho principal de Jéssica nos dias em que esteve na cidade mineira. “Passei o dia separando roupas e calçados que pudessem ser doados.” Ela garante que se ver em um cenário tão trágico pode ser angustiante, mas que ficar parado é bem pior. “Muitas vezes, me senti impotente. Só que a experiência pessoal é importante, principalmente quando lidamos com as pessoas e elas demonstram o quanto ter quem se importe com elas faz diferença”, frisa.

Vânia Gonçalves, funcionária da Prefeitura de Mariana, garante que, apesar da dor, se impressionou com a capacidade do brasileiro em ajudar. As doações, que estão vindo do país inteiro, não mudam o cenário, mas trazem algum conforto. “Estamos recebendo alimentos, roupas, calçados, leite, fraldas. São tantas doações que, no domingo, vamos montar um grupo para direcionar ainda melhor para onde cada contribuição vai”, afirma.


Danos
No último dia 11 de novembro, o Ministério da Integração Nacional reconheceu a situação de emergência na região de Bento Rodrigues, que faz parte do município de Mariana e foi o principal ponto atingido pelo rompimento das barragens. Isso facilita a aquisição e a distribuição de alimentos, além da realização de obras emergenciais. Durante coletiva de imprensa, a presidente Dilma Rousseff garantiu que a Samarco será multada em R$ 250 milhões por dano ambiental e comprometimento da bacia hidrográfica, dano ao patrimônio público e pela interrupção da energia elétrica.


Pontos de arrecadação

Brasília

Cristiano Porfírio está angariando voluntários para levar água potável até Governador Valadares. Informações: (61) 9919.5322

Belo Horizonte
» Sede da Cruz Vermelha Brasileira — Filial Minas Gerais (CVB-MG), Alameda Ezequiel Dias, 427, Centro, na região hospitalar. Informações: (31) 3239.4211 ou (31) 3239.4223 Sugestão: Água mineral

Mariana
» Para doações fora do município, a Prefeitura de Mariana disponibiliza uma conta bancária no Banco do Brasil pelo CNPJ: 18.295.303/001-44, Agência: 2279-9, Conta-corrente: 10.000-5

Ouro Preto
» República Doce Veneno — Rua Argemiro Sanna, 21, Bairro Barra. Telefone: (31) 3551-3816
» República Snoopy —  Rua Conde de Bobadela (Rua Direita), 159, Bairro Centro. Telefone: (31) 3552-2859
» República Palmares — Câmpus Universitário, 4º ala, Casa C, Bairro Vila Operária. Telefone: (31) 3551-3372

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