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Em Crise

UnB pode atrasar pagamento de bolsas para alunos de baixa renda

Estudantes reclamam da falta de transparência da reitoria sobre o impacto do Decreto nº 8.580/2015 no orçamento da universidade

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postado em 03/12/2015 16:52 / atualizado em 03/12/2015 19:43

Jéssica Gotlib /Especial para o Correio

Desde a tarde de ontem uma informação tumultuou o grupo do Facebook que reúne 2,6 mil estudantes bolsistas da Universidade de Brasília (UnB). O texto, publicado por uma das integrantes [veja a versão completa nas imagens abaixo], informa que o decreto impede a UnB de realizar qualquer pagamento desde 27 de novembro de 2015, com exceção de servidores públicos federais ativos e inativos. Assim, o problema afetaria não só os bolsistas, como também terceirizados, estagiários e empresas que tenham contrato com a universidade.

Arquivo pessoal/Facebook
Os estudantes se preocupam porque muitos deles são de outros estados e dependem quase exclusivamente dos auxílios socioeconômicos concedidos pela universidade para morar e estudar no Distrito Federal. “Até agora não recebemos nenhum comunicado oficial da UnB sobre alteração no pagamento das bolsas. E isso é horrível, porque não nos dá nem a chance de procurar uma alternativa”, diz Airton Rener, do 9º semestre de ciências ambientais.

Airton lembra que os atrasos de pagamento são comuns na universidade, mesmo quando não existem causas notáveis, como o decreto, e que a falta de transparência é o maior transtorno. “No semestre passado tive minha bolsa cortada por problemas com a renovação. Toda vez que eu ia à Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS) uma das atendentess me dava uma informação diferente. Acabou que os servidores entraram de greve e eu fiquei sem dinheiro. Tive até que faltar algumas saídas de campo para fazer bicos. Esse problema não existiria se eles nos dessem informações claras”, conta.

“Eu recebo a bolsa-moradia e o auxílio socioeconômico e estou assustada porque dependo dessas duas bolsas para pagar meu aluguel”, comenta Taís Sany de Lima, do 1º semestre de turismo. Nos comentários do Facebook, pelo menos 60 alunos se manifestaram com relatos semelhantes [veja alguns nas imagens abaixo].

Ontem foi aprovado no Senado o novo limite fiscal que, a princípio, derruba as restrições do Decreto nº 8.580/2015. Mesmo assim, os estudantes marcaram para hoje (quinta-feira, 3), às 17h, uma reunião para debater possíveis soluções e cobrar mais informações da reitoria. “Não temos a certeza [quanto aos pagamentos] e é muito provável que mais uma vez as bolsas atrasem, tanto pelos trâmites legais do orçamento quanto pelo descaso que a universidade tem pelo programa de assistência e permanência de alunos de baixa renda”, explica Gabriela Rodrigues, uma das organizadoras do evento.

 

Atualização

 

O decano de Planejamento e Orçamento, professor César Tibúrcio, afirmou que a possibilidade de atraso é real. “É um problema que não depende da universidade nem do Ministério da Educação (MEC), mas do cenário político. O governo conseguiu a aprovação da lei que altera a meta fiscal, mas o decreto ainda não foi revogado. Não é um problema só nosso, é de todo o serviço público e não atinge só as bolsas dos estudantes, mas também o pagamento a pessoas jurídicas e terceirizados”, explica. O decano afirmou ainda que não existe dinheiro disponível em caixa para um plano de contingenciamento emergencial e que a universidade não está pensando em estratégias para abrandar os problemas com um possível atraso no pagamento de aluguéis e outras contas. ”Nós temos até o 5º dia útil do mês para fazer o pagamento e eu prefiro acreditar que não haverá atraso. Acredito que até lá deve haver liberação parcial dos recursos e salários e bolsas terão prioridade”, complementa.

 

 

 

 

 

 

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