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Dos 10 cursos mais concorridos da USP, seis não têm nenhum negro

Hugo Nicolau, aluno de geografia, elaborou estudo sobre composição racial da instituição. Pesquisa demonstra que negros são maioria apenas entre trabalhadores terceirizados na universidade

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postado em 06/01/2016 09:12 / atualizado em 06/01/2016 16:09

Brasil de Fato

 

"A Universidade de São Paulo é branca, seus alunos e professores são brancos, os negros são minoria na USP. Os negros só são maioria entre os funcionários terceirizados da limpeza, segurança, alimentação, com condições de trabalho precárias, atraso de salários e outros ilegalidades denunciadas inúmeras vezes pelos funcionários e pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP", diz estudo que retrata a distribuição espacial de negros na Universidade de São Paulo.

"Onde estão os negros na USP?" publicado no blog Desigualdades Espaciais, é um conjunto de mapas que apresenta a distribuição racial na instituição. Feito pelo estudante de geografia Hugo Nicolau, o estudo constatou que o número de negros na Universidade de São Paulo é ainda muito desproporcional em relação à sociedade em geral.

Onde estão os negros da USP/Reprodução
Através da análise de dados do vestibular da Fuvest, da Prefeitura de São Paulo e do IBGE, Nicolau distribuiu por cor a comunidade da USP no mapa da universidade.

Em 2010, 77% dos alunos que ingressaram na universidade eram brancos, 10% pardos, 10% asiáticos e apenas 2% eram pretos.

"Em todos os cursos, com exceção de geografia, têm mais asiáticos do que negros. Os asiáticos correspondem a 1% da população de São Paulo, os negros são 34%, e na USP a quantidade de negros, pardos e pretos, se equivale a de asiáticos", diz Nicolau.

Ainda que todas as universidades federais do país e algumas estaduais tenham implementado o sistema de cotas, a USP reluta em implementar o programa que reserva vagas para negros e conta apenas com uma bonificação na nota final.

O Inclusp e o Pasusp dão um acréscimo de 15% na nota da Fuvest para alunos do ensino público e 5% a mais se o estudante estiver incluído “no grupo PPI” - raça ou cor preta, parda ou indígena .

Facebook/Reprodução
Para Nicolau, "um bônus de 5% no resultado final do vestibular é insignificante, pois não é suficiente para igualar o nível de quem teve um ensino fundamental e médio deficientes com quem sempre estudou nas melhores escolas".

"A minha conclusão é que essas políticas de inclusão são só para mostrar que existem, mas elas não funcionam. A relutância em implantar o sistema de cotas está no fato de ser uma universidade elitista, assim, apenas a elite de São Paulo e do país tem acesso à USP", conclui o estudante.

Ainda segundo o estudo, dos dez cursos mais concorridos do vestibular da instituição, seis deles não possuem nenhum negro. Para tentar mudar esse quadro, grupos como o Ocupação Negra e a Frente Pró-Cotas cobram da universidade um posicionamento positivo em relação ao sistema de cotas.

O Ocupação Negra, criado em 2015, realiza intervenções durante as aulas e a ideia, segundo Marcelo Moreira, é "primeiro fazer a denúncia do racismo institucionalizado e cobrar de maneira forte da instituição, dos professores e dos alunos de que a gente precisa das cotas raciais como uma ferramenta de ação afirmativa para modificar essa situação. Queremos cotas raciais, e quando falamos isso, a gente quer o ingresso de no mínimo 35% de alunos negros na USP."

Moreira critica o fato da universidade ter se tornado "um centro de poder e um privilégio para poucos". Para ele, "desde sua criação, a USP era destinada para uma elite branca, para que esta tivesse a dominância intelectual do nosso país. Nesses 80, anos isso só se cristalizou. Há uma forte resistência dessa elite, para que haja a manutenção desses privilégios".

 

Conteúdo original pelo site.

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