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Hospitais universitários

Apoio psicológico a novas mães diferencia maternidades da rede

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postado em 07/01/2016 19:15

Portal MEC

Maternidades filiadas à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) têm planejado serviços de atendimento psicológico em todas as etapas que envolvem o nascimento de uma criança. O objetivo é conscientizar pais e familiares sobre os novos desafios, prevenir doenças psicológicas e realizar o acompanhamento pós-gravidez de risco. A medida também busca prevenir ou diagnosticar depressão pós-parto, além de abordar dificuldades cotidianas. Todas as etapas envolvem mães, pais e familiares.

 

Na Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal, os profissionais realizam atendimentos individuais e rodas de conversa. No local, cinco psicólogas fazem intervenção nos setores com cuidados específicos em gravidez de risco, área em que a unidade é referência no estado.

 

“É preciso entender que a mulher necessita ser acolhida nesse período de grandes mudanças. Ela se sente feliz por estar grávida, mas também tem sentimento de perda porque profissionalmente se afasta do trabalho”, destaca a psicóloga Mariana Carvalho.

 

A professora Vanessa Conceição do Nascimento, de 37 anos, chegou à maternidade com pressão alta e perda de líquido amniótico. Classificada com gravidez de risco no seu sétimo mês de gestação, está internada na UTI Materna, onde recebe atendimento psicológico. O acompanhamento se torna ainda mais importante porque essa já é a terceira gravidez da paciente, que teve aborto espontâneo nas duas primeiras.

 

“Eu tenho uma má formação uterina, chamada de útero bicorno. Nas minhas duas gestações, o feto se desenvolveu na cavidade menor do útero, por isso eu o perdi. Agora, quando descobri essa gravidez, eu tomei um susto e um filme passou na minha cabeça. Além do medo de perder novamente, é a primeira vez que consigo chegar aos sete meses", disse.

A paciente relata que, além do medo e angustia, sente muita ansiedade e falta de paciência, o que melhorou ao chegar à maternidade. "Depois que cheguei me tranquilizei, pois sei que aqui é referência em gestação de alto risco. Ser assistida pela psicóloga tem me ajudado muito e me fortalecido, não me deixando entrar numa depressão", contou.

 

Orientação ­– Na Maternidade Climério de Oliveira, em Salvador, os serviços incluem assistência no ambulatório pré-natal, principalmente em casos de alto risco; acompanhamento extra-hospitalar em casos de aborto; equipes de psicólogos de plantão e atividades nas enfermarias com as pacientes internadas.

 

“Acreditamos que muitos desses pacientes e familiares que chegam à maternidade só terão encontro com o psicólogo durante o internamento no hospital, devido a uma rede externa precária que ofereça esse suporte gratuito ou pela impossibilidade financeira de sustentar o suporte particular”, ressalta Priscilla Veloso, psicóloga da Climério de Oliveira.

Priscilla ressalta que a experiência do parto é marcada por diversas passagens, dentre elas, a mudança de posicionamento na família: a filha vai para o lugar de mãe; a mãe para avó; o filho para pai; o pai para avô; o bebê desconhecido e imaginado para o bebê real.

 

Ações – O diferencial está em planejar ações que envolvam vários setores em um hospital de forma humanizada, considerando o conhecimento específico de cada profissional, como na preparação de cirurgias, formas de lidar com o paciente, fortalecimento do vínculo com o bebê, assistência no trabalho de partos e preparação para alta, por exemplo.

“Muitas vezes nem elas sabem ou percebem uma queixa evidente, mas à medida em que a conversa se desenvolve, isso pode ser detectado. Em outros casos, elas vêm com uma demanda mais específica e as equipes podem trabalhar focadas nesse problema”, destaca a psicóloga Caroline Lemos, da equipe da Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal.

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