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Alunos da Católica continuam com problemas no Fies

Estudantes da universidade enfrentam problemas no sistema e não conseguem dar andamento ao pedido de renovação do financiamento

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postado em 17/02/2016 19:12 / atualizado em 19/02/2016 16:33

Cerca de 90 estudantes da Universidade Católica de Brasília (UCB) tiveram uma surpresa na última quinta-feira (11). A pré-matrícula nas disciplinas do primeiro semestre de 2016 foi cancelada, sem aviso prévio, devido a problemas com o aditamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), quatro dias antes do início das aulas. O ocorrido foi constatado através do portal do aluno da universidade. Por conta disso, os estudantes não têm vaga garantida nas disciplinas que deveriam cursar, mas podem comparecer às aulas. 

 

Os estudantes, que procuraram representantes da Católica para discutir a situação, foram informados que a União Brasiliense de Educação e Cultura (Ubec), organização responsável pela parte financeira da universidade, decidiu bloquear a matrícula de todos os alunos do Fies que não estavam com o aditamento em dia. Porém, não foi levado em conta casos em que o processo não estava em dia por culpa da faculdade ou do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 

 

Arquivo Pessoal
Estudante do 8º semestre de jornalismo, Pedro Costa, 20 anos, é um dos que sofre com a situação. Desde o segundo semestre de 2014, ele não consegue regularizar a situação de cadastro no Fies. O aluno conta que, na primeira vez em que teve problemas com o fundo, a universidade alegou que havia um problema na atualização de valores. Ele então procurou o atendimento da instituição e uma funcionária abriu um chamado para regularizar o processo do aluno. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) respondeu à solicitação afirmando que o código do curso em questão estava desatualizado e que seria necessário enviar o novo código, além do nome dos alunos que recebiam o benefício do Fies e estavam tendo problemas. Rafael Timbó, presidente da Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da Universidade, fez a solicitação de alteração dos códigos, em 5 de setembro de 2014. Os cursos que apresentavam problemas eram o de comunicação social, pedagogia e letras. No documento constava o nome de 42 alunos com a situação irregular. Os estudantes não souberam se a Católica obteve uma resposta do pedido. 

 

Indignação 

Quase um ano e meio depois da solicitação, os estudantes continuam sem uma solução. “Chegou a um ponto em que está insuportável. Já são quatro semestres que eu penso que estou fazendo o curso de idiota, porque não vou conseguir pegar meu diploma e a universidade não me dá uma posição assertiva se vai resolver ou não, só deixa respostas em aberto”, reclama Pedro. Além dos problemas educacionais, o estudante se preocupa com a questão financeira. “Se eu não conseguir acertar esse problema, vou ter que pagar, diretamente para a Católica, um valor referente ao período já cursado. Isso equivale a quase 40 mil reais, é um valor fora da minha realidade, não teria condições”, teme. Segundo ele, mesmo com a irregularidade da situação, ele continua a fazer o pagamento, a cada três meses, da taxa do Fies. 

 

Arquivo Pessoal
Mesmo estando inscrito no Fies, Jadson Magalhães, 23, teve que pagar a matrícula da faculdade no começo do ano passado para continuar frequentando as aulas. “Eu entrei em contato com o FNDE e eles disseram que esse tipo de coisa não era para acontecer, porque se a pessoa faz Fies é porque não tem dinheiro para pagar as mensalidades.” Apesar disso, a universidade está cobrando novamente o boleto de matrícula. Os problemas do estudante do 7º semestre de publicidade e propaganda também começaram em 2014, quando um erro no sistema da instituição relatou que o aluno não teria feito o aditamento, mas o processo havia sido efetuado. “Só consegui regularizar minha situação na metade do ano passado. Além disso, tive complicações com a questão da renda do fiador, que aparecia superior ao permitido. Todo ano é algo diferente, esse é o último ano de curso e eles não fazem nada para ajudar.” Segundo Jadson, quando ele busca soluções para o transtorno, a universidade e o FNDE empurram a responsabilidade uma para a outra. 

 

Arquivo Pessoal
A falta de organização da universidade vem causando estresse para Marina Silva, 23. A jovem, que cursa o último semestre de jornalismo, reclama da falta de informações. “Sempre existe uma dificuldade em organizar o que precisa ser aditado e isso acaba prejudicando os alunos. Você perde muito tempo e dá um certo desânimo em relação ao curso.” Ela ainda afirma que chegou a perder um ano do contrato do Fies por conta de um erro da instituição. “Durante um semestre, eu tive um problema de saúde e acabei reprovando. Mostrei todos os atestados, comprovando minha condição, e a Católica falou que perderia o financiamento. Entrei em contato com o FNDE e eles disseram que eu não poderia perder por conta disso”, explica. Por causa dessa confusão, a estudante teria que pagar o último semestre do curso, cenário para o qual ela já havia se preparado: ela conseguiu um trabalho para custear a despesa, mas  por conta das pendências do Fies nos últimos semestres, Marina não conseguiu gerar o boleto para este ano. Na tentativa de resolver o problema, a moça comparece ao FNDE uma vez a cada duas semanas, desde o ano passado. “Espero resolver para conseguir me formar. Eles informaram o porquê da minha matrícula ter caído, mas não me deram soluções”, desabafa. 

 

Arquivo Pessoal
Aparentemente, a lista de cursos com problemas de código no sistema do Fies aumentou desde de 2014. Agora, estudantes de biologia também enfrentam dificuldades com o aditamento. É o caso de Lukas Brayan, 19, que cursa o 5º semestre. Ele passou pela mesma situação de Pedro e Jadson — problemas com o código e sem respostas concretas da Católica. “No primeiro dia de faculdade vi que nenhuma das disciplinas estava aparecendo no site, achei estranho, mas como o portal estava passando por atualização achei que seria por isso.” Ao comentar a situação com amigos, Lukas percebeu que outros estavam com o mesmo problema e, ao indagar a instituição, a resposta foi: complicações com o aditamento. “Estou muito mal, tenho medo de perder o semestre. Já pensei até em trocar de faculdade por causa disso. Vou tentar ir ao FNDE para resolver.” Além da preocupação com o curso, a universidade está cobrando o pagamento de mensalidades proporcional ao tempo cursado. 

 

Resposta  

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) informou, através da assessoria de imprensa, que os estudantes teriam novo prazo para realizar o aditamento, referente ao 2º semestre de 2015, de até dez dias da data da liberação no SisFies, conforme previsão dada pela Portaria Normativa º 30, de 4 de fevereiro de 2015. Procurada pela reportagem, a  assessoria de imprensa da Universidade Católica garantiu que já colocou em prática todas as atitudes, pertinentes à instituição, para a resolução do problema e que a situação dos estudantes será regularizada ainda neste semestre. Também foi informado que os alunos não serão prejudicados, nem precisarão pagar pelo curso. 

 

Leia abaixo a nota na íntegra: 

“A Universidade Católica de Brasília informa que a situação dos estudantes será regularizada e, os mesmos, não terão que pagar pelo curso. Para isso, após a resolução do problema do erro de código, será necessário concluir as etapas de validação da inscrição e assinatura do contrato, junto ao agente financeiro referente ao período em questão.


Todas as atitudes por parte da UCB foram tomadas. Porém, a regularização depende da atualização da parametrização sistêmica nos códigos dos cursos, no SisFIES. A previsão para correção do código é que neste 1º semestre de 2016 toda a situação seja resolvida. Para solucionar a questão acadêmica e frequentar as aulas, o estudante precisa ir ao ATENDE (Atendimento Diferenciado ao Estudante), localizado no térreo do Bloco Central da Instituição.


Esse problema iniciou-se no 2º semestre de 2014 e, na época, todos os envolvidos ficaram cientes. Mesmo com o ocorrido, até hoje temos conseguido efetuar as matrículas, mesmo sem a conclusão da resolução. Temos cerca de 90 estudantes nessa situação e garantimos que nenhum formando ou veterano será prejudicado.”

 

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