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Correio Braziliense

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Após mobilização na internet, ex-morador de rua começa a estudar no IFB

Plínio Limoeiro foi aprovado para gestão pública, mas perdeu prazo de matrícula. Agora, ele está assistindo aulas do cursos técnico em serviços públicos enquanto aguarda abertura de nova seleção para a graduação desejada

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postado em 20/02/2016 12:00 / atualizado em 19/02/2016 19:15

Paula Braga /Especial para o Correio

Após mobilização na internet e matéria divulgada no caderno Trabalho & Formação Profissional, do Correio Braziliense, o ex-morador de rua Plinio Limoeiro, 25 anos, conseguiu realizar o sonho de ingressar no Instituto Federal de Brasília (IFB): na última quarta-feira, ele assistiu ao primeiro dia de aula no curso técnico de serviços públicos da instituição. A formação não precisa de seleção e teve matrículas efetuadas nesta semana por ordem de chegada. “Passei a noite acordado na fila. Cheguei 00h e fiz a matrícula às 9h. Eu fui o terceiro. Estou muito feliz”, relata o mais novo aluno da instituição, agradecendo aos internautas que assinaram o pedido dele no site Change.org. “Agora estou com uma kit alugada em São Sebastião, estou organizando minha casa e minha vida”, completa Plínio.

As surpresas para ele não pararam por aí. Nesta sexta-feira (19), ele foi recepcionado pelo reitor do IFB, Wilson Conciani, e recebeu a notícia de que receberá uma bolsa auxílio da instituição para continuar os estudos. Além disso, ele poderá tentar o ingresso no curso de graduação em gestão pública (para o qual foi aprovado no ano pasado) no próximo semestre, sem precisar passar novamente pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Plínio terá apenas que efetuar a inscrição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) com a nota que obteve na prova em 2014. “Meus colegas de turma e os professores me receberam muito bem. Fazer esse curso é uma oportunidade muito boa na minha carreira, que abrirá novos horizontes. O curso técnico é bastante preparatório e, no próximo semestre, vou tentar novamente entrar em gestão pública”, afirma Plínio.

Entenda o caso

Após concluir o ensino médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), em 2014, Plínio prestou o Enem com o objetivo de buscar uma vaga para um curso de graduação numa instituição pública de ensino. Na época, o baiano (que havia deixado a cidade natal Salvador e mudado para Brasília em busca de oportunidades) trabalhava como servente de obras e caseiro para pagar o aluguel da casa onde morava, em Sobradinho II.

As noites que passou debruçado nos livros tiveram resultado: ele conseguiu passar para o curso de gestão pública, no Instituto Federal de Brasília (IFB), para ingresso no segundo semestre de 2015. Mas, no ano em que alcançou a aprovação, Plínio perdeu o emprego, não conseguiu manter o aluguel e viu-se obrigado a morar na rua. Como não tinha endereço para receber correspondência ou acesso à internet, ele somente soube que havia passado para o curso desejado depois que o prazo de matrícula havia terminado. Para tentar recuperar a vaga, ele criou um abaixo-assinado on-line na plataforma Change.org pedindo que a instituição o deixasse estudar.

O pedido foi criado em 29 de janeiro e recebeu 840 assinaturas. O abaixo-assinado foi veiculado na internet com a ajuda de integrantes da equipe da Revista Traços, da qual Plínio é porta-voz. A publicação é comercializada por moradores de rua pelo valor de R$ 5. Da venda de cada revista, R$ 4 ficam com o vendedor, que utiliza R$ 1 para comprar um novo exemplar.

Na ocasião, o IFB informou que não poderia efetuar a matrícula para que ele estudasse ainda nesse ano por conta das normas previstas no edital, mas comunicou que a instituição estaria de portas abertas para recebê-lo em outras modalidades de cursos.

O pedido foi criado em 29 de janeiro e recebeu 840 assinaturas. O abaixo-assinado foi veiculado na internet com a ajuda de integrantes da equipe da Revista Traços, da qual Plínio é porta-voz. A publicação é comercializada por moradores de rua pelo valor de R$ 5. Da venda de cada revista, R$ 4 ficam com o vendedor, que utiliza R$ 1 para comprar um novo exemplar.

Na ocasião, o IFB informou que não poderia efetuar a matrícula para que ele estudasse ainda nesse ano por conta das normas previstas no edital, mas comunicou que a instituição estaria de portas abertas para recebê-lo em outras modalidades de cursos.

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