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Cabelos grisalhos entre os formandos

Aos 71 anos, o dentista Dante Bresolin concluiu ontem a segunda graduação em museologia na Universidade de Brasília (UnB), onde atuou como professor durante 28 anos

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postado em 05/03/2016 07:00 / atualizado em 04/03/2016 20:31

Paula Braga /Especial para o Correio

 Carlos Moura/CB/D.A Press

A tradicional colação de grau da Universidade de Brasília (UnB), que encerra a jornada dos estudantes de graduação, contou com um rosto que carrega características pouco comuns na turma de bacharéis de ontem (4). Entre os jovens de 20 e poucos anos recém-formados no curso de museologia foi possível ver um homem de cabelos brancos — mas de espírito tão jovem quanto os demais. O formando pouco habitual é Dante Bresolin, 71 anos, que ingressou no curso pelo vestibular, em 2010 — na terceira tentativa.

“Da primeira vez em que tentei, não sabia nem marcar as bolinhas do gabarito”, brinca ele. Após cinco anos e meio de estudo, esforço e trabalhos, Dante poderá juntar o título de museólogo às demais certificações que alcançou ao longo da vida. Nesta noite, é ele quem fará o juramento dos estudantes dos cursos de biblioteconomia, arquivologia e museologia.

 

Edilson Rodrigues/CB/D.A Press

Ele é dentista, com mestrado em ortodontia pela University of Washington, em Seattle, nos Estados Unidos, e doutor em proporcionalidade facial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, foi professor titular durante 28 anos na mesma universidade em que concluiu a segunda graduação. Apesar da pouca semelhança entre a área na qual já atuava e a nova graduação alcançada, ele justifica a escolha: “sempre fui inclinado para essa coisa da memória, do patrimônio e do colecionismo, desde menino. Criança tem essa mania de colecionar coisa, não é?”, conta. A decisão veio depois que ele visitou a cidade de Diamantina, em Minas Gerais, e realizou um estágio em um museu.

 

Breno Fortes/CB/D.A Press

“Quando entrei no curso, pedi que os colegas me tratassem com muita paciência, porque iria precisar disso. Eu tinha 65 anos e eles eram jovens entre 18 e 23 anos. Sempre sentava bem na frente e ficava imaginando eles olhando a minha calvície. Mas todos foram muito compreensivos, fiz várias amizades e era quase uma curiosidade no curso. Eu costumava dizer que tinha idade para ser avô dos alunos e pai dos professores”, lembra Dante.

Mesmo depois de concluir a segunda graduação, o eterno estudante afirma que ainda não está satisfeito. “Acho que vou continuar estudando. Tenho 71 anos, então é mais difícil começar um curso novamente, ter tempo para realizar os trabalhos. Mas se aparecer algo na área de museologia pode ser que eu tenha interesse”, prevê.

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