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Intercâmbio de experiências e cenários

Criado como atividade complementar, o projeto Pé na Estrada leva estudantes de arquitetura a intervir na paisagem de outras cidades %u2014 além de interagir com alunos de fora do DF

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postado em 13/03/2016 17:31

Bernardo Bittar /

Salvatore Cicero/Divulgação

Jovens professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB) criaram um projeto para levar alunos a viagens de exploração arquitetônica em diversas cidades brasileiras. Desde 2011, o Pé na Estrada — atividade complementar e não obrigatória — conduz estudantes a conhecer destinos fora do DF. Eles visitam grandes construções, imaginam maneiras de intervir no cenário de outras cidades e trocam experiências com estudantes de outras instituições. Um dos objetivos é apresentar a arquitetura de Brasília e da UnB a outros estudantes e tentar ressignificá-la.

A primeira edição do projeto foi realizada pelos professores Elane Peixoto e Ricardo Trevisan. Eles queriam mostrar aos futuros arquitetos como é a realidade das cidades do Brasil, todas muito diferentes de Brasília, plana e modernista; e que foi totalmente planejada. Já foram realizadas cinco viagens com aproximadamente 45 pessoas em cada.“A ideia é mostrar o nosso cotidiano e falarmos das características arquitetônicas e singulares que existem aqui. Mas aprendemos como é viver em outros lugares. Se você parar para pensar, os problemas — e soluções — normais no Rio de Janeiro, por exemplo, são incomuns aqui”, explica a coordenadora da iniciativa, professora Camila Sant’Anna.

Segundo ela, uma desvantagem da capital sobre o Rio é o transporte público. Portanto, para os alunos da FAU, foi importante trocar conhecimento com moradores de lá, onde existem mais linhas de metrô e as faixas exclusivas para ônibus foram instituídas há décadas. “Eles se impressionaram porque a questão da mobilidade é muito latente. Conseguiram aprender algumas maneiras de se virar, caso peguem um cliente que precisa fazer uma mudança urgente envolvendo, sei lá, o metrô”, acrescenta.

Assuntos como espaços livres, as malhas urbanas e os declives estão inseridos em meio a palestras e a momentos de reflexão, onde os alunos são convidados a, por exemplo, imaginar intervenções em locais públicos. “Daí você vai tentar encontrar uma solução para aquele local considerado inútil para a população. O tempo todo a gente é estimulado a aprender”, contou a estudante de arquitetura e urbanismo e também uma das organizadoras do projeto, Isabella Rodrigues, 22 anos. Ela faz parte do time de alunos que toma conta de determinados assuntos relacionados à atividade, como o marketing e a área financeira do Pé na Estrada.

Por causa da responsabilidade de ajudar no projeto, apenas estudantes que  ultrapassaram o terceiro semestre podem participar. “Acreditamos que eles terão um aproveitamento melhor, pois já têm experiência suficiente para aproveitar os ensinamentos”, explicou a aluna e organizadora Bárbara Vasconcelos, 24. Ela é uma das pessoas à frente da exposição sobre o Pé Na Estrada realizado no Rio de Janeiro em outubro de 2015. “Na Expo RJ, vamos mostrar o que aprendemos e criamos diversas atividades em cima do que foi visto”, disse.

Durante o evento, as fotografias tiradas pelos alunos serão expostas e também haverá uma espécie de sonorizador com os barulhos da natureza e do trânsito, por exemplo, gravados pelos futuros arquitetos. A Expo RJ ocorre de 4 a 8 de abril, das 18h às 19h no auditório da FAU.

Expansão
O projeto deu tão certo que, hoje, o Pé Na Estrada tem outros três “filhos”: o Pé na Esquina, o Pé com Pé e o Ponta Pé. Cada um deles foi desenvolvido coletivamente, à medida que as necessidades foram surgindo. “Podemos dizer que todos eles, juntos, são uma família que ajuda o estudante de arquitetura e urbanismo a conhecer melhor o meio em que ele vive e saber diferenciá-lo das demais cidades”, afirmou Camila Sant’Anna. Assim, completou a professora, “vamos descobrindo os desdobramentos que envolvem a exploração arquitetônica”.


Outros projetos

» Pé na Esquina — O projeto estimula os alunos a conhecerem Brasília de maneira diferente, com deslocamentos e percepções urbanas guiadas por professores. Os alunos já visitaram a 308 Sul e os arredores do Eixo Monumental. O próximo passo será ir a Samambaia e a Ceilândia.

» Pé com Pé — A intenção é promover troca de experiências sobre arquitetura com outras instituições, empresas e escritórios, com passeios didáticos, palestras e eventos. Trata-se se uma apresentação sobre Brasília.

» Ponta Pé — A intenção é conhecer melhor os câmpus da Universidade de Brasília (UnB), explicando as criações e as intervenções urbanas, localizando o aluno na estrutura da instituição.

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