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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER »

A polêmica da PM na UnB

O policiamento ostensivo na instituição volta a ser discutido e não é unanimidade entre os alunos. Alguns acreditam que a sensação de segurança aumentaria, enquanto outros apontam o trabalho preventivo seria melhor. Reitor reafirma medidas de vigilância

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postado em 16/03/2016 17:26 / atualizado em 17/03/2016 18:21

Bruno Sousa Lima - Especial para o CB /

Minervino Junior

O assassinato da estudante de biologia da Universidade de Brasília (UnB) Louise Ribeiro reacendeu a discussão sobre a presença do policiamento ostensivo no câmpus. A presença da Polícia Militar nas dependências da instituição divide opiniões entre os alunos. Após a tragédia ocorrida na quinta-feira passada, quando a jovem foi assassinada dentro de um laboratório do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) pelo ex-namorado e também estudante Vinícius Neres, 19 anos, surgiram questionamentos sobre a maneira como a segurança deve ser feita.


Alunos começaram a recolher assinaturas pedindo, entre outras coisas, rondas permanentes de 24 horas e policiamento ostensivo. “A gente fez uma votação e esses tópicos ficaram entre os mais votados. Eu acredito que a maioria quer, sim, o policiamento ostensivo”, avalia Gabrielle Castelo Branco, 22 anos, estudante de pedagogia e uma das organizadoras do abaixo-assinado. O documento será  entregue à reitoria nos próximos dias.


A ação conta com o apoio do Diretório Central dos Estudantes (DCE). O coordenador-geral do órgão, Gabriel Bertone, explica que existem movimentos contrários à presença de PMs dentro da universidade e alunos consideram que é uma questão de aumento da sensação de segurança. Para ele, a polêmica está relacionada ao tratamento e à abordagem dos policiais. Bertone defende o policiamento, desde que haja um comportamento adequado ao meio universitário. “A gente vem trabalhando para naturalizar a presença do policiamento especializado. Solicitamos também à PM e à reitoria que seja um batalhão universitário, com profissionais que, normalmente, são ex-alunos.”

 

Minervino Junior
 

 

Discussão
O assunto está longe de ser unanimidade. A diretora de extensão universitária da União Nacional dos Estudantes (UNE), Thaynara Melo, diz que o ideal seria o trabalho preventivo — mais iluminação, instalação de câmeras de monitoramento e transporte nos trechos isolados. Para a estudante, a morte de Louise não é um caso isolado, mas reflexo do machismo da sociedade. “Não vão ser três ou quatro caras armados em um carro que garantirão a segurança.”


A estudante de ciências sociais Ayla Viçosa, 21, cobra que seja realizado um treinamento especializado com os profissionais de segurança, no qual sejam abordadas situações típicas do ambiente acadêmico. Ela também propõe que seja criada uma ouvidoria especial na reitoria para casos específicos de violência contra a mulher. “A gente já tem PM aqui e isso não assegura que estupros não aconteçam, mulheres não sejam agredidas, não sejam assediadas.”


O especialista em segurança pública Roberto Aguiar, que já foi reitor da UnB e secretário de Segurança, ressalta a dificuldade de vigiar uma área tão grande como a da UnB — 3 milhões de metros quadrados. “No fundo, o problema todo é de educação da comunidade. Sozinho, o policiamento não vai dar conta”, analisa. Aguiar sugere que o debate sobre violência seja levado para dentro da sala de aula. “O que a gente deve pensar é em inserir no currículo de cada um dos cursos uma disciplina que tratem dessas questões. Realizar seminários e encontros em torno desse tema. Botar mais policiais é capaz de gerar mais violência”, conclui. Em nota, a PMDF afirmou que o policiamento no local é feito com viaturas e motocicletas. Desde outubro de 2015, também há rondas com bicicletas, das 7h às 23h.

 

Camargo diz que a pauta é vencida

Na segunda-feira, durante um evento contra a violência do Teatro de Arena do Instituto Central de Ciência (ICC) Norte — impulsionado pela morte de Louise Ribeiro —, o reitor da UnB, Ivan Marques Camargo, foi vaiado e xingado de “hipócrita” por estudantes ao anunciar medidas de segurança. “Os estudantes apresentam uma enorme resistência nessa questão. Eu mal havia começado a falar e eles se opuseram. Eu insisto que essa é uma pauta vencida”, define Camargo.


Para o reitor, o assassinato de Louise se trata de um caso de feminicídio e que não poderia ter sido evitado simplesmente com o aumento da segurança. No entanto, ele garante que providências estão sendo tomadas para reduzir as ocorrências. “Há uma ação conjunta de toda a administração para tentar remediar esses problemas”, revela. Durante o discurso na segunda, Camargo afirmou que pretende continuar deixando as chaves dos laboratórios também com os monitores, que são estudantes.


Entre as prioridades, estão a ampliação da iluminação em áreas estratégicas do câmpus e a avaliação da possibilidade de alterar o contrato com a empresa de segurança responsável pelo local a fim de aumentar o efetivo no período noturno. “Nós também estamos ouvindo diretores de institutos e faculdades para saber quais são as demandas específicas de cada local”, afirma Camargo, que disse ter dado uma volta pela UnB de carro para mapear esses espaços perigosos.

 

 

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