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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER »

Polícia aposta em premeditação

Vedação de janelas de laboratório da UnB, onde estudante matou a jovem Louise Ribeiro, leva a polícia a investir na hipótese de que o crime foi pensado. Vinícius está em sozinho em uma cela no Centro de Detenção Provisória da Papuda

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postado em 16/03/2016 17:35 / atualizado em 17/03/2016 18:20

Thiago Soares

Carlos Moura

Mais um detalhe do depoimento do assassino confesso de Louise Maria da Silva Ribeiro, 20 anos, faz com que a Polícia Civil acredite que a morte brutal da jovem tenha sido premeditada. Antes de chamar a vítima para um dos laboratórios do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), Vinícius Neres, 19 anos, vedou todas as janelas do espaço com papel pardo. Ele alegou aos professores que precisava fazer o procedimento devido a um experimento fotográfico que faria no período noturno.


O delegado da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), Leandro Ritt, explicou que as investigações estão sendo aprofundadas no sentido de verificar a premeditação do crime. “Estamos tentando confirmar detalhes do depoimento. Ele disse aos responsáveis pelo laboratório que precisaria da sala escura. Tampou todas as janelas, por volta das 17h30, um pouco antes de se encontrar com a Louise. Apesar de ele alegar que o plano era se matar, trabalhamos com a hipótese que a intenção dele era apenas assassinar a jovem”, detalhou.


A hipótese junta-se ao fato de Vinícius ter pesquisado durante meses sobre os efeitos do clorofórmio. Ele descobriu que, ao ser ingerida, a substância pode levar à morte. Aos investigadores, o jovem falou da intenção de tirar a própria vida após o distanciamento da jovem Louise. Amigos relataram que os dois tiveram um relacionamento de oito meses, que acabou em dezembro do ano passado. Em janeiro deste ano, Neres furtou o litro de clorofórmio de um laboratório de química. De acordo com o delegado, até o fim da semana, os investigadores devem comparecer ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde Vinícius está preso desde o último domingo, para colher novos depoimentos. “Queremos aprofundar em alguns detalhes. São questões que vão surgindo ao longo das investigações”, explicou Ritt.


O assassino de Louise está recluso no Centro de Detenção Provisória (CDP) na Papuda. Vinícius foi levado depois que o juiz Carlos Fernando Fecchio dos Santos converteu a prisão flagrante para preventiva. Fecchio entendeu que a confissão esclarece a autoria do crime. “Não há registros de passagem anterior na folha penal do autuado, porém a tese de que ele é primário, com bons antecedentes, residência fixa e que estuda não é suficiente para afastar a necessidade da decretação da prisão preventiva. Os relatos do preso e os elementos emergem fundamentos para a manutenção da prisão cautelar do indiciado”, detalha a sentença.

 

Carlos Vieira
 

Banho frio
A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), vinculada à Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, informou que o acusado está sozinho em uma cela da unidade prisional. O espaço tem aproximadamente cinco metros quadrados e possui cama, bacia turca e chuveiro sem energia elétrica. “Ressaltamos que o isolamento é um procedimento padrão adotado para resguardar a integridade física de internos que cometeram crimes sexuais ou de grande comoção”, detalhou o órgão. O Correio entrou em contato com a nova advogada do acusado, Vânia Fraim de Lima, que informou não ter novidades sobre o assunto.


O corpo de Louise foi encontrado na manhã da sexta-feira, próximo a um matagal do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), quase 17 horas depois de Vinícius ter enviado uma mensagem para ela dizendo que se mataria e precisava encontrá-la em um dos laboratórios da UnB. No encontro, Louise se tornou vítima de um dos mais bárbaros crimes praticados dentro da instituição de ensino superior. O ex-namorado da jovem usou clorofórmio para deixá-la inconsciente e, depois, a fez ingerir 200ml do produto. Vinícius confessou o assassinato.

 

Expulsão da UnB
Além de responder pelo feminicídio de Louise, Vinícius também enfrentará um processo administrativo para expulsão da UnB. O assassino confesso está no sexto período do curso de biologia. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) encaminhou um pedido à reitoria solicitando a expulsão do aluno. Além desse procedimento, nos próximos dias, o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) também deve entrar com pedido de desligamento de Neres. A reitoria da instituição informou que não tem prazo estipulado para analisar os documentos.

 

DF é o primeiro nas denúncias

A cada hora, mais de 85 pessoas procuraram a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (ligue 180) no ano passado em todo o Brasil — foram 2.052 ligações por dia. O canal atendeu a 749.024 chamados no período, número 54,40% maior do que em 2014 (485.105). De acordo com dados da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), o Distrito Federal é a unidade da Federação com maior taxa de registro de atendimentos, seguido de Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.


Os dados mostram que, do total de atendimentos, 76.651 são de relatos de violência, sendo 50,16% de agressão física, 30,33% de violência psicológica, 7,25% de violência moral, 5,17% de cárcere privado e 4,54% de denúncias sexuais. Se comparado a 2014, o canal registrou aumento de 129% no número total de relatos de violências sexuais — estupro, assédio, exploração sexual.


Em 72% dos casos, a violência foi cometidas por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo: atuais ou ex-companheiros, cônjuges, namorados ou amantes. Além disso, de acordo com a SPM, 98,02% dos relatos de violência é considerado de risco para a vítima. O perigo de o caso se transformar em morte das vítimas se tornou percebido em 29,52% das ocorrências.


Segundo a pesquisa, informações relatadas sobre a frequência em que a violência ocorre mostram que, em 39,73% dos casos, a violência é diária; e, em 34,36%, semanal. A maioria das pessoas que denunciou alguma forma de agressividade contra mulheres em 2015 foram as próprias vítimas (63,48%). Depois, estão as denúncias feitas por amigos ou conhecidos (13,16%) e parentes (11,02%).

Orientação
Entre os relatos de violência, as mulheres negras (pretas e pardas) representam a maioria das vítimas, com 58,86%, seguidas pelas mulheres brancas (40,15%), amarelas (0,53%) e indígenas (0,46%). A central recebe denúncias de violência, orienta as mulheres sobre os direitos e presta informação a respeito da legislação vigente. Desde a criação do serviço, em 2005, já foram realizados 4.823.140 atendimentos em todo país.

 

 

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