Eleição do DCE do UniCeub ocorre nesta quinta em meio a troca de acusações

O candidato eleito poderá indicar 50 alunos para receber bolsas integrais na instituição, e a disputa virou caso de polícia

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postado em 04/04/2016 16:24 / atualizado em 05/04/2016 12:19

A eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) será nesta quinta-feira (7), e o clima não é dos melhores. Há frequentes trocas de agressões entre as chapas concorrentes. Envolvidos na disputa registraram boletins de ocorrência em que se acusam de difamação, falsidade ideológica e invasão de páginas na internet.

A disputa é acirrada pelo fato de a chapa ganhadora deter benefícios, entre eles o poder de indicar 50 alunos para receberem bolsas integrais na instituição. O candidato eleito também poderá definir a estrutura do DCE, como o número de cargos e de diretorias.

Envolvimento de partidos

A competição pela gestão do DCE não fica só no meio acadêmico e envolve partidos políticos. Representantes de duas chapas são filiados à Juventude do PSDB no Distrito Federal (JPSDB/DF): o estudante do 6º semestre de administração Victor Puppim Vilela, da chapa Renovação Interativa UniCeub (RIU), e o aluno do 4º semestre de administração Rafael Calixto, da chapa Universitários em Movimento (ou Mova-se).

Apesar disso, o ex-presidente da antiga gestão do DCE e candidato à reeleição Victor Puppim Vilela, 21 anos, deseja um pleito apartidário. “O DCE não deve influenciar o que o aluno deve pensar ou em qual ideologia política deve acreditar”, opina. Do lado oposto, Rafael Calixto, 19 anos, que concorre à liderança do DCE pela primeira vez, concorda com a posição. “Não há nenhum envolvimento com o partido, 95% das pessoas da chapa não são filiadas a nenhum partido”, diz.

 

Além das chapas dos representantes da JPSDB, há mais duas concorrendo à presidência. O estudante do 8º semestre de direito João Paulo Ribeiro, 22 anos, candidato da chapa Muda Ceub, que ficou em segundo lugar na eleição passada, acredita que existe uma interferência muito grande de partidos políticos externos. “Eles levaram uma briga pessoal para o movimento estudantil, que está sendo prejudicado. O meu grupo é apartidário e tem propostas criadas a partir das demandas dos alunos”, comenta João Paulo. Caso eleito, ele pretende criar um concurso interno para a destinação das 50 bolsas universitárias. O presidente da quarta chapa concorrente, Respeito, Inovação e União, não foi identificado. Alguns alunos acreditam que se trata de uma chapa fictícia.

Versões opostas

Victor Puppim Vilela registrou mais de quatro boletins de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia Civil da Asa Norte. Ele diz sofrer perseguição por parte de Horácio Lessa Ramalho, ex-presidente da JPSDB, que o apoiou nas eleições passadas e amigo pessoal do candidato Rafael Calixto da chapa Mova-se. Victor explica que Horácio pediu a destinação de algumas bolsas de estudo a determinadas pessoas, só que ele teria se recusado a aceitar a exigência. A partir daí, Horário Lessa Ramalho teria começado a ameaçar o candidato. Victor acredita que Horácio Ramalho está apoiando a chapa de oposição Universitários em Movimento, cujo candidato à presidência é o estudante Rafael Calixto, também da JPSDB. Mas Rafael alega que Horácio Ramalho é amigo pessoal dele e não interfere na eleição. Em nota, a JPSDB afirmou o apoio oficial ao candidato Rafael Calixto.

Já Horácio Ramalho, assessor da Coordenação de Relações com o Congresso Nacional da Casa Civil do Governo do Distrito Federal, afirma que não tem qualquer envolvimento com o movimento estudantil. "Eu sou ex-presidente da JPSB, mas sei que o partido não se envolve diretamente com as eleições do DCE. Sou apenas amigo do Rafael, mas não me envolvo com isso. Meu apoio ao Victor mudou pela forma como ele conduziu a gestão", comenta ele que registrou um boletim de ocorrência contra Victor Vilela também na 2ª Delegacia de Polícia Civil da Asa Norte, acusando-o de calúnia.

Victor também relata que a página do DCE no Facebook foi invadida e acusa os concorrentes de distribuírem panfletos no centro universitário em que o culpam pelo suposto desvio de R$ 35 mil para promover uma festa de recepção aos calouros, de ter assinado documentos e contratos sem consultar a diretoria do DCE e de ter agido de forma agressiva, chutando cadeiras e agredindo verbalmente diretores e coordenadores do DCE. Os textos também diziam que ele teria prometido dar bolsas de estudo para quem trabalhasse no DCE por, pelo menos, três meses, mas não teria cumprido o combinado, além de ter distribuído bolsas para amigos que não trabalharam pelo DCE. Segundo ele, outros folders o compararam com a presidente Dilma Rousseff e o chamaram de corrupto.

O UniCeub diz não se envolver nas eleições do DCE e não quis comentar o assunto.