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Esporte fica em segundo plano

Falta de verba e trocas recentes de gestão na Universidade de Brasília fazem com que treinadores e atletas de 26 modalidades acabem desamparados durante competições nacionais e regionais. Além disso, falhas no Centro Olímpico pioram a situação

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postado em 19/04/2016 18:58 / atualizado em 19/04/2016 19:48

Em meio a campeonatos universitários e regionais, a Universidade de Brasília (UnB) paralisou grande parte dos treinamentos esportivos neste mês. Desde o último dia 4, treinadores e atletas de 26 modalidades fazem reuniões para cobrar do Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) e da Diretoria de Esporte, Arte e Cultura (DEA) providências. O motivo da interrupção é o vencimento da contratação dos técnicos, que, desde o ano passado, tinham um acordo temporário com a instituição de ensino superior. Sem contrato e sem a segurança de um pagamento retroativo em caso de continuidade do trabalho, grande parte desses profissionais deixaram as equipes. Na última quinta-feira, o DAC se comprometeu a manter os salários até junho, quando começa a fase nacional da Liga Desporto Universitário (LDU).

A UnB ocupou a terceira posição geral no ranking de 2015 da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU), sendo a mais bem colocada entre as universidades federais. Em 2016, no entanto, com a troca de gestões do Decanato e da DEA e o corte da verba de mais de R$ 1 milhão do programa Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do Ministério da Educação (MEC), segundo a decana Thérese Hoffman, não foi possível se organizar da mesma maneira que nos anos anteriores.
 
 
Agora, ela explica que, para o pagamento dos salários dos treinadores e das bolsas-atletas, conta apenas com o que restou do valor do programa do ano passado, mais o recurso anual de R$ 310 mil. “Até o ano passado, tínhamos o recurso do Reuni, mas, neste ano, não foi renovado. Teremos de trabalhar com parcerias de outras áreas da universidade e com o que temos de dinheiro para continuar com todos os projetos em dia”, explicou.

Centro Olímpico
Para o treinador das equipes de vôlei feminino e vôlei de praia feminino da UnB, João Guimarães, os mais prejudicados são os esportes coletivos. “Estamos no meio de vários campeonatos. Só dos universitários oficiais, a gente tem a fase regional da Liga Desporto Universitário neste mês. Se nos classificarmos, haverá a fase nacional, em junho, além da seletiva para os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em agosto, e, depois, o próprio JUBs, em outubro. Fora os campeonatos amadores e de federações, que ocorrem a todo tempo”, lamentou.
 
 
 
Por esse motivo, técnicos de algumas modalidades se dispuseram a continuar com os treinos como um trabalho voluntário. “O que vamos fazer é que, provavelmente, as equipes treinarão, cada uma, dentro das condições que o técnico possa fazer dentro da sua disponibilidade. Mas vamos perder muito da regularidade, da qualidade e da continuidade de treino. Será para não fazer feio nas competições nem desprezar o esforço dos atletas, que, para nós, são o mais importante”, completou João.

A decana Thérese Hoffman também afirma que ainda existe uma questão de legalidade. Segundo ela, a previsão de pagamento desses profissionais, para uma nova contratação, seria necessário abrir um concurso público ou procurar uma empresa para fazer a licitação do trabalho terceirizado. Enquanto isso, o DAC e a DEA buscam rediscutir o treinamento das equipes a fim de elaborar uma política institucional para o desporto universitário.
 
 
 
Os técnicos também reclamam das condições estruturais do Centro Olímpico. Além de competir por espaço dentro do ginásio com outras modalidades, segundo o treinador da equipe de vôlei masculino Telmo Alves Costa, os buracos nas quadras impedem a organização de campeonatos e jogos amistosos. “Eu encaminhei essa queixa para a DEA em 2014 e fui orientado a procurar outro lugar pra treinar a minha equipe. Mesmo sabendo que mudei meus treinamentos para o Clube Vizinhança, na 108 Sul, eu fiquei de janeiro a abril sem receber, porque, segundo eles, eu não havia trabalhado”, relatou.

Bolsa-atleta
Os atletas também ficaram prejudicados com as restrições financeiras. Além da suspensão dos treinos por um mês, o bolsa-atleta, programa de incentivo à prática esportiva para alunos, foi diminuído. O próximo edital, que deverá ser aberto em maio, oferecerá 120 bolsas, sendo 30 para esportistas de baixa renda. Em anos anteriores, o número de bolsas chegou a 250, mas, de acordo com a decana, não havia critério para escolha dos atletas. “Pela falta de recurso, este ano, o critério será apenas atletas que participam de modalidades do desporto universitário. Ainda assim, não haverá prejuízo no valor da bolsa, que permanece em R$ 400”, resumiu Thérese.
 

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