SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Universitária denuncia agressão sofrida dentro de sala de aula

Em Taguatinga, professor de arquitetura teria empurrado e derrubado estudante no chão. Jovem se sente constrangida e busca justiça

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 08/06/2016 11:42 / atualizado em 08/06/2016 11:47

 

Joyce Pereira Alves, 21 anos, cursa o 1º semestre de arquitetura e urbanismo no câmpus de Taguatinga do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e conta ter passado por uma situação de constrangimento e violência dentro de sala de aula. A situação teria acontecido em 19 de maio, por volta das 14h, quando a aluna procurou o professor da disciplina Teoria e história de arquitetura e urbanismo, NDiogou Diene, de naturalidade senegalesa, para conversar sobre o prazo estabelecido para a entrega de um trabalho.

 

Segundo Joyce, depois de ela ter reclamado da desorganização do docente e do fato de ele ter estabelecido um tempo muito curto para desenvolver a atividade, o professor teria gritado e colocado o dedo na cara dela. "Ele começou a gritar, ficou me mandando repetir o que eu tinha dito. Não me contive e comecei a gritar também. Ele ficou apontando o dedo na minha cara e se aproximou cada vez mais, enquanto eu permaneci, em pé, no mesmo lugar. Eu abaixei o dedo dele - que já estava encostando no meu rosto. Assim, que o fiz, ele pegou no meu pulso esquerdo e me empurrou para o chão", relata.

 

Arquivo Pessoal
O local não estava vazio, mas segundo Joyce, nenhum outro estudante a defendeu. “Meus colegas ficaram assustados, gente que estava do lado de fora veio ver o que tinha acontecido, mas ninguém teve ação na hora. Depois, foram comigo à ouvidoria.” Segundo a estudante, a instituição não lhe deu nenhum tipo de apoio. "A única coisa que a faculdade fez foi me chamar para conversar. Tentaram me acalmar e disseram para eu tomar cuidado para que essa história não tomasse proporções muito grandes. Disseram que conversariam com o professor, mas não aconteceu nada. Ele não foi punido de nenhuma forma", reclama.

 

“Eu me senti envergonhada.” A universitária acredita que sofreu a agressão pelo fato de ser mulher. “Eu não tenho como me defender. Se fosse alguém mais forte, com mais força física, ele não teria feito isso”, avalia. Segundo ela, em ocasiões anteriores, o professor em questão havia sido grosseiro com alunas - mas verbalmente.

 

Joyce acredita que um dos motivos para que o professor não tenha sido punido é o fato de a faculdade não contar com câmeras nas salas de aula, o que dificultaria a existência de provas quanto à agressão. Depois do caso, a jovem parou de frequentar as aulas e entrega os trabalhos acadêmicos à coordenação do curso. A vitima registrou o caso na 12º Delegacia de Polícia civil, de Taguatinga, como agressão física e contou com a presença de colegas como testemunhas, entre elas Juliana Brandão Ulhôa, 26, também aluna do primeiro semestre de arquitetura no UniCeub.

 

“Eu estava na sala quanto tudo aconteceu. Ela perguntou por quê ele tinha marcado a entrega do trabalho para aquela data, e o professor começou a ser irônico com ela - algo que sempre faz com a gente. A Joyce disse que ele era desorganizado, ele não gostou e passou a apontar o dedo para ela, dizendo que ela não podia falar assim com ele. Quando ela tirou a mão dele da cara dela, ele a empurrou”, confirma Juliana. Segundo ela, os alunos não defenderam a colega por terem sido pegos de surpresa. “Tinha umas 15 pessoas na sala, mas a gente não esperava essa reação. Todo mundo ficou em choque.”

 

Apesar de não ter sido a vítima, Juliana também se sente intimidada e, desde a briga, parou de frequentar os encontros da disciplina. “Eu não me sinto à vontade para fazer isso. Tem quase três semanas que não assisto aula dele e vou entregar meus trabalhos à coordenação. Tenho certeza que isso aconteceu porque a Joyce é mulher: o professor é magrinho e não tentaria agredir um homem”, supõe. Para ela, a reação da faculdade foi uma decepção. “O UniCeub não fez nada e não garantiu nada, não colocou o professor para conversar com a turma, só disseram para a Joyce ficar quietinha. Mas ela é a vítima e não tem que ficar quieta”, reclama.

 

“A postura deveria ser de demitir pois, além da agressão, ele já não dava aula direito antes: ficava passando filme, não respondia dúvidas dos alunos e, há dois meses, parou de dar aulas para focar em orientações de trabalho que serão apresentados em apenas 10 minutos”, diz. “Esperamos que, ao levar o caso à mídia, alguma providência seja tomada, já que isso não é uma boa propaganda para a instituição”, finaliza Juliana.

 

O Eu, Estudante contatou o UniCeub e pediu para conversar com o professor, mas não teve o pedido atendido. Segundo informações do currículo de NDiogou Diene na plataforma Lattes-CNPq, o docente é mestre em planejamento urbano pela Universidade de Brasília (UnB), onde cursa doutorado em planejamento urbano e regional. No UniCeub, dá aulas desde desde 2014, como docente com dedicação exclusiva.

Em nota, a instituição afirmou que a situação foi resolvida. Confira a declaração na íntegra:

"O UniCEUB - Centro Universitário de Brasília, juntamente com a coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo, declara que o caso da aluna citada já foi resolvido internamente com as partes envolvidas. A aluna solicitou entregar trabalhos da disciplina direto à coordenação do curso e a alteração da data de entrega, ambas solicitações foram aceitas. No entanto, na aula de hoje (7), a aluna entregou um trabalho diretamente ao professor em questão. As questões acadêmicas solicitadas pela aluna foram atendidas pela Instituição. O UniCEUB se colocou prontamente à disposição da aluna."

 

Joyce não confirma a versão do centro universitário. “Para mim, a situação não está resolvida. Eu espero que ele, no mínimo, seja demitido. Eu me sinto constrangida em não poder ir à aula, fico mal de pensar que não posso fazer nada, porque a faculdade não me ajuda", lamenta. Segundo Joyce, ela também não entregou nenhum trabalho pessoalmente ao professor depois do ocorrido e teria feito o envio de uma atividade por meio de uma colega.

publicidade

publicidade