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Correio Braziliense

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Invasores combinam de levar arma de choque e canos à invasão da UnB

Troca de mensagens via whatsapp divulgadas pela Mídia Ninja mostra plano de ação violento de grupo de apoiadores do deputado Jair Messias Bolsonaro

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postado em 22/06/2016 19:58 / atualizado em 23/06/2016 18:16

Homens e mulheres arquitetaram a invasão à Universidade de Brasília, na noite de sexta-feira (17/6), por meio do aplicativo Whatsapp. Mensagens recebidas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) mostram o grupo combinando levar pistolas de choque elétrico e bandeiras em canos de PVC, para serem usados como arma. Nos diálogos, os invasores também afirmam terem estourado duas bombas no ato. E se vangloriam de a polícia “ter ficado do nosso lado”.

O DCE da UnB vai entregar à Reitoria, na tarde desta quarta-feira (22), uma lista de telefones celulares das pessoas que supostamente planejaram e participaram do ataque. Universitários conseguiram os números dos aparelhos após o vazamento de áudios de homens e mulheres organizando a ação e, depois, comemorando o ato. O DCE quer também que a Polícia Federal investigue o caso. Até agora, ele está a cargo da Polícia Civil do Distrito Federal, por ordem do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Em um dos diálogos, alguém—não fica claro se homem ou mulher—conta como agiu para tirar do grupo a responsabilidade pelo equipamento de choque e as explosões das bombas. “Com relação às bombas, aparelho de choque, aquele gordão da esquerda, que estava filmando e chegou perto de nós, dos policiais, eu e a Meire nos (fomos) categóricos. Choramos na frente da câmera do celular deles dizendo que eles deram choque na gente, que eles soltaram bomba e os estilhaços explodiram na nossa cara (riso). Tá filmado da parte deles. Porque não soltam esse vídeo falando isso? Estamos usando a estratégia deles. Não gostam de mentir, inverter a situação. Está tudo gravado na câmera do safado”.

As gravações parecem incluir conversas do planejamento, durante e pós ataque. Em um dos áudios, um rapaz pergunta sobre o tipo de protesto que se pretende fazer. E que se for “para quebrar tudo”, ele tem uma galera. Se não, é preciso arrumar outras pessoas porque esse grupo nem ia aceitar participar. Em outro, um homem faz um balanço positivo da ação.

“Nos ameaçamos mesmo. Porque era o intuito chegar e dizer: ‘viemos aqui porque não permitiremos mais que isso aconteça’. Ameaçamos. Eles se intimidaram no começo, depois ficaram com conversinha, tentaram reagir, mas a reação deles foi muito fraca. E nós intimidamos. A intimidação valeu muito a pena. A polícia chegou e ficou do nosso lado. Isso foi fantástico”.

Entenda o caso

Um grupo de manifestantes invadiu o Instituto Central de Ciências (ICC), conhecido como Minhocão, na noite de sexta-feira (17/6). Com roupas pretas e camisas da seleção brasileira, gritaram contra a greve e praticaram ataques homofóbicos e racistas a estudantes. Segundo relatos, os manifestantes chegaram ao local por volta das 20h, gritando palavras de protesto, exigindo a volta da ditadura militar.

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