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Pai de Louise exige que pena de acusado seja feminicídio

Vinícius Neres foi acusado de homicídio qualificado, mas familiar quer agravante. Ontem, suspeito e parente se encontraram durante a audiência de instrução, no Tribunal de Justiça. Réu insistiu na versão de que não premeditou o crime

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postado em 23/06/2016 19:16 / atualizado em 23/06/2016 19:33

Bernardo Bittar /

Carlos Moura

A família de Louise Ribeiro, assassinada aos 20 anos de idade pelo ex-namorado, recorreu à Justiça para que o autor declarado do crime, Vinícius Neres, seja condenado por feminicídio. Inicialmente, o jovem, que é réu confesso, foi acusado de homicídio qualificado com ocultação de cadáver. Tanto Vinícius quanto o pai de Louise, Ronald Ribeiro, prestaram depoimento ontem no Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A audiência de instrução não teve sentença. Ela será proferida apenas no julgamento do caso, ainda sem data marcada.

“Esse crime desestabilizou a minha família. Hoje, a irmã mais nova da Louise, Isadora, faz tratamento psicológico para lidar melhor com o ocorrido. A mais velha, Mariana, se tornou uma pessoa calada. Minha mulher, Sandra, não sabe detalhes do caso. O que esse menino fez representa desrespeito à fragilidade de uma menina, que foi morta de maneira brutal por alguém muito maior e mais forte que ela”, contou ao Correio o pai da vítima, o tenente do Exército Ronald Ribeiro. Segundo ele, a acusação contra Vinícius não condiz com o comportamento dele. “Quero uma punição exemplar. Ele articulou a situação a ponto de humilhar, maltratar e ir muito além do assassinato. Rebaixou minha filha”, complementou.

Vinícius contou em detalhes de como foi a dinâmica do crime, ocorrido em 10 de março, nas dependências da Universidade de Brasília (UnB). Com comportamento semelhante ao apresentado no depoimento à polícia, o estudante demonstrou calma ao relatar o ocorrido. Segundo ele, a ideia de encontrar a ex-namorada surgiu após ele ter pensamentos suicidas. “Na verdade, eu queria me matar. Havia até cogitado usar o clorofórmio para isso. Mas, quando contei para Louise o que estava planejando, ela me deu um abraço e falou que sentiria saudades. Era tudo mentira. Meu sentimento, na hora, se transformou em raiva”, afirmou.

Vinícius, então, deu uma gravata em Louise e usou um pano de limpeza da bancada do laboratório de biologia da UnB, embebido em clorofórmio, para desequilibrá-la. Questionado pelo magistrado responsável pelo caso, Paulo Jordano, se o crime havia sido premeditado, ele disse que “a história tomou outro rumo” ao perceber o desprezo da ex-namorada. O juiz declarou acreditar que o “pensamento do réu é muito singular, porque quem quer se matar sente autopiedade e não raiva”. Ainda assim, Vinícius declarou “ter ficado extremamente frustrado com a reação dela”.

Pronúncia
Além do autor do crime e do pai da vítima, cinco pessoas foram convocadas a depor. Quatro consequências eram possíveis de ocorrer no julgamento: pronúncia, impronúncia, desclassificação ou absolvição sumária. Nesse caso, ocorreu a primeira. O Ministério Público pediu que Vinícius fosse condenado por feminicídio. Em abril deste ano, o estudante foi denunciado pelo MPDFT por homicídio qualificado por motivo torpe, ao dificultar a defesa da vítima, asfixiá-la e destruir o cadáver dela. De acordo com o promotor de Justiça responsável pela acusação, Marcello Oliveira Medeiros, “o julgamento está previsto para o segundo semestre deste ano”.


 

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