SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Unesco defende educação midiática em seminário do Conselho de Comunicação

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 07/11/2016 18:48 / atualizado em 07/11/2016 18:56

O jamaicano Alton Grizzle, da Divisão de Liberdade de Expressão e de Desenvolvimento da Mídia da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), defendeu, nesta segunda-feira (7), a capacitação dos jovens para o uso crítico de novas tecnologias e para a produção de conteúdo.

 

Segundo Grizzle, esse é um caminho necessário ao uso livre e democrático da mídia. O representante da Unesco participou de seminário promovido pelo Conselho de Comunicação do Senado.

 

Segundo Grizzle, todos os cidadãos precisam desenvolver habilidades e competências para entender o papel da mídia e ser capaz de utilizar ferramentas de comunicação para articular processos de desenvolvimento e mudança social. A Unesco recomenda que a Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) seja incorporada nas escolas.

 

"Não podemos somente proteger as crianças, é preciso dar a elas as ferramentas para analisar de forma crítica os conteúdos. A ênfase da educação deve ser em dar os meios para que as pessoas sejam críticas e independentes frente a todas as mídias”, disse Grizzle.

 

Para a Unesco, também a ênfase na tecnologia não deve ser o principal – todo conhecimento deve integrar a educação, dos livros à internet, passando por museus, arquivos e jornais. “Claro que há importância na tecnologia, mas a ênfase não deve ser essa. A perspectiva é que o analfabetismo seja redefinido, para atingir cidadãos literatos em mídia e informação. Não existem cidadão alfabetizados se não forem também alfabetizados mediáticos”, disse.

 

Análise de mídia A reunião foi proposta e coordenada pelo conselheiro Ismar Soares, que é professor da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador de um núcleo que estuda as interações entre comunicação e educação. Para ele, a educação contemporânea tem de fornecer as ferramentas para entender e conhecer nosso sistema mediático, preparando melhores leitores de conhecimento, o que gera mais cidadania.

 

“O conselho precisava ficar a par desse movimento internacional que a Unesco vem implementando, de colocar a população, e principalmente a juventude, para discutir a razão de ser das novas tecnologias e da presença da própria mídia”, disse.

A experiência da USP colocou em contato duas escolas num projeto comum de educomunicação, como é chamado o estudo da educação para a mídia. Alunos do colégio particular Dante Alighieri e do Centro Educacional Unificado (CEU) Casablanca, da Prefeitura de São Paulo, trocaram experiências sobre seus projetos de comunicação.

 

Juntos esses alunos produziram conteúdo em rádio e vídeo, e discutiram suas experiências. O colégio particular fica na região de Jardins, e recebe alunos de classe média alta, enquanto a escola pública fica na região do Taboão da Serra, periferia sul da cidade.

 

As estudantes Clarice Villarim e Maria Eduarda Silva de Oliveira apresentaram no seminário sua experiência. A primeira é aluna do Dante Alighieri. A segunda, no CEU Casablanca. As duas apresentaram os resultados de um trabalho conjunto de "prática educomunicativa pioneira" de análise e produção midiática. Os estudantes produzem vídeos, áudios e textos, além de oficinas de análise de mídia.

 

Segundo Clarice, a iniciativa tem dado maior protagonismo aos estudantes. "Tem de haver essa troca de visões entre o aluno e o professor, principalmente nessa área de tecnologia, já que a minha geração nasceu num mundo midiatizado."

Maria Eduarda observou que a integração de tecnologias ao aprendizado tem deixados os estudantes mais motivados. Ela listou algumas das atividades desenvolvidas. "A Educom.geração.cidadã.2016 possui uma página no Facebook, onde a gente 'posta' todas as fotos, o processo do projeto, e um canal no YouTube, onde a gente 'posta' os vídeos do projeto", informou.

 

MEC
Pelo governo federal, a diretora de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação, Sandra Zita Silva Tine, disse que o estudo de mídia tem feito parte tanto do treinamento de professores quanto do dia a dia das escolas.

 

Dados do MEC mostram que há 4,5 milhões de alunos envolvidos com projetos de tecnologia ou comunicação, com mais de 800 mil rádios escolares, e mais de um milhão de jornais. “Mas isso ainda é pouco no universo dos nossos alunos [10%], e precisamos investir mais em iniciativas como essas”, ressaltou Tine.

 

Agência Câmara

publicidade

publicidade