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Ciência sem Fronteiras

Bolsista da Capes cria patente e é premiada nos Estados Unidos

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postado em 11/11/2016 20:56

Portal Inep

 

A estudante Izabelle de Mello Gindri, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), chegou ao fim do doutorado pleno por meio do Programa Ciência sem Fronteiras com uma experiência vitoriosa. Ao longo de três anos na University of Texas at Dallas (UTD), publicou cinco artigos como autora principal em revistas com fatores de impacto de relevância. Além disso, é autora de uma aplicação de patente que envolve o projeto.

 

O trabalho que desenvolveu no exterior visou o desenvolvimento de compostos orgânicos, denominados líquidos iônicos, com multifuncionalidades para proteger a superfície de implantes dentários e melhorar o desempenho desses dispositivos.

 

“Atualmente, estima-se que de 5% a 10% dos implantes dentários falham e entre os principais agentes causadores destacam-se o biofilme bacteriano, corrosão da superfície metálica e lesão durante a inserção, devido ao atrito da superfície metálica e o tecido ósseo. Estes agentes têm sido associados a processos inflamatórios que podem acarretar a perda óssea e consequentemente a falha dos implantes”, explica a pesquisadora.

 

De acordo com Izabelle, os compostos propostos no projeto foram racionalizados para possuir multifuncionalidades. “Assim, pode-se inibir o crescimento bacteriano ao redor do implante, permitir a migração celular e óssea e também proteger a superfície contra corrosão, como também o atrito durante a inserção, devido sua propriedade lubrificante”, detalha.

 

A experiência no exterior foi fundamental para o desenvolvimento do trabalho, argumenta a bolsista. “A minha orientadora nos Estados Unidos, professora Danieli Rodrigues, me proporcionou o treinamento em várias técnicas e equipamentos de alta tecnologia. Além disso, tive o incentivo dela para atender conferências onde tive oportunidade de entrar em contato com os melhores profissionais da área de biomateriais, e também de conhecer a pesquisa de outros grupos”, lembra a pesquisadora.

Izabelle realizou trabalhos em parceria com outros colegas, com profissionais de indústrias e com o órgão regulador de qualidade de biomateriais nos Estados Unidos, o FDA (do inglês Food and Drug Administration). “Todas essas experiências foram de muita valia, pois contribuíram significativamente na minha formação multidisciplinar. Em termos de produtividade, a experiência no exterior teve uma grande contribuição para trabalhar em publicações de alto impacto”, comemora.

 

Devido à inovação da tecnologia desenvolvida no projeto de doutorado, os compostos propostos na tese e a aplicação da tecnologia de líquidos iônicos como tratamento de superfície de biomateriais deram origem a uma aplicação de patente. “Este processo foi muito interessante, pois aprendi sobre as questões burocráticas que viabilizam a proteção da propriedade intelectual. A grande atenção à proteção da propriedade intelectual reflete uma politica interessante do meio acadêmico nos Estados Unidos, onde a pesquisa é, em grande parte, realizada, de modo a suprir as necessidades da indústria, o que leva à produção de conhecimento, que frequentemente é convertido em tecnologia”, explica.

 

 

Premiação

Além das publicações, em 2015 Izabelle recebeu o prêmio Jonsson Family Graduate Fellowship in Bioengineering por destacado desempenho acadêmico na UTD. “Um aspecto muito importante no meio acadêmico dos Estados Unidos é que alunos que têm um bom desempenho dentro da universidade são reconhecidos e valorizados. Isto faz com que o meio seja competitivo, o que resulta em um maior engajamento dos estudantes nas atividades acadêmicas e maior produtividade”, descreve Izabelle.

 

Inclusa no prêmio estava a redução das mensalidades escolares para valores similares aos estudantes do Texas, aproximadamente metade do valor que a Capes vinha pagando desde então. “Desde que cheguei à UTD, me preocupei em estar no mesmo nível dos alunos norte-americanos. Para isso me dediquei nas disciplinas que cursei e busquei oportunidades em projetos paralelos ao meu projeto de doutorado, onde tive a possibilidade de trabalhar com outros alunos. Como recompensa por esse trabalho, em agosto de 2015 fui premiada com a bolsa, que reconhece alunos de pós-graduação com destacado desempenho acadêmico”, comemora.

 

O alto desempenho científico da bolsista tem, segundo ela, origem na formação qualificada ainda no Brasil. “Tive uma excelente formação durante o mestrado no Brasil, que me proporcionou a base científica para desenvolver o meu projeto de doutorado. Acredito que o sucesso na experiência no exterior tenha sido resultado da orientação que recebi no país e no exterior”, garante a pesquisadora.

 

Retorno e inovação

A bolsista ressalta que realizar estudos em outro país tem dois aspectos fundamentais: o profissional e o pessoal. “Profissionalmente, a oportunidade de estudar em uma universidade no exterior possibilita conhecer o sistema de ensino do país estrangeiro, ter contato com profissionais de vários lugares do mundo e também ter acesso à tecnologia de ponta disponível em países como os Estados Unidos. Pessoalmente, vejo como fundamental o contato com culturas diferentes para podermos avaliar quais são os aspectos culturais que contribuem positivamente em um país”, afirma.

 

Com a conclusão do doutorado, Izabelle acredita que o projeto desenvolvido tem potencial de aplicação na indústria brasileira. “Hoje o Brasil possui um amplo número de indústrias de próteses dentárias e ortopédicas. Embora esses materiais tenham bom desempenho in vivo, existem aspectos que podem ser melhorados e a pesquisa que desenvolvi pode contribuir em um futuro próximo”, planeja.

 

Portal MEC

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