Pai que matou filho por opinião política tinha boa relação com a vítima

De acordo com a polícia, testemunhas afirmam que os dois tinham um bom relacionamento e que nenhum episódio de violência entre os dois tinha sido registrado

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postado em 16/11/2016 16:57 / atualizado em 16/11/2016 17:50

 

Reprodução/Facebook

 

O engenheiro civil Alexandre José da Silva Neto, 60 anos, suspeito de ter matado o próprio filho, o estudante Guilherme Silva Neto, de 20 anos, e de depois ter cometido suicídio, perseguiu o jovem por pelo menos um quarteirão antes de efetuar os disparos que tiraram a vida do rapaz. Segundo inquérito preliminar divulgado pela Polícia Civil de Goiás, após ter levado o primeiro tiro, Guilherme conseguiu fugir, mas foi encontrado pelo pai que deu outros três disparos na vítima, que estava de joelhos na hora do crime.


O caso aconteceu na tarde de terça-feira (15/11), em Goiânia. Guilherme e Alexandre teriam iniciado uma discussão na manhã de ontem porque o pai não se conformava com o posicionamento político do filho, que participava de um movimento de ocupações em escolas no estado. Após a briga, o engenheiro seguiu o jovem e o encontrou em uma praça na região central da cidade, onde ele teria efetuado o primeiro disparo.

 

Ainda de acordo com a polícia, testemunhas afirmam que a relação entre pai e filho "era muito afetuosa" e que nenhum episódio de violência entre os dois tinha sido registrado. O inquérito sobre o crime, ainda de acordo com as autoridades, já está praticamente finalizado. Resta apenas saber como Alexandre, que não tinha porte de armas, conseguiu ter acesso ao revólver que ele teria usado para cometer o crime.

 

 

UNE lamenta o caso

A União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou nesta quarta-feira (16) nota sobre o ocorrido.

Confira na íntegra:

 

“Nota da UNE sobre a morte do estudante Guilherme Silva Neto, da UFG
A União Nacional dos Estudantes lamenta profundamente a morte do estudante Guilherme Silva Neto, de 20 anos, e do seu pai Alexandre José da Silva Neto, ocorrida no final da tarde da terça-feira (15). Neste momento de imensa consternação, a UNE presta solidariedade e respeita o luto da família e amigos.
Guilherme era estudante de Matemática da Universidade Federal de Goiás e participava do movimento estudantil; fazia parte do Diretório Acadêmico do seu curso e no último período era um ativo militante da ocupação da UFG contra a PEC 55, ação pacífica que têm mobilizado jovens em todo o Brasil em defesa da educação.


Embora o caso revele uma relação particular entre pai e filho, a UNE enxerga com preocupação o fato de que a morte de Guilherme tenha envolvido uma discussão sobre as suas preferências políticas e a intolerância que isso gerou no ambiente familiar.


Em um momento delicado da política brasileira e mundial, em que temos presenciado manifestações de ódio exacerbado contra os movimentos sociais, a UNE entende que é necessário reafirmarmos o diálogo e a democracia como principal saída para os diferentes pensamentos existentes na sociedade.”